1 de fevereiro de 2017

Capítulo Trinta e Quatro

O Attor manteve a mão gelada em meu braço conforme me arrastava até a sala do trono. Ele não se incomodou em retirar minhas armas. Ambos sabíamos que eram pouco úteis.
Tamlin. Alis e os meninos. Minhas irmãs. Lucien. Cantarolei silenciosamente seus nomes, diversas vezes, à proporção que o Attor se erguia acima de mim, um demônio de malícia. As asas encouraçadas farfalhavam de vez em quando — e, se eu conseguisse falar sem gritar, poderia ter perguntando por que não me matara imediatamente. O Attor apenas me puxou adiante, com aquele andar serpenteante, as garras dos pés arranhando prazerosamente o chão da caverna. Era perturbadoramente parecido com o modo como eu o havia pintado.
Rostos maliciosos — cruéis e ríspidos — me observavam passar, nenhum deles parecendo remotamente preocupado ou incomodado por eu estar nas garras do Attor. Feéricos — muitos deles —, mas poucos Grão-Feéricos à vista.
Passamos por duas enormes e antigas portas de pedra — mais altas que a mansão de Tamlin — e entramos em uma ampla câmara, entalhada em pedra pálida, escorada por inúmeras pilastras entalhadas. Aquela pequena parte de mim que mais uma vez se tornara trivial e inútil reparou que os entalhes não eram apenas desenhos decorativos, mas, na verdade, exibiam feéricos e Grão Feéricos e animais em diferentes cenários e em várias posições. Inúmeras histórias de Prythian estavam gravadas nelas. Candelabros de joias pendiam entre as pilastras, manchando de cor o piso de mármore vermelho. Ali... ali estavam os Grão-Feéricos.
Uma multidão reunida ocupava a maior parte do espaço, alguns deles dançavam ao som de uma música estranha, desafinada, e alguns se ocupavam conversando — era um tipo de festa. Achei ter visto máscaras reluzentes entre os presentes, mas tudo era um borrão de dentes afiados e roupas finas. O Attor me empurrou para a frente, e o mundo girou.
O frio piso de mármore pareceu implacável quando me choquei contra ele, e meus ossos gemeram e gritaram. Dei um impulso para me levantar; faíscas dançavam em minha visão quando ergui a cabeça. Mas fiquei no chão, me mantive abaixada quando olhei para a plataforma diante de mim. Alguns passos levavam até ela. Ergui mais a cabeça.
Ali, aconchegada em um trono preto, estava Amarantha.
Embora bonita, não era tão avassaladoramente linda como eu a havia imaginado; não era uma deusa de escuridão e rancor, o que a deixava ainda mais aterrorizante. Os cabelos ruivo-dourados entrelaçavam-se, perfeitamente trançados, na coroa dourada, a cor intensa destacava a pele branca como neve de Amarantha, a qual, por sua vez, destacava os lábios de rubi. Mas, embora os olhos de ébano brilhassem, havia... algo que consumia sua beleza, algum tipo de desprezo constante nas feições que fazia com que os atrativos de Amarantha parecessem contidos e frios. Pintá-la teria me levado à loucura.
A mais alta comandante do rei de Hybern. Amarantha massacrara exércitos humanos séculos antes, assassinara os próprios escravos em vez de libertá-los. E capturara Prythian inteira em questão de dias.
Então, olhei para o trono de pedra negra ao lado dela, e meus braços falharam sob o corpo.
Ele ainda usava a máscara dourada, vestia as roupas de guerreiro, aquele boldrié; embora ali não houvesse facas embainhadas... sequer uma arma, em qualquer parte dele. Os olhos não se arregalaram; a boca não se contraiu. Nenhuma garra, nenhuma presa. Ele apenas me encarou, inexpressivo — insensível. Imperturbado.
