12 de janeiro de 2017

Capítulo Três

O corpo ao meu lado estava inquieto. As pernas de Wes se moviam embaixo das cobertas. Ele murmurou algo que não consegui entender. Estendi a mão, tocando seu peito. Ele se acalmou no mesmo instante. Com um simples toque. Nossa ligação era forte assim.
— Mia, minha Mia — ele suspirou.
Wes continuou a murmurar frases sem sentido. Pela janela, pude ver que o sol estava começando a surgir no horizonte. Eu tinha deixado as cortinas abertas para que a primeira coisa que eu visse quando abrisse os olhos fosse a cadeia de montanhas brancas imaculadas. Era uma vista tão diferente da Strip de Vegas ou do oceano em Malibu. Amei. Eu apreciava o fato de Deus nos dar tantos presentes sob a forma de paisagens variadas. Esta era especialmente bonita. Fiquei imaginando como seria na primavera. Tudo muito verde e exuberante. Pensei que seria divertido andar de bicicleta e caminhar por ali. Eu perguntaria a Wes sobre a possibilidade de voltarmos em uma época mais quente.
— Por favor, Mia... só... por favor.
Sua voz era um sussurro, mas dessa vez eu entendi cada palavra.
Por favor o quê? Eu me sentei e observei atentamente o meu homem. Seu peito nu estava exposto, os músculos rígidos e definidos. Ele havia ganhado peso, recuperando alguns dos quilos que tinha perdido no cativeiro. Wes malhava em casa e surfava para moldar suas formas fortes e deliciosas. Olhar para ele despertou um novo surto de desejo em mim. A área entre minhas coxas ficou molhada enquanto meus olhos se banqueteavam com seu corpo. Incapaz de me segurar, passei um único dedo pelo centro do seu peito.
Wes gemeu e virou a cabeça para o lado, como se estivesse tentando se aproximar de mim, mesmo durante o sono. Puxando o cobertor para trás, encontrei seu pau semiereto. Minha boca se encheu de água. Aquele pau era meu. Todo meu. Nenhuma outra mulher tocaria, chuparia, foderia aquele membro, apenas eu. Eu o possuía. E, ao mesmo tempo, eu pertencia a ele, eu e tudo o que vinha comigo. Não era uma troca justa. Eu não era nenhum prêmio, mas podia fazer o que quisesse com o meu homem e ele sucumbiria. Totalmente. Completamente. Desenfreadamente.
Era inebriante saber que eu tinha poder sobre os desejos de outra pessoa, que podia lhe dar prazer à vontade.
Puxando totalmente o cobertor, montei no corpo de Wes e me abaixei. Coloquei o rosto diretamente sobre seu pau nu e inspirei. O perfume masculino almiscarado atingiu meus sentidos, e eu apertei os punhos. Wes. Só um homem cheirava assim, e eu jurava que meu corpo reconhecia seu perfume. Conectados em um nível visceral, primordial. O meu corpo conhecia o seu companheiro.
Com a língua, toquei de leve a parte mais grossa de sua virilidade. O sabor salgado e rico explodiu em minhas papilas gustativas, e o calor floresceu pelo meu corpo, umedecendo ainda mais a área entre as minhas coxas. Arqueei no ar, meu sexo apertando, querendo aquele pedaço grosso de Wes bem lá no fundo... mas não ainda.
Exalei o fogo dentro de mim sobre seu pênis. Ele se agitou de maneira quase imperceptível e gemeu, seu comprimento endurecendo diante dos meus olhos. É magnífico ver a magia do corpo masculino. A excitação atinge o lugar mais prazeroso do corpo deles com uma ferocidade que não pode ser vista em nenhum outro lugar. Enquanto eu via Wes endurecer, fiquei fascinada com a beleza diante de mim. Eu nunca tinha achado que um pau pudesse ser bonito, mas o de Wes era. Mole, pendia alguns centímetros, ainda num tamanho razoável, com pelos aparados e uniformes ao redor. Ereto, porém, seu eixo era delicioso. Eu estava convencida de que o seu comprimento tinha sido construído para me agradar. Longo, grosso e mais duro que uma pedra com a simples ideia de me foder. Eu adorava isso. Às vezes os homens levam algum tempo para se animar. Wes não. Bastava eu sugerir uma escapadinha, e o homem estava pronto para me penetrar contra a parede mais próxima. Seu apetite sexual correspondia ao meu. As metades perfeitas de um todo.
