2 de fevereiro de 2017

Capítulo Quatro

Alguns dias antes da cerimônia de casamento, convidados começaram a chegar, e fiquei grata porque jamais seria Grã-Senhora, jamais seria igual a Tamlin no que dizia respeito a responsabilidade e poder.
Uma pequena e esquecida parte de mim rugia e gritava para tudo isso, mas...
Jantar após jantar, almoços e piqueniques e caçadas.
Fui apresentada e passada adiante, e meu rosto doía devido ao sorriso que eu estampava ali dia e noite. Comecei a ansiar pelo casamento apenas por saber que, depois que terminasse, não precisaria ser agradável ou falar com ninguém ou fazer nada por uma semana. Um mês. Um ano.
Tamlin suportava tudo isso — daquele jeito silencioso, quase feral — e me dizia diversas vezes que as festas eram uma forma de me apresentar à corte, a dar ao povo algo que celebrar. Ele me assegurou que odiava as reuniões tanto quanto eu, e que Lucien era o único que se divertia de verdade, mas... peguei Tamlin sorrindo algumas vezes. E, sinceramente, ele merecia, tinha conquistado aquilo. E aquelas pessoas mereciam também.
Então, suportei, agarrando-me a Ianthe quando Tamlin não estava ao meu lado ou, se eles estivessem juntos, permitindo que os dois levassem as conversas enquanto eu fazia a contagem regressiva das horas até que todos fossem embora.
— Você deveria ir para cama — disse Ianthe, enquanto nós duas observávamos os festejadores reunidos que lotavam o salão. Tinha visto Ianthe perto das portas abertas havia trinta minutos, e fiquei grata pela desculpa para deixar o grupinho de amigos de Tamlin com os quais eu estava presa conversando. Ou não conversando. Ou eles me encaravam descaradamente, ou tentavam desesperadamente pensar em assuntos em comum. Caça, na maior parte do tempo. A conversa costumava emperrar depois de três minutos.
— Tenho mais uma hora antes de precisar dormir — comentei. Ianthe usava o vestido pálido de sempre, com o capuz levantado e aquela tiara de prata, a pedra azul no alto.
Machos Grão-Feéricos a olhavam conforme passavam casualmente por nós, ao lado da parede com painel de madeira próxima às portas principais, com espanto ou luxúria, ou talvez ambos, e vez ou outra os olhares recaíam sobre mim. Eu sabia que os olhos arregalados não tinham nada a ver com meu vestido verde-escuro ou com o rosto bonito (relativamente insípido em comparação com o de Ianthe). Tentava ignorá-los.
— Está pronta para amanhã? Tem algo que eu possa fazer por você? — Ianthe bebericou da taça de vinho branco espumante. O vestido que eu usava naquela noite tinha sido um presente dela, na verdade, verde como a Corte Primaveril, foi como ela chamou. Alis apenas ficou parada enquanto eu me vestia, perturbadoramente silenciosa, deixando que Ianthe reivindicasse suas tarefas costumeiras.
— Estou bem. — Eu já contemplara o quanto seria patético se pedisse a ela que ficasse permanentemente depois do casamento. Se eu revelasse que temia o momento em que Ianthe me deixasse com aquela corte, com aquelas pessoas, até o Nynsar, uma celebração menor da primavera que comemorava o fim da semeadura dos campos e em que distribuíam as primeiras mudas de flores da estação. Meses e meses no futuro. Até mesmo deixar que Ianthe morasse no próprio templo parecia longe demais.
Dois machos que já haviam passado por nós duas vezes finalmente reuniram coragem para se aproximar... dela.
Eu me encostei à parede, a madeira pressionada contra as costas, enquanto eles cercavam Ianthe. Bonitos, da forma como a maioria deles é bonita, com armas que os marcavam como dois dos Grão-Feéricos que guardavam as terras de Tamlin. Talvez até mesmo trabalhassem para o pai de Ianthe.
— Sacerdotisa — saudou um, fazendo uma reverência intensa.