— O que é isto? — perguntou Amarantha, o tom de voz aumentando, apesar do sorriso de víbora que me lançou. Do pescoço esbelto e creme de Amarantha pendia uma longa corrente fina, e da corrente oscilava um único osso envelhecido, do tamanho de um dedo. Não queria pensar a quem pertenceria enquanto permaneci no chão. Se mexesse o braço, poderia sacar a adaga...
— Apenas uma coisa humana que encontrei lá embaixo — sibilou o Attor, e uma língua bifurcada disparou entre os dentes afiados como lâminas. O Attor bateu as asas uma vez, disparando ar fétido contra mim, e então, comportadamente, fechou as asas atrás do corpo esquelético.
— Obviamente — ronronou Amarantha. Evitei encará-la, e me concentrei nas botas marrons de Tamlin. Ele estava a 3 metros de mim, 3 metros, e não dizia uma palavra, nem mesmo parecia horrorizado ou com raiva. — Mas por que eu deveria me incomodar com ela?
O Attor deu uma risadinha, o som era como água chiando em uma grelha, e um pé cheio de garras me golpeou a lateral do corpo, rasgando minha túnica.
— Diga a Sua Majestade por que estava espreitando pelas catacumbas, por que saiu da velha caverna que leva até a Corte Primaveril.
Seria melhor matar o Attor ou tentar chegar a Amarantha? O Attor me chutou de novo e encolhi o corpo quando suas garras arranharam minhas costelas.
— Diga a Sua Majestade, lixo humano.
Eu precisava de tempo; precisava entender meus arredores. Se Tamlin estava sob algum tipo de feitiço, então precisaria me preocupar em pegá-lo. Fiquei de pé com cuidado, mantendo as mãos ao alcance casual das adagas. Encarei o vestido dourado reluzente de Amarantha em vez dos olhos.
— Vim reivindicar aquele que amo — falei baixinho. Talvez a maldição ainda pudesse ser quebrada. De novo, olhei para ele, e ver aqueles olhos de esmeralda foi como um consolo.
— Ah? — disse Amarantha, inclinando o corpo para a frente.
— Vim reivindicar Tamlin, Grão-Senhor da Corte Primaveril.
Um arquejo ecoou pela corte reunida. Mas Amarantha virou a cabeça para trás e gargalhou... com o riso de um corvo.
A Grã-Rainha se virou para Tamlin, os lábios retraídos em um sorriso malicioso.
— Você certamente se manteve ocupado durante todos aqueles anos. Desenvolveu um paladar por bestas humanas, foi?
Ele não respondeu, o rosto impassível. O que Amarantha tinha feito? Tamlin não se moveu, a maldição tinha funcionado, então. Eu chegara tarde demais. Tinha falhado com Tamlin, condenara-o.
— Mas — continuou Amarantha, devagar. Eu conseguia sentir o Attor e a corte inteira pairando atrás de mim. — Isso me faz pensar, se apenas uma garota humana podia ser levada depois que ela matasse sua sentinela... — Os olhos de Amarantha se iluminaram. — Ah, você é delicioso. Deixou que eu torturasse aquela garota inocente para manter esta aqui em segurança? Sua coisa adorável. Conseguiu mesmo que um verme humano o amasse. Maravilhoso. — Ela bateu palmas, e Tamlin simplesmente virou o rosto para longe dela, a única reação que vi nele.
Torturado. Ela havia torturado...
— Solte-o — falei, tentando manter a voz equilibrada.
Amarantha gargalhou de novo.
— Me dê um motivo para não destruir você agora, humana. — Os dentes de Amarantha eram tão retos e brancos, quase brilhavam.
Meu sangue latejou nas veias, mas mantive o queixo erguido quando falei:
— Você o enganou, ele foi injustamente aprisionado. — Tamlin ficara muito, muito imóvel.
Amarantha emitiu um estalo com a língua e olhou para uma das mãos esguias... para o anel no dedo indicador. Um anel, reparei, quando ela abaixou a mão de novo, decorado pelo que parecia... parecia um olho humano encapsulado em cristal. Eu podia jurar que o olho virou dentro da cápsula.