Usando a língua, comecei na parte inferior do seu comprimento e lambi em linha reta até a ponta. O corpo de Wes tensionou, seus músculos abdominais mostraram os gominhos e suas mãos voaram para minha cabeça. Não parei. Acordado ou não, meu homem amava minha boca sobre ele, e eu o queria mais do que desejava respirar.
Sugando a ponta, olhei para cima. Os olhos sonolentos de Wes estavam em mim, piscando lentamente. Girei a língua ao redor da glande, apreciando o líquido claro que surgiu. Gemi quando essa gota salgada vibrou em minhas papilas gustativas.
— Você é uma deusa. Eu nunca vou me cansar de um amor como o nosso — ele falou por entre os dentes enquanto eu lhe dava prazer.
Gemi contra o seu pau e depois o engoli tão profundamente quanto possível. O que eu não pude alcançar com a boca, segurei com a mão. Sua cabeça se inclinou para trás, mas seus dedos se enroscaram em meu cabelo. Eu sabia que ele queria dar um impulso, mas estava se segurando. Eu o amava ainda mais por se conter assim. Se fosse o contrário, eu estaria me esfregando na cara dele em segundos. Algo que eu descobri que ele adorava.
Deitando sobre suas pernas, eu me rocei em suas coxas. A sensibilidade no clitóris controlava meus movimentos. Quando meu sexo molhado tocou sua pele, Wes respirou fundo por entre os dentes.
— Baby, eu quero essa boceta na minha boca. Agora.
Neguei e lambi seu eixo várias vezes.
— Sua vez. Não minha.
Ele segurou meu cabelo com força e levantou minha cabeça.
— Se é a minha vez, venha aqui e me dê a sua boceta. Eu quero o seu mel na minha língua quando eu gozar. Se vire. Agora — ele rosnou.
Envolvida demais, girei o corpo e montei em seu rosto, os joelhos apoiados no travesseiro. Os dedos de Wes deslizaram lentamente pela minha umidade.
— Puta merda. Você já gozou?
Balancei a cabeça, incapaz de falar com seus dedos me tocando.
— Você está encharcada, Mia. Quando precisar de mim desse jeito, é só pegar o que é seu. Agora me diz: do que você precisa? — ele perguntou, a boca a centímetros do meu sexo molhado.
Inspirei ruidosamente.
— Eu preciso gozar — admiti, de um jeito descarado.
— Então você vai. — Ele colocou a mão na minha coluna e a deslizou até a nuca. — Com o meu pau na sua garganta.
Sem esperar um segundo sequer, coloquei os lábios na lateral do seu pau e pressionei beijos de boca aberta da base até o topo. Ele expelia uma grande quantidade de líquido pré-ejaculatório quando cheguei à ponta. No instante em que a alcancei, ofeguei. Wes escolheu esse momento para colocar a língua em meu clitóris e chupar com força. O suspiro foi rapidamente seguido por um engasgo quando ele empurrou minha cabeça para baixo e forçou os quadris para que seu membro descesse pela minha garganta, ao mesmo tempo em que seus dedos mergulharam em meu sexo.
Meu corpo explodiu como um foguete, se contraindo e recebendo os espasmos do orgasmo. Eu me sentia como um peixe no anzol. A boca de Wes no meu clitóris me proporcionava ondas de prazer, enquanto seus dedos me seguravam e eu engasgava com seu pau. Wes, percebendo minha situação, levantou minha cabeça, me segurando pelos cabelos. Uma nova onda de eletricidade, combinada com a dor na raiz do cabelo, dedos furiosos me fodendo e o clitóris sendo sugado, gerou um novo surto de excitação.
— Mia, linda, a sua boca. Coloque a sua boca lá. Me chupe que eu vou te fazer ver estrelas de novo.