Àquela altura, eu tinha me acostumado às pessoas beijando os anéis de prata de Ianthe e implorando por orações para si mesmas, para as famílias ou os amantes. Ianthe recebia tudo isso sem que aquele lindo rosto se alterasse infimamente.
— Bron — disse ela para o feérico à esquerda, alto e de cabelos castanhos. — E Hart — falou Ianthe para aquele à direita, de cabelos pretos e com uma compleição um pouco mais forte que a do amigo. Ianthe inclinou os lábios de um jeito tímido e bonito que eu já aprendera a significar que ela estava caçando companhia para a noite. — Não vejo vocês dois encrenqueiros há um tempo.
Eles se esquivaram do comentário com flertes e, então, os dois machos começaram a olhar na minha direção.
— Ah — disse Ianthe, com o capuz se movendo conforme ela se virou. — Permitam-me apresentar L ady Feyre. — Ianthe abaixou o olhar, inclinando a cabeça em um aceno profundo. — Salvadora de Prythian.
— Nós sabemos — disse Hart, baixinho, fazendo uma reverência, com o amigo, na altura da cintura. — Estávamos Sob a Montanha com você.
Consegui inclinar a cabeça um pouco quando eles esticaram o corpo.
— Parabéns por amanhã — disse Bron, sorrindo. — Um final adequado, não?
Um final adequado seria eu em uma cova, ardendo no inferno.
— O Caldeirão — disse Ianthe — abençoou a todos nós com tal união. — Os machos murmuraram em concordância, fazendo reverências com a cabeça de novo. Eu ignorei.
— Preciso dizer — continuou Bron. — Aquela prova, com o Verme de
Middengard? Brilhante. Uma das coisas mais brilhantes que já vi.
Fiz um esforço para não empurrar o corpo todo contra a parede, para não pensar no fedor daquela lama, no ruído aquoso daqueles dentes dilaceradores de carne avançando contra mim.
— Obrigada.
— Ah, pareceu terrível — falou Ianthe, aproximando-se ao reparar que eu não estava mais com aquele sorriso inexpressivo. Ela apoiou a mão no meu braço. — Tal bravura é inspiradora.
Fiquei grata, tão pateticamente grata pelo toque tranquilizador. Pelo aperto. Eu sabia que Ianthe inspiraria hordas de jovens fêmeas feéricas a se juntarem a sua ordem; não para adorar à Mãe e ao Caldeirão, mas para aprender como Ianthe vivia, como ela podia brilhar tão forte e se amar, seguir de um macho para outro, como se eles fossem pratos em um banquete.
— Faltamos à caça no outro dia — comentou Hart, casualmente. — Então, não tivemos a chance de ver seus talentos de perto, mas acho que o Grão-Senhor nos alocará perto da propriedade no mês que vem; seria uma honra cavalgar com você.
Tamlin não permitiria que eu saísse com eles nem em mil anos. E eu não tinha vontade de contar aos dois que não tinha interesse em jamais voltar a usar um arco e uma flecha, ou a caçar qualquer coisa. A caçada para a qual eu tinha sido arrastada dois dias antes fora quase demais. Mesmo com todos me observando, não saquei uma flecha.
Ainda estavam esperando uma resposta; então, eu disse:
— A honra será minha.
— Meu pai colocou vocês dois de serviço amanhã, ou participarão da cerimônia? — falou Ianthe, pousando a mão distraidamente sobre o braço de Bron. Era exatamente por isso que eu a procurava nos eventos.
Bron respondeu, mas os olhos de Hart permaneceram em mim... em meus braços cruzados. Em meus dedos tatuados. Ele falou:
— Teve alguma notícia do Grão-Senhor?
Ianthe enrijeceu o corpo, e Bron imediatamente disparou o olhar para minha pele tatuada.
— Não — respondi, encarando Hart.
— Ele provavelmente está assustado demais agora que Tamlin recuperou os poderes.
— Então você não conhece Rhysand nem um pouco.
Hart piscou, e até mesmo Ianthe se manteve em silêncio. Era provavelmente a coisa mais agressiva que eu tinha dito a alguém durante essas festas.
