9 de janeiro de 2017

Capítulo Seis

Os olhos de Blaine estavam cristalinos, naquele tom esverdeado. Eram os olhos que eu mirei todas as vezes que ele me beijou, me tocou e fez amor comigo. A conversa que acabáramos de ter, que me fez querer me enrolar em posição fetal e morrer, o excitava. Meu Deus, o homem gostava de ter poder sobre as pessoas e as coisas. E era muito bom nisso.
— Então, o que você me diz?
Umedeci os lábios, tomei um gole enorme de vinho e o deixei queimar como ácido na garganta. Olhando para a água, pensei na minha situação. Eu poderia acabar facilmente com aquilo: era só transar com ele. Já tinha feito isso antes. Ele era ótimo na cama, sempre foi. Se entregava, era amoroso e preocupado com meu prazer. Se eu bebesse algumas garrafas de vinho e o deixasse fazer o que queria comigo, tudo isso estaria terminado. Encerrado. Finito.
— Se eu aceitar passar uma noite com você, vai considerar a nossa dívida paga, soltara Ginelle e deixar a minha família em paz? Inclusive o meu pai?
Os lábios de Blaine formaram um sorriso maroto. Se eu achasse que faria diferença, socaria aquela expressão em seu rosto ordinário, para que todo mundo pudesse ver quanto eu o desprezava. Ele tomou lentamente um gole do vinho e fez um “hummm”. Um arrepio percorreu minha coluna, e meu estômago se apertou. Eu costumava adorar aquele som, esperava ouvi-lo quando estava de joelhos, venerando seu pau. Agora, o zumbido suave era como um aviso antes de uma explosão. A pequena luz vermelha de laser que mirava o criminoso antes que a equipe da SWAT explodisse seus miolos, como nos filmes.
Finalmente, Blaine respondeu:
— Sim. A dívida do seu pai vai estar quitada, a sua amiga vai ser liberada ilesa, e você e a sua família vão ficar livres de nós. — Blaine olhou para meus seios e umedeceu os lábios. — Mal posso esperar para provar a sua boceta, ouvir você gritar enquanto eu uso os dentes e a língua no seu clitóris doce. Vai ser música para os meus ouvidos. — Ele respirou através dos dentes cerrados. Seus olhos estavam em chamas. Eu teria apostado todo o dinheiro do mundo que seu pau estava duro como uma rocha enquanto imaginava todas as coisas que faria comigo. O único problema era que eu não tinha a mesma reação. Suas palavras eróticas costumavam me dar tesão. Antes. Agora não mais. Sempre fui o tipo de mulher que se excita quando seu homem fala safadezas para ela, e Blaine sabia fazer isso melhor que a maioria. Era um gatilho para mim. Só que ele era o homem errado, a voz errada.
Balancei a cabeça enquanto lembranças de Wes e de mim rolando em sua cama, curtindo um ao outro de uma maneira que eu nunca havia experimentado com ninguém, surgiam em meu subconsciente. Sexo intenso, rápido e contra a parede até que nós dois ficássemos loucos. Horas usando nossa boca, beijando cada centímetro da pele um do outro. Chupando-o cada vez mais, até que meu maxilar doesse e Wes não conseguisse mais ficar duro. Por sua vez, ele vinha com tudo para cima de mim. Me proporcionava tantos orgasmos com a língua que meu corpo doía, o espaço entre minhas coxas ficava estranho sem sua boca ali, e eu praticamente desmaiava. As noites em Miami, onde tínhamos feito amor, sussurrando nosso compromisso um para o outro, prometendo o para sempre... Todas essas coisas estavam em primeiro lugar nos meus pensamentos. Tudo voltava para ele, para o homem que eu amava. E não havia nada que me fizesse quebrar aquela confiança.
Mesmo com a vida de Ginelle em risco, eu não poderia trair Wes assim. Tinha que haver outra maneira. Blaine esperava pacientemente, girando o copo de vinho entre dois dedos compridos, como se tivesse todo o tempo do mundo. Cretino presunçoso e convencido. Por que eu não notei essas características antes de me aprofundar em um relacionamento com ele?
— Blaine, eu vou precisar de um pouco de tempo para pensar. — Pisquei os cílios, paquerando um pouco, tentando desesperadamente influenciá-lo.
Suas sobrancelhas se estreitaram.
— Não. Você vai decidir agora, hoje. — Seu tom não admitia discussão. Até seu corpo se retesou visivelmente. Sua mão segurou a haste da taça de vinho com tanta força que eu esperava que o vidro quebrasse na palma da mão dele, forçando-o a precisar de pontos.
Sonhar com sua destruição não me ajudaria a descobrir como me livrar de dar o que ele queria e ainda assim salvar minha melhor amiga.