Como se despertasse de um sonho, recomecei o trabalho. Cada lambida longa em sua ereção era recebida com uma longa lambida em meu sexo. Toda vez que eu o sugava, ele fazia o mesmo em meu clitóris. Eu o tomei profundamente. Ele fez a mesma coisa com a língua na minha fenda. Num determinado momento, seus dedos agarraram minha bunda e me abriram. Ele circulou a abertura proibida com a língua e voltou para o meu centro encharcado. Esfreguei o corpo contra seu rosto, buscando mais prazer. E ele me deu — sem parar.
Segurei firme a base do seu pau duro, protelando seu orgasmo iminente.
— Que porra é essa? — ele grunhiu, e eu me afastei da sua boca, para longe do seu controle. Antes que ele pudesse me punir, encaixei meu corpo em seu pau e sentei. Nós dois gritamos. Suas mãos seguraram meus quadris e me prenderam no lugar enquanto eu o cavalgava de costas. Ficar por cima, mas ao contrário, trazia uma sensação pungente. A cada impulso, parecia que eu estava sendo empalada, mas ao mesmo tempo era surpreendentemente maravilhoso. De frente para seus pés, eu me inclinei e apoiei as mãos em suas canelas.
— Cacete — ele ofegou.
Seus dedos se apertaram ao redor dos meus quadris. Quando me inclinei para a frente, seu pau entrou tão fundo que eu mal pude respirar.
— Porra — ele grunhiu por entre os dentes.
Fiquei imóvel por alguns momentos, deixando meu corpo se ajustar à nova invasão. Eu estava totalmente despreparada para a profundidade e o ângulo do seu pau dentro de mim. Eu podia jurar que, se me inclinasse para trás, conseguiria senti-lo no estômago. Levantando os joelhos, deslizei para cima e para baixo em seu eixo, experimentando a nova sensação. Cada terminação nervosa estava acesa de energia enquanto sua circunferência me esticava e seu comprimento me penetrava, atingindo aquele ponto dentro de mim repetidamente.
— Wes... — falei, pegando o ritmo. Precisando de mais.
— É isso aí, baby, me leve bem fundo. Mais forte. Você pode mais forte — ele gemeu, seus dedos dos pés se curvando à minha frente.
Quando me acostumei com a nova sensação, uma de suas mãos deixou meus quadris, e em seguida senti algo úmido na minha entrada proibida. Wes acariciava de forma circular ao redor da pequena abertura. Perdida em seu toque, movi os quadris em círculo, mexendo seu pau dentro de mim. Quando me levantei um pouco, seu polegar começou a entrar. E, no momento em que desci com força, ele me penetrou fundo com o dedo.
— Caramba. Não sei se consigo lidar... — Tentei me afastar, mas Wes não permitiu.
— Você vai receber tudo o que eu tenho pra te dar, Mia. — Wes movia o dedo para dentro e para fora, enquanto eu o cavalgava enlouquecidamente, presa em um loop infinito de estímulos. — Um dia eu vou tomar tudo, tudo o que você tiver pra dar, e vou proteger isso com tudo o que sou. — Sua voz estava cheia de emoção. Ou luxúria. Talvez um pouco de ambos. Eu não sabia. Só sabia que ele estava ali, me preenchendo, me completando, balançando meu mundo.
— Eu te amo — falei. Então me levantei um pouco, sentei forte sobre ele novamente, inclinei a cabeça para trás e gozei, me esfregando nele sem parar. Seu polegar continuou se movendo, me estimulando por completo, forçando meu orgasmo a um ponto tão alto que perdi o fôlego.
— Ah, a sua boceta tem o aperto mais doce... — ele falou, liberando minha bunda, segurando minha cintura e metendo em mim furiosamente, até que seus quadris se levantaram e ele gozou dentro de mim com um gemido longo e satisfeito. Era demais. Sensações demais. Amor demais. Apenas... demais. Eu apaguei.
***
Acordei com os dedos de Wes tocando meu cabelo, minha cabeça descansando em seu peito nu. Lentamente, estiquei os dedos dos pés e senti dor nos músculos do abdome, das costas e das partes baixas. Na verdade, senti como se tivesse tentado montar um cavalo em movimento e tivesse falhado. Mas eu sabia que havia ganhado.