— Bem, nós cuidaremos dele se for preciso — disse Hart, mudando o peso do corpo entre os pés conforme eu continuei a encará-lo, não me incomodando em suavizar a expressão.
Ianthe disse a ele, a mim:
— As Grã-Sacerdotisas estão cuidando disso. Não permitiremos que nossa salvadora seja tratada tão mal.
Obriguei a expressão do rosto a ficar neutra. Era por isso que Tamlin inicialmente buscara Ianthe? Para fazer uma aliança? Meu peito se apertou um pouco. Eu me voltei para ela.
— Vou subir. Diga a Tamlin que o verei amanhã.
Amanhã, porque aquela noite, Ianthe dissera, passaríamos separados. Conforme rezavam suas antigas tradições.
Ianthe beijou minha bochecha, e seu capuz me protegeu do salão por um segundo.
— Estou a sua disposição, Senhora. Mande chamar se precisar de algo.
Eu não mandaria, mas assenti.
Conforme saí do salão, olhei para a frente, onde Tamlin e Lucien estavam cercados por um círculo de machos e fêmeas Grão-Feéricos. Talvez não fossem tão refinados quanto alguns dos outros, mas... Tinham a aparência de pessoas que estavam juntas havia muito tempo, que tinham lutado ao lado umas das outras. Os amigos de Tamlin. Ele me apresentara ao grupo, e imediatamente esqueci os nomes deles. Não tentei aprender de novo.
Tamlin inclinou a cabeça para trás e gargalhou, e os demais gargalhavam com ele.
Saí antes que Tamlin pudesse me ver, passando sutilmente pelos corredores lotados até estar no andar superior escuro e vazio da ala residencial.
Sozinha no quarto, percebi que não conseguia me lembrar da última vez em que tinha rido de verdade.
***
O teto se abaixava, os espinhos grandes e cegos estavam tão quentes que eu conseguia ver as ondas de calor emanando deles, mesmo de onde estava acorrentada ao chão. Acorrentada, porque era analfabeta e não podia ler a charada escrita na parede, e Amarantha estava feliz por me deixar ser empalada.
Mais e mais perto. Ninguém viria me salvar dessa morte terrível.
Doeria. Doeria e seria lenta, e eu choraria — talvez até chorasse por minha mãe, que jamais se importara mesmo comigo. Talvez eu implorasse para que ela me salvasse...
***
Braços e pernas se debatiam quando acordei com um susto na cama, puxando correntes invisíveis.
Eu teria corrido para o banheiro caso meus braços e pernas não tremessem tanto, caso conseguisse respirar, respirar, respirar...
Verifiquei o quarto, estremecendo. Real... aquilo era real. Os horrores, aqueles eram pesadelos. Eu tinha escapado; estava viva; estava a salvo.
Uma brisa noturna flutuou pelas janelas abertas, embaraçando meus cabelos, secando o suor frio em mim. O céu escuro chamava, as estrelas estavam tão fracas e pequenas como flocos de gelo.
Bron fizera parecer que assistir ao meu encontro com o Verme de Middengard tinha sido uma partida esportiva. Como se eu não estivesse a um erro de ser devorada por inteiro e ter meus ossos cuspidos.
Salvadora e boba da corte, pelo visto.
Saí cambaleando até a janela aberta e a abri mais, deixando minha vista livre para a escuridão salpicada de estrelas.
Apoiei a cabeça contra a parede, aproveitando as pedras geladas.
Em algumas horas, estaria casada. Teria meu final feliz, merecesse eu ou não. Mas aquela terra, aquele povo... eles também teriam seu final feliz. Os primeiros poucos passos na direção da cura. Na direção da paz. Então as coisas ficariam bem.
Então eu ficaria bem.
***
Eu odiava mesmo, de verdade, meu vestido de casamento.
Era uma monstruosidade de tule e chiffon e organza, tão diferente dos vestidos soltos que eu costumava usar: o corpete era justo, o decote se curvava para destacar meus seios, e as saias... as saias eram como uma tenda reluzente, praticamente flutuando ao ar perfumado da primavera.