— E se eu acrescentasse uma coisinha ao meu pedido? — Brinquei com o cabelo, enrolando uma mecha no dedo. — Um incentivo para que você possa me dar um pouco mais de tempo para pensar?
Ele inclinou a cabeça e seu olhar focou o meu.
— E que incentivo seria esse, bela Mia?
— Um beijo — decidi de repente.
Uma coisa que Blaine amava, que me disse mais de um milhão de vezes quando estávamos juntos, era me beijar. Uma vez, ele chegou a ponto de dizer que poderia sobreviver apenas com meus beijos; pão e água que se danassem. Aquela era a única carta que eu tinha na manga. As outras eram um grande blefe. Se eu o beijasse e fizesse aquilo ser crível o suficiente, ele poderia gostar do desafio. Blaine apreciava uma boa caçada e gostava de curtir a expectativa de conseguir o que queria.
— Hummm, você negocia pesado, minha bela Mia. Quais são os seus termos?
— Duas semanas e você solta a Ginelle esta noite, agora, imediatamente.
Ele fez uma careta, e sua mão se transformou em um punho.
— E como eu vou saber que você não vai me deixar esperando e desaparecer?
Eu ri.
— Você me encontraria.
Seus olhos brilharam como a bola que cai na Times Square, em Nova York, sinalizando um novo ano.
— Além do mais, não daria para eu acompanhar a saúde do pops longe do hospital, nem esconder a Maddy e todos aqueles que eu amo. Eu sei exatamente como você age, e não há lugar longe o suficiente para escapar do seu alcance. Estou errada?
Ele se reclinou na cadeira e esfregou o queixo, antes de acariciar o lábio inferior com o polegar — um gesto que costumava deixar minha calcinha molhada instantaneamente. Agora eu estava seca como o deserto do Saara. Seu charme, boa aparência e gestos sensuais não causavam nenhum efeito sobre mim. Um surfista descontraído que fazia filmes e que tomou decisões bem ruins ao pisar em terras desconhecidas de um país de terceiro mundo é que fazia aquilo comigo. Agora e todos os dias. A lembrança de Wes rasgou meu coração, mas eu respirei lentamente, esfriando a tensão para não desmoronar. Uma reunião com o diabo não permitia que eu mostrasse rachaduras na armadura. Eu poderia chorar quando voltasse para o hotel, mas sabia melhor do que ninguém que nunca deveria permitir que o inimigo me visse enfraquecida. O inimigo ataca quando seus pontos fracos estão expostos. E eu nunca mais lhe daria essa oportunidade.
— Não, você não está. Uma semana.
O alívio correu pelas minhas veias. Ele cedeu. Tudo por um único beijo. Eu queria pular e fazer uma dancinha feliz, mas resolvi balançar os braços mentalmente.
— Tudo bem.
Blaine tirou o celular do bolso e eu prendi a respiração. Ele apertou alguns botões e o levou ao ouvido.
— A garota. Pode soltá-la e levá-la para casa. — Após alguns instantes, ele continuou: — Não, você não vai fazer nada com ela. Não a toque de jeito nenhum. Se eu descobrir que ela sofreu algum dano, vai ser o fim da linha pra você. Leve-a para casa dentro de uma hora. — Ele apertou um botão do telefone e o colocou no bolso da camisa. — Pronto. Sua amiga vai estar em casa em breve.
Anuí e tomei o restante do vinho. Graças a Deus. Ginelle estaria segura. Por enquanto.
— Vou aproveitar o meu beijo esta noite, quando for deixá-la. Então você vai ter uma semana para me procurar. Enquanto isso, a sua amiga vai ficar livre e nós vamos aproveitar o resto do jantar. Coma. Você vai precisar de força para tomar a sua decisão esta semana.
***
Quando chegamos ao hotel, Blaine me acompanhou até o quarto.
— Me dê a chave. — Ele estendeu a mão, com a palma aberta.
Balancei a cabeça.
— A Maddy está lá dentro com o noivo.
— Você não tem um quarto só pra você? — Ele se aproximou de mim, e eu dei dois passos para trás, até ficar colada contra a parede. Não era uma posição favorável. Eu queria estar no controle. Caso contrário, ele poderia ir mais longe do que eu teria estômago para aguentar.
— Você não vai entrar. Não esqueça o nosso acordo. Um único beijo.
Ele se aproximou, as mãos indo para a parede ao meu lado, me prendendo. Seus olhos escureceram e adquiriram um tom de mel esverdeado. Antigamente eu adorava ver a mudança de cor dos olhos dele, especialmente quando estava excitado. Agora, me sentia morta por dentro.
— Ah, bela, bela Mia. Eu sempre lembro dos detalhes de cada negociação. — Sua cabeça se aproximou, e eu podia sentir a respiração contra o meu rosto.