— Ah, essa é a minha garota. Você apagou.
— Por quanto tempo? — murmurei em seu peito, sem querer mover um músculo sequer.
Ele riu.
— Tempo suficiente para eu tirar você do meu pau e te aconchegar em mim. Eu não acredito que você desmaiou.
— É, bem... foi intenso — eu disse, beijando seu peito.
Wes continuou acariciando meu cabelo e passando a mão nas minhas costas.
— Foi mesmo. Por que você decidiu experimentar essa posição?
Eu meio que dei de ombros.
— Sei lá. Eu nunca tinha feito assim antes. Você me deixou louca, eu precisava de você dentro de mim. Foi mais rápido desse jeito do que se eu me virasse.
— É verdade. E foi muito bom. Adorei ver a sua bunda se mexendo em cima de mim. Além disso, me deu uma ótima vista do meu pau afundando em você. Adoro isso, baby.
— Safado! — Bati nele e sorri antes de morder seu peitoral e beijá-lo.
— Ei, continue com isso e eu vou te deixar sem poder andar — ele alertou.
Ergui a cabeça e ele balançou as sobrancelhas.
— Sério? — murmurei e voltei a desfrutar do seu corpo. Passei as mãos para cima e para baixo em seu peito, acariciando-o da mesma maneira que faria com um cachorro peludo, embora Wes não tivesse muito pelo, além da trilha de fios loiros que seguia até o seu pau. — Você acha que sempre vai ser bom assim? — perguntei.
Considerando meu histórico, eu nunca havia estado com um homem que me deixasse louca desse jeito no departamento sexo. Com Wes, eu queria o tempo todo. Dia e noite. Suado depois da academia, coberto de areia, depois de um banho de mar, eu queria o meu homem do jeito que ele estivesse. Isso não parecia normal.
Wes levantou meu queixo para olhar em meus olhos.
— Acho que, quando se está apaixonado, é sempre bom. Nosso corpo se torna uma manifestação física do nosso compromisso. Quando tudo é honesto e real, o resultado não importa. É estar juntos, ligados física e mentalmente, pra garantir que nós ainda somos um.
Sorri, me inclinei para cima e tomei sua boca num beijo lento e profundo.
— Eu quero ter isso pra sempre com você. — Eu disse essas palavras como se fossem uma promessa, garantindo que faria qualquer coisa para manter acesa a chama entre nós.
As mãos de Wes se entrelaçaram no meu cabelo.
— Baby, nós sempre vamos ter amor. Daqui a um ano, dez ou cinquenta. Eu reconheci a minha outra metade quando te vi pela primeira vez. Nada vai me impedir de fazer você ser minha pra sempre. Daqui a algumas semanas você vai ser minha legalmente, mas isso não muda o fato de você já ser minha aqui — ele apontou para o coração.
Lágrimas se formaram em meus olhos enquanto eu o ouvia professar tranquilamente seu amor e confiança em nosso futuro.
— Não, não muda. Eu sou sua. Pra sempre. — Aconcheguei-me em seu peito e pensei no futuro. Nunca tínhamos conversado muito sobre outras coisas além de ficar juntos, de eu me mudar para a sua casa em Malibu e trabalhar com o dr. Hoffman. — Como você vê o nosso futuro, Wes? — perguntei, animada e um pouco nervosa.
Eu estava falando do panorama que a maioria dos casais visualiza antes de assinar os papéis. Em duas semanas, não haveria como voltar atrás. Não que eu estivesse com medo ou algo assim. Eu sabia que minha vida tinha sido feita para ser vivida ao lado dele, mas como? Como esposa, é claro. Amiga, certamente. Mas o que mais ele via no horizonte?
Wes refletiu.
— Você está perguntando onde eu vejo nós dois daqui a cinco anos? Tipo aqueles planejamentos que a gente faz quando termina a faculdade?
Fiz uma careta.
— Eu não fiz faculdade. Quer dizer, não terminei. Mas sim, tipo isso. O que você quer do futuro e como me vê nele?