Não era à toa que Tamlin tinha rido. Até mesmo Alis, enquanto me vestia, murmurara consigo mesma, mas não dissera nada. Mais provavelmente porque Ianthe pessoalmente escolhera o vestido para complementar qualquer que fosse o conto que ela teceria naquele dia — a lenda que Ianthe proclamaria ao mundo.
Eu poderia ter lidado com tudo isso, não fosse pelas mangas bufantes, tão grandes que quase conseguia enxergá-las brilhando com minha visão periférica. Meus cabelos tinham sido enrolados, metade para cima, metade para baixo, entrelaçados com pérolas e joias e o Caldeirão sabia o que mais, e fora preciso todo meu autocontrole para evitar encolher o corpo diante do espelho antes de descer as escadas espiraladas até o salão principal. Meu vestido sibilava e farfalhava a cada passo.
Além das portas fechadas do pátio, onde parei, o jardim tinha sido decorado com
fitas e lanternas em tons de creme, rosado e azul-celeste. Trezentas cadeiras estavam reunidas no pátio maior, cada assento era ocupado pela corte de Tamlin. Desci o corredor principal, suportando os olhares, antes de chegar ao altar na outra ponta... onde Tamlin estaria esperando.
Então, Ianthe sancionaria e abençoaria nossa união logo antes do pôr do sol, representando todas as 12 Grã-Sacerdotisas. Ianthe indicara que elas haviam insistindo para estar presentes — mas, por qualquer que fosse o ato de esperteza, Ianthe conseguira manter as outras 11 longe. Talvez para reivindicar a atenção para si, talvez para me poupar de ser importunada pelas outras. Eu não saberia dizer. Talvez os dois.
Minha boca ficou seca como papel quando Alis afofou a cauda brilhante do vestido à sombra das portas do jardim. Seda e organza farfalharam e suspiraram, e segurei o buquê pálido nas mãos enluvadas, quase partindo os caules.
Luvas de seda na altura dos cotovelos... para esconder as marcas. Ianthe as entregara pessoalmente naquela manhã, em uma caixa forrada de veludo.
— Não fique nervosa — disse Alis, com a pele de casca de árvore exuberante e rosada sob a luz do crepúsculo, de um dourado mel.
— Não estou — disparei.
— Está se mexendo como meu sobrinho mais novo durante um corte de cabelo. — Ela terminou de arrumar meu vestido e enxotou alguns criados que tinham ido me espiar antes da cerimônia. Fingi que não os vi, bem como a multidão reluzente emoldurada pelo pôr do sol, que estava sentada no pátio adiante, e brinquei com algum grão invisível de poeira nas saias.
— Você está linda — disse Alis, baixinho. Eu tinha quase certeza de que ela pensava o mesmo do vestido que eu, mas acreditei.
— Obrigada.
— E você parece a caminho do próprio funeral.
Estampei um sorriso no rosto. Alis revirou os olhos. Mas me cutucou na direção das portas quando estas se abriram com algum vento imortal e se ouviu uma música alegre.
— Terá terminado mais rápido do que você consegue piscar — prometeu ela, e cuidadosamente me empurrou para a última luz do sol.
Trezentas pessoas ficaram de pé e se viraram em minha direção.
Desde minha última tarefa não havia tanta gente reunida para me assistir, me julgar. Todas com adornos tão semelhantes aos que tinham usado Sob a Montanha. Os rostos eram borrões, se fundiam.
Alis tossiu das sombras da casa e lembrei de começar a andar, a olhar na direção do altar...
Para Tamlin.
Perdi o fôlego, e foi difícil continuar descendo as escadas, evitar que meus joelhos cedessem. Ele estava maravilhoso em uma túnica verde e dourada, uma coroa de folhas secas de louro reluzia em sua cabeça. Tamlin suavizara o encantamento sobre si, permitira que aquela luz e a beleza imortais brilhassem... por mim.
Minha visão se estreitou sobre ele, meu Grão-Senhor, os olhos arregalados de Tamlin reluziam conforme eu passava na grama fofa, com pétalas de rosa brancas espalhadas sobre ela...
E pétalas vermelhas.