— Vocês bestas humanas são tão pouco criativas. Passamos anos ensinando poesia e discurso refinado a vocês, e isso é tudo em que consegue pensar? Eu deveria arrancar sua língua por desperdiçar tudo.
Trinquei os dentes.
— Mas estou curiosa. Que eloquência será vertida de sua boca quando contemplar o que deveria ter acontecido a você? — Minhas sobrancelhas se franziram quando Amarantha apontou para trás de mim, aquele olho horrível realmente olhava com ela, e me virei.
Ali, pregado à parede da enorme caverna, estava o cadáver devastado de uma jovem. A pele estava queimada em alguns lugares, os dedos, dobrados em ângulos estranhos, e linhas vermelhas vívidas entrecruzavam o corpo nu da jovem. Eu mal conseguia ouvir Amarantha por cima do rugido nos ouvidos.
— Talvez eu devesse ter ouvido quando ela disse que jamais tinha visto Tamlin — ponderou Amarantha. — Ou quando insistiu que jamais gostara de um feérico, jamais caçara um único dia na vida. Mas os gritos foram deliciosos. Não ouvia música tão boa fazia séculos. — As palavras seguintes de Amarantha foram direcionadas a mim. — Eu deveria agradecer a você por dar a Rhysand o nome dela em vez do seu.
Clare Beddor.
Fora até ali que a levaram, aquilo era o que haviam feito com ela depois de queimarem viva a família de Clare, dentro de casa. Aquilo era o que eu havia feito com ela, ao dar a Rhysand o nome de Clare para proteger minha família.
Meu estômago se revirou; me concentrei para não vomitar nas pedras.
As garras do Attor se enterraram em meus ombros quando a criatura me virou para encarar Amarantha, que ainda me dava aquele sorriso de cobra. Eu praticamente matara Clare. Tinha salvado minha vida e condenado a dela.
Aquele corpo apodrecendo na parede deveria ser o meu. Meu.
Meu.
— Vamos lá, preciosa — falou Amarantha. — O que tem a dizer sobre isso?
Eu queria disparar que ela merecia queimar no inferno pela eternidade, mas só conseguia ver o corpo de Clare pregado ali, mesmo enquanto encarava Tamlin inexpressivamente. Ele deixara que matassem Clare daquela forma, para evitar que soubessem que eu estava viva. Meus olhos arderam quando bile subiu até minha garganta.
— Ainda deseja reivindicar alguém que faria isso com uma inocente? — indagou Amarantha baixinho, de modo consolador.
Virei o olhar para ela. Não deixaria que a morte de Clare fosse em vão. Não cairia sem lutar.
— Sim — respondi. — Sim, desejo.
O lábio de Amarantha se retraiu, revelando caninos afiados demais. E, quando encarei seus olhos negros, percebi que morreria.
Mas Amarantha se recostou no trono e cruzou as pernas.
— Bem, Tamlin — disse ela, apoiando a mão no braço dele como se o possuísse. — Não imagino que esperasse que isto acontecesse. — Amarantha gesticulou em minha direção. Um murmúrio de gargalhadas daqueles reunidos ao meu redor ecoou, me golpeando como pedras. — O que você tem a dizer, Grão-Senhor?
Olhei para o rosto que eu amava tão intensamente, e as palavras seguintes de Tamlin quase me deixaram de joelhos.
— Nunca a vi. Alguém deve tê-la enfeitiçado como uma piada. Provavelmente Rhysand. — Ele ainda tentava me proteger, mesmo agora, mesmo ali.
— Ah, essa não é nem uma mentira parcialmente crível. — Amarantha inclinou a cabeça. — Será que... será que você, apesar de suas palavras tantos anos antes, corresponde os sentimentos da humana? Uma garota com ódio no coração por nosso povo conseguiu se apaixonar por um feérico. E um feérico cujo pai certa vez massacrou massas humanas ao meu lado de fato se apaixonou por ela também? — Amarantha soltou aquela risada de corvo outra vez. — Ah, isso é bom demais... é divertido demais. — Ela tocou o osso que pendia da corrente e olhou para o olho encapsulado na mão. — Imagino que, se alguém aprecia este momento — disse ela ao anel —, é você, Jurian. — Amarantha deu um sorriso agradável. — É uma pena que a prostituta humana que você escondia jamais se incomodou em salvá-lo, no entanto.