Ele apertou os braços ao meu redor, me abraçando mais forte. Seu calor me envolveu de um jeito muito gostoso. Foda-se a Disney. O peito de Wes era o lugar mais feliz da Terra.
— Bom, eu diria que no ano que vem você vai ter mais sucesso do que imagina com o dr. Hoffman. — Levantei a cabeça e vi a sinceridade em sua expressão. — Estou falando sério. Acho que o público realmente gosta de você, e os executivos da Century estão começando a descobrir a joia que têm nas mãos. Eles não vão permitir que você vá embora ou aceite outra proposta tão fácil. Então, nós vamos ter que lidar com eles.
Voltei a me deitar em seu peito, deixando-o falar.
— Eu estou louco pra fazer as coisas que os casais fazem. Churrasco no verão, convidar os amigos, fazer as refeições juntos, surfar... — Ele sorriu enquanto eu esfregava os lábios em seu peitoral duro. — Você vai trabalhar, e eu... bom, ainda não sei o que eu vou fazer — suspirou.
Sem olhar para ele, fiz a pergunta de um milhão de dólares — ou, devo dizer, de vários milhões de dólares —, que estava entre nós desde que ele voltara da Indonésia.
— E quanto ao filme?
Seus dedos apertaram minha pele momentaneamente. Não o suficiente para machucar, e sim para mostrar que isso estava pesando sobre ele consideravelmente.
Eu o senti se mover e ouvi o som de sua cabeça se mexendo na fronha de algodão.
— É difícil. Eu não tenho certeza do que é a coisa certa a fazer. Às vezes acho que devíamos abandonar o projeto em respeito às vidas perdidas. Por outro lado, aquelas pessoas morreram trabalhando no filme. Não seria falta de respeito não lançar? O dinheiro que ele pode gerar ajudaria as famílias por um bom tempo. Eu sei que muitos deles tinham filhos. Claro que eles deviam ter seguro de vida, e o contrato da produtora tinha cláusulas de indenização para o caso improvável de alguém morrer durante o projeto, mas nada substitui um ente querido. — Wes inspirou em uma lufada de ar. Sua voz falhou quando continuou. — Nós não podemos esquecê-los. Eu nunca vou esquecê-los.
Olhei para cima no momento em que uma lágrima escorreu pelo rosto dele. Movendo-me, passei uma perna sobre seu corpo, montei em sua cintura, me inclinei e segurei seu rosto para saborear as lágrimas. Beijei-as e as levei para minha boca, na esperança de ajudá-lo a carregar aquele fardo monumental.
— Você quer a minha opinião? — perguntei. Se havia algo que um cara como Wes não precisava era de conselhos não solicitados. Se ele quisesse eu daria, mas não os jogaria sobre ele como mais um fardo.
Ele limpou a garganta.
— Sim.
— Termine o filme, se puder. Doe a renda, incluindo a sua parte, para as famílias, ou então crie uma fundação para ajudar as pessoas. Acho que uma parte do problema é que você não quer se beneficiar de algo que de alguma forma provocou a morte deles. Certo?
Wes fechou os olhos. Mais lágrimas caíram. Ele assentiu rapidamente.
— Então, faça a morte deles significar alguma coisa.
Sua respiração se tornou pesada, o peito subindo e descendo rapidamente. Eu podia ver que ele estava tendo um momento difícil. No entanto, ele não me afastou nem quis trepar comigo com força para gastar energia. Em vez disso, escolheu enfrentar a dor e as emoções, o que era um bom sinal. Significava que ele estava ainda mais próximo da plena recuperação.
— Eu gosto da ideia. Criar uma fundação ou doar o dinheiro para a caridade. Uma coisa significativa para cada vida perdida. Vou conversar com o diretor e os produtores, ver o que eles acham. Todo mundo está esperando eu me manifestar, e, francamente, nem sei como abordar isso.
Sorri e acariciei seus lábios com os dedos.
— Se esconder para tentar lidar com isso não é errado. Se esconder pra sempre, sem pensar no que foi perdido, é. Eu acho que você sabe o que precisa fazer.
Wes assentiu e segurou meu rosto.