Como gotas de sangue entre as brancas, as pétalas vermelhas tinham sido lançadas no caminho adiante.
Eu me obriguei a olhar para cima, para Tamlin, que estava com os ombros esticados, a cabeça erguida.
Tão ignorante à verdadeira gravidade do quanto eu estava partida e sombria por dentro. Do quanto era inapropriado que eu vestisse branco quando minhas mãos eram tão imundas.
Todos estavam pensando isso. Só podiam estar.
Cada passo era rápido demais, me impulsionava na direção do altar e de Tamlin. E na direção de Ianthe, usando um vestido azul-escuro naquela noite, reluzindo sob aquele capuz e a coroa prateada.
Como se eu fosse boa... como se eu não tivesse assassinado dois dos deles.
Eu era uma assassina e uma mentirosa.
Um punhado de pétalas vermelhas pairava adiante; exatamente como o sangue daquele rapaz feérico que se empoçara aos meus pés.
A dez passos do altar, na beira daquele borrão vermelho, reduzi a velocidade.
Então parei.
Todos estavam observando, exatamente como estiveram quando quase morri, espectadores de meu tormento.
Tamlin estendeu a imensa mão e franziu levemente a testa. Meu coração batia muito rápido, rápido demais.
Eu ia vomitar.
Bem sobre aquelas pétalas; bem sobre a grama e as fitas que se estendiam pelo corredor nas cadeiras que o ladeavam.
E entre minha pele e meus ossos, algo ressoava e latejava, erguendo-se e empurrando, disparando em meu sangue...
Tantos olhos, olhos demais sobre mim, testemunhas de cada crime que eu havia cometido, cada humilhação...
Não sei por que sequer tinha me incomodado em usar luvas, por que deixara que Ianthe me convencesse.
O sol poente estava quente demais, o jardim, fechado demais pelas cercas vivas. Tão inescapável quanto o voto que eu estava prestes a fazer, me unindo a ele para sempre, acorrentando Tamlin a minha alma quebrada e cansada. A coisa dentro de mim se agitava agora, meu corpo tremia com a força que se acumulava conforme buscava uma saída...
Para sempre — eu jamais melhoraria, jamais me libertaria de mim mesma, daquele calabouço no qual tinha passado três meses...
— Feyre — disse Tamlin, a mão firme conforme ainda a estendia para mim. O sol desceu além da fronteira do muro do jardim oeste; sombras cresceram, esfriando o ar.
Se eu me virasse, eles começariam a falar, mas não conseguia dar os últimos passos, não conseguia, não conseguia, não conseguia...
Estava prestes a me desfazer, bem ali, naquele momento... e eles veriam exatamente como eu estava destruída.
Ajude-me, ajude-me, ajude-me, implorei a alguém, qualquer um. Implorei a Lucien, parado na fileira da frente, o olho de metal fixo em mim. Implorei a Ianthe, com o rosto sereno e paciente e adorável dentro daquele capuz. Salve-me, por favor, salve-me. Me tire daqui. Acabe com isso.
Tamlin deu um passo na minha direção; preocupação cobria aqueles olhos.
Recuei um passo. Não.
A boca de Tamlin se contraiu. A multidão murmurou. Fios de seda carregados de esferas de luz feérica dourada brilharam ao tomar vida acima e ao nosso redor.
Ianthe falou, suavemente:
— Venha, Noiva, e una-se a seu verdadeiro amor. Venha, Noiva, e deixe que o bem triunfe por fim.
O bem. Eu não era boa. Eu não era nada, e minha alma, minha alma eterna, estava condenada...
Tentei fazer com que meus pulmões traidores inspirassem, para que eu conseguisse dizer a palavra. Não... não.
Mas não precisei dizer.
Trovão ressoou atrás de mim, como se duas pedras tivessem sido chocadas uma contra a outra.
Pessoas gritaram, caindo para trás, e algumas desapareceram imediatamente quando a escuridão irrompeu.
Eu me virei e, em meio à noite que flutuava como fumaça ao vento, encontrei Rhysand ajeitando as lapelas de seu casaco preto.
— Oi, Feyre, querida — ronronou Rhysand.

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