Jurian... aquele era o olho dele, o osso de seu dedo. Horror se revirou em meu estômago. Por meio de qualquer que fosse o mal, qualquer que fosse o poder, Amarantha ainda lhe guardava a alma, a consciência de Jurian, no anel, no osso.
Tamlin ainda olhava para mim sem me reconhecer, sem um lampejo de sentimento. Talvez Amarantha tivesse usado o mesmo poder para enfeitiçar Tamlin; talvez tivesse levado todas as suas memórias.
A rainha limpou as unhas.
— As coisas andam terrivelmente entediantes desde que Clare decidiu morrer. Matar você imediatamente, humana, seria chato. — Amarantha voltou o olhar para mim e, depois, para as unhas, para o anel no dedo. — Mas o Destino mexe o Caldeirão de formas estranhas. Talvez minha querida Clare precisasse morrer para que eu me divertisse de verdade com você.
Estremeci quando minhas entranhas pareceram se liquefazer; não consegui evitar.
— Veio reivindicar Tamlin? — indagou Amarantha, e aquilo não era uma pergunta, mas um desafio. — Bem, na verdade, estou chorando de tédio com o silêncio deprimido dele. Fiquei preocupada quando ele não reagiu enquanto eu brincava com a querida Clare, quando sequer mostrou aquelas lindas garras...
“Mas vou fazer um negócio com você, humana — propôs Amarantha, e sinos de alerta ressoaram em minha mente. A não ser que sua vida dependa disso, dissera Alis. — Complete três tarefas escolhidas por mim, três tarefas para provar o quão profundo são o senso de lealdade e o amor dos humanos, e Tamlin é seu. Apenas três pequenos desafios para provar sua dedicação, para provar a mim, ao querido Jurian, que seu tipo pode mesmo amar, e poderá ter seu Grão Senhor. — Amarantha se virou para Tamlin. — Considere isso um favor, Grão Senhor, esses cães humanos podem deixar nosso povo tão cego de desejo que perdemos todo o bom senso. É melhor que veja a verdadeira natureza dela agora.”
— Também quero a maldição quebrada — disparei. Amarantha ergueu a sobrancelha, o sorriso aumentando, revelando muitos daqueles dentes brancos. — Completo todas as três tarefas, e a maldição é quebrada, e nós, e toda a corte de Tamlin, podemos sair daqui. E ser livres para sempre — acrescentei. A magia era específica, dissera Alis, fora assim que Amarantha os enganara. Não deixaria que brechas se tornassem minha ruína.
— É claro — ronronou Amarantha. — Incluirei outro elemento se você não se importar, apenas para ver se é digna de nosso povo, se é inteligente a ponto de merecê-lo. — O olho de Jurian se mexeu desesperadamente, e Amarantha estalou a língua. O olho parou de se mover. — Darei uma saída a você, menina — continuou Amarantha. — Complete as três tarefas, ou, quando não aguentar mais, só precisa responder uma pergunta. — Mal consegui ouvir acima da pulsação que latejava em meus ouvidos. — Um enigma. Resolva o enigma, e a maldição será quebrada. Instantaneamente. Nem mesmo precisarei erguer o dedo, e ele estará livre. Dê a resposta certa, e ele é seu. Pode responder a qualquer momento, mas, se responder incorretamente... — Amarantha apontou, e não precisei me virar para saber que ela indicava Clare.
— E se eu fracassar em suas tarefas? — argumentei, com mais coragem do que sentia. Eu repassava as palavras de Amarantha, procurando armadilhas e brechas no modo como ela as havia formulado. Mas tudo parecia certo.