— Você é a minha luz em uma experiência muito sombria. Você sabe disso, não é?
Coloquei a mão sobre a dele, que cobria meu rosto.
— E eu vou iluminar o seu caminho. Todos os dias da minha vida.
— O meu caminho leva a você, Mia. — Sua voz era suave.
— Sempre vai levar. Agora me conta. O que você vai fazer depois de cuidar do filme? Vai voltar a dirigir?
Ele negou rapidamente.
— Não. Pelo menos não agora. Vou voltar para o que eu sei, o que me faz bem.
— Escrever? — Sorri, a esperança revestindo meu tom.
Seus olhos cintilaram na luz da manhã.
— Escrever. Eu tive algumas ideias. Completamente diferentes de assuntos de guerra.
Voltei a deitar em seu peito, encaixando a cabeça sob seu queixo.
— É? De que tipo?
— A história é sobre uma mulher. — Ele me abraçou, colocando as mãos na curva da minha lombar.
— Que tipo de mulher?
— Uma mulher bonita. Com o corpo que os homens sonham. E um coração de ouro.
— Hmmm... e?
Os dedos de Wes tatearam minha coluna para cima e para baixo, de leve, como se estivessem pintando alguma coisa.
— Ela trabalha como acompanhante.
Eu sorri.
— Ah... E o que acontece com ela?
— Ela namora um monte de homens — ele disse de forma áspera, claramente não gostando dessa parte da história.
Eu ri em seu pescoço.
— Namora?
— Ãhã. Mas se apaixona por só um deles. Sabe como é, amor à primeira vista.
— É mesmo? Com uma acompanhante, eu acho que seria desejo à primeira vista — sugeri, mas ele não me deu ouvidos.
Segurou minha bunda e a apertou. Eu podia senti-lo endurecer debaixo de mim.
— Não. Sabe, essa mulher é especial. Não é só linda, com um corpão e um coração de ouro. Ela tem um presente.
— Que tipo de presente? — perguntei, agora curiosa de verdade.
— Bem, é o dom do amor. Se um dos homens com quem ela sai receber esse presente, vai ser feliz pelo resto dos seus dias.
Levantei a cabeça e dei um beijo molhado em sua mandíbula antes de perguntar:
— E para quem ela vai dar esse presente?
— Você não entendeu?
Eu me senti um pouco confusa quando ele virou o jogo para mim.
— Achei que tivesse entendido.
Wes riu e beijou minha testa antes de terminar:
— Ela dá uma parte do presente pra todo mundo de quem ela gosta, e todos eles se apaixonam um pouco por ela.
Suspirei em seu queixo.
— Mas e o verdadeiro amor dela? Como ela pode amar à primeira vista se dá pedaços de si mesma pra todo mundo?
— É que tem um homem que dá a ela todo o amor dele. Ele está disposto a se contentar com a maior parte dela, se os pequenos pedaços que ela deu aos outros estiverem sendo cuidados. Resumindo, isso faz o mundo ficar melhor, porque esses caras levam um pedaço dela com eles. Eles espalham o amor e a alegria, tornando o mundo um lugar melhor.
A ideia parecia muito definitiva e um pouco triste. Eu podia amar um monte de gente, certamente mais do que amava quando comecei esta jornada, quase um ano antes, mas não concordava que um amor pudesse substituir outro.
— É uma bela história — comentei, com uma pitada de desconforto na voz.
— O quê? Você não acha que é verdadeira?
— Até certo ponto, sim. O conceito de que todos nós temos uma quantidade limitada de amor para distribuir é intrigante, mas eu não acho que funciona assim. Eu acredito que o amor cresce e continua crescendo com cada pessoa para quem você o dá. É como plantar uma semente. Quanto mais você rega e alimenta, mais provável é que se transforme em uma bela árvore. A partir dessa árvore, os ramos vão crescer e as folhas vão cair, mas, quando as estações mudarem, folhas novas e mais galhos vão surgir. Assim como no amor.
— Então talvez eu chame a história de A árvore do amor.
Sorri e virei seu rosto para beijá-lo.

— Nessa história sim eu acredito.

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