2 de fevereiro de 2017

Prólogo

Talvez desde sempre eu fosse quebrada e sombria por dentro.
Talvez alguém que tivesse nascido completa e boa tivesse soltado a adaga de freixo e recebido a morte em vez do que estava diante de mim.
Havia sangue por toda parte.
Foi difícil continuar segurando a adaga enquanto minha mão ensopada de sangue tremia. Enquanto eu me despedaçava, pouco a pouco, o cadáver estatelado do jovem Grão-Feérico esfriava no piso de mármore.
Não conseguia soltar a arma, não conseguia sair do lugar diante dele.
— Que bom — ronronou Amarantha de seu trono. — De novo.
Havia outra adaga de freixo e outro feérico ajoelhado. Era do sexo feminino.
Eu conhecia as palavras que ela diria. A oração que recitaria.
Eu sabia que a massacraria, assim como havia massacrado o rapaz diante de mim.
Para libertar todos eles, para libertar Tamlin, eu o faria.
Eu era a assassina de inocentes e a salvadora de uma terra.
— Quando estiver pronta, querida Feyre — cantarolou Amarantha, com os cabelos ruivos intensos tão brilhantes quanto o sangue em minhas mãos. No mármore.
Assassina. Carniceira. Monstro. Ardilosa. Trapaceira.
Eu não sabia de quem estava falando. Os limites entre mim e a rainha havia muito tempo se confundiam.
Meus dedos se afrouxaram na adaga, e ela caiu no chão, agitando a poça de sangue que se espalhava. Gotas dispararam para minhas botas desgastadas — resquícios de uma vida mortal em um passado tão distante que poderia muito bem ter sido um de meus sonhos febris dos últimos meses.
Encarei a fêmea que aguardava a morte, aquele capuz caído sobre a cabeça, o corpo esguio e firme. Preparada para o fim que eu daria a ela, para o sacrifício que se tornaria.
Levei a mão à segunda adaga de freixo sobre uma almofada de veludo, o cabo estava gelado em minha mão morna e úmida. Os guardas puxaram o capuz da feérica.
Eu conhecia o rosto que me encarava.
Conhecia os olhos cinza-azulados, os cabelos castanho-alourados, a boca farta e as maçãs do rosto acentuadas. Conhecia as orelhas que agora haviam se tornado delicadamente arqueadas, braços e pernas que tinham sido lapidados, delineados com poder, qualquer imperfeição humana fora suavizada e transformada em um sutil brilho imortal.
Conhecia o vazio, o desespero, a corrupção que vazava daquele rosto.
Minhas mãos não tremeram quando inclinei a adaga.
Quando segurei o ombro de ossos finos e encarei aquele rosto odiado... meu rosto.
E cravei a adaga de freixo no coração que estava à espera.

6 comentários:

  1. Alasca esse é o começo do 2 livro e ele esta ligado no primeiro livro. Tipo quando tento clicar na opção do 2 livro nao consigo ler. Mas se eu for no cap 46 do primeiro livro e clecar no icone de proximo cap ele me manda para o 1 de Corte de ruinas e furia. Da uma olhadinja para acertar os linck

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  2. Olá, poderiam acertar o atalho para o livro dois? Parece que ele está completo, mas não está separado do livro um. Do capítulo 46 do livro um saltei direto para cá... E alguma previsão de terminarem de postar essa série?

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  3. Olá!! estou adorando o livro. depois de ler o primeiro fiquei morrendo para ler o segundo. você tem também previsão de postar "A Court of Frost and Starlight". OBrigada!!
    Estou Saltando de felicidade!!
    MARina

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    Respostas
    1. Então, eu descobri bem recentemente da existência de um quarto livro. A postagem dele só vai ser possível se eu encontrar um pfd que funcione e se ele ja estiver traduzido.

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