Seu sorriso ficou quase grotesco, e Amarantha esfregou o polegar na cápsula daquele anel.
— Se você fracassar em uma tarefa, não restará nada para eu brincar.
Um calafrio rastejou por minha espinha. Alis tinha me alertado... alertado contra acordos. Mas Amarantha me mataria imediatamente se eu dissesse não.
— Qual a natureza de minhas tarefas?
— Ah, revelar isso tiraria toda a diversão. Mas direi que você terá uma tarefa todo mês, na lua cheia.
— E enquanto isso? — Ousei olhar para Tamlin. O dourado em seus olhos estava mais brilhante do que eu me lembrava.
— Enquanto isso — disse Amarantha, em tom afiado —, deverá permanecer em sua cela, ou fazer qualquer trabalho adicional que eu solicitar.
— Se você me esgotar, isso não vai me deixar em desvantagem? — Eu sabia que ela estava perdendo o interesse, que não esperava que eu questionasse tanto. Mas precisava tentar conseguir algum tipo de vantagem.
— Nada além de afazeres domésticos básicos. É justo que trabalhe para se sustentar. — Eu poderia ter estrangulado Amarantha por aquilo, mas assenti. Imaginei se tinha feito algo tolo quando ela falou: — Então, estamos de acordo.
Eu sabia que ela esperava que eu repetisse a resposta, mas precisava me certificar.
— Se eu completar suas três tarefas, ou resolver seu enigma, fará o que peço?
— É claro — disse Amarantha. — Estamos de acordo?
Com o rosto de um tom de branco terrível, Tamlin me encarou, os olhos quase imperceptivelmente se arregalando. Não.
Mas era aquilo ou a morte; morte como a de Clare, lenta e cruel. O Attor sibilou atrás de mim, num aviso para que eu respondesse. Não acreditava em Destino ou em Caldeirão... e não tinha outra escolha.
Porque quando olhei para os olhos de Tamlin, mesmo naquele momento, sentado ao lado de Amarantha como seu escravo ou pior, eu o amei com uma voracidade que tomou meu coração inteiro. Porque quando ele arregalou os olhos, soube que Tamlin ainda me amava.
Não me restava nada além daquilo, do fiapo tolo de esperança de que pudesse vencer, de que eu pudesse ser mais esperta e derrotar uma rainha feérica tão antiga quanto a pedra sob mim.
— Então? — indagou Amarantha. Atrás de mim, senti o Attor se preparando para golpear, para me espancar até obter uma resposta se fosse preciso. Ela havia enganado todos, mas eu não tinha sobrevivido à pobreza e aos anos no bosque por nada. Minha melhor chance seria não revelar nada a meu respeito, ou a respeito do que sabia. O que era aquela corte, senão outra floresta, outro terreno de caça?
Olhei para Tamlin uma última vez antes de dizer:
— Concordo.
Amarantha me deu um sorriso breve e horrível, e magia fervilhou no ar entre nós quando ela estalou os dedos. Amarantha se aconchegou de volta no trono.
— Deem a ela uma saudação digna de meu salão — ordenou ela para alguém atrás de mim.
O chiado do Attor foi meu único aviso quando algo duro como pedra colidiu contra meu maxilar.
Fui atirada de lado, chocada com a dor, mas outro golpe brutal contra meu rosto aguardava. Ossos se quebraram... meus ossos. Minhas pernas giraram sob o corpo, e a pele encouraçada do Attor roçou contra minha bochecha quando ele me socou de novo. Fui jogada longe, mas encontrei o punho de outro... um perturbado feérico inferior, cujo rosto não consegui ver. Era como ser espancada com um tijolo. Crwtch, craque. Acho que havia três deles, e me tornei o saco de pancadas; passei de golpe em golpe, meus ossos gritando de agonia. Talvez eu também estivesse gritando de agonia.
Sangue jorrou de minha boca, e o odor pungente e metálico a preencheu antes que eu apagasse.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
Encontrou algum erro gramatical ou de formatação? Comente :D