Fechei os olhos e pensei em Wes, que eu estava fazendo aquilo por Ginelle, meu pai, minha irmã e para ganhar tempo — a única coisa que não estava a meu favor desde que eu começara esta jornada, nove meses antes.
Os lábios de Blaine estavam quentes e úmidos quando tocaram brevemente os meus.
Wes. Me perdoa.
Com movimentos lentos, levei as mãos para a cintura dele e o acariciei até o peito duro. Ele gemeu e mordiscou meu lábio inferior. Retribuí o gesto, mordiscando o lábio superior e puxando-o para o calor úmido da minha boca. Sempre costumávamos brincar antes de chegarmos à parte boa. Blaine pressionou o corpo contra o meu, sua ereção longa e grossa em meu quadril, se encaixando. Uma das mãos se moveu para meu seio e ele o apertou. Abri a boca para protestar e então ele mergulhou nela. Sua língua não era hesitante. Não, aquele era o beijo de um amante que sabia quando dar e quando tomar. Um parceiro de dança familiar. Ele moveu a mão até minha cintura, circulou ao redor da minha bunda e puxou minha pélvis contra a sua, roçando o corpo em mim. Não pude evitar. Gemi. Não tinha qualquer tipo de alívio sexual havia mais de um mês e, mesmo odiando cada segundo, seus movimentos e a maneira como ele me tocou estavam alimentando o caminho do meu cérebro até o centro do prazer, onde Wes habitava.
De repente, eu não estava beijando Blaine. Estava devorando Wes. Levantei as mãos para segurar seu rosto liso e lambi a boca do meu homem. Degustando, provocando, apreciando a exuberância e me sentindo entorpecida com o toque furtivo da sua língua contra a minha. A imaginação trouxe o cheiro de Weston, de mar e homem, se misturando em um caos de necessidade e desejo. Pressionei os quadris e mergulhei a língua, deslizando ao longo da superfície de seu corpo, como se eu fosse uma cobra enrolada em sua presa. Wes.
— Nossa, como senti sua falta, baby — eu disse em sua boca.
Ele gemeu, e ondas de calor encheram meu corpo, me incendiando. Suas mãos estavam por toda parte, deslizando sob meu vestido, agarrando minha bunda. Ele moveu os quadris, e sua ereção pressionou perfeitamente meu clitóris. Engoli em seco e ergui uma perna, cravando meu salto alto atrás de sua coxa, obrigando-o a se aproximar.
Meus olhos se fecharam enquanto eu me esfregava no meu homem. Sentindo falta do seu toque, do seu corpo.
— Mia, você vai me fazer gozar. Me deixe entrar para que eu possa te comer direito, ou eu vou arrancar a sua calcinha aqui mesmo.
Aquela voz. Não era...
— Wes? — chamei, abrindo os olhos e piscando, afastando a nuvem de luxúria.
Blaine interrompeu a trilha de beijos que estava deixando no meu pescoço. O suor escorreu do meu corpo, o pânico se formando e umedecendo o cabelo quando ofeguei.
— Quem diabos é Wes?
Ah. Meu. Deus. Eu tinha acabado de esfregar todas as minhas partes no Blaine, contra a parede, enquanto imaginava estar com meu namorado. Meu estômago se agitou e o interior retumbou, pronto para explodir.
A porta ao lado de onde estávamos se abriu. Max nos pegou naquela posição delicada, e suas narinas se inflaram. O choque em meu rosto ao vê-lo ali, naquele momento, naturalmente revelou que eu estava em pânico.
— Fique longe dela! — Max gritou e pressionou a palma da mão contra o peito de Blaine, empurrando-o para a parede à minha frente.
Merda. Merda. Merda. Engoli a resposta perversa que meu corpo deu quando percebi que estava prestes a transar com Blaine enquanto sonhava que era Wes. Meu Deus, eu teria arruinado tudo. Wes nunca me perdoaria. Mais uma vez, aquele poço sem alma que eu chamava de estômago começou a girar como um ciclone no oceano.
Você é o Wes? — Blaine zombou.
A cabeça de Max se voltou para mim.
— Quem é esse palhaço? — Seu olhar atingiu o meu de forma dura.
— Hum... meu ex, Blaine Pintero.
Blaine arrumou o paletó, fechando o botão no centro.
— A Mia e eu temos uma história.
— Eu vou te falar. Você está prestes a ser história. — Max foi atrás dele, colocando a mão ao redor do seu pescoço em um segundo. Para um homem grande daquele jeito, ele se movia rapidamente. — Você é o filho da puta que está ameaçando a Mia?
— Ameaçando? Era isso que nós estávamos fazendo, Mia? Eu lembro que você estava desfrutando do nosso pequeno corpo a corpo há poucos minutos. Ela estava prestes a explodir como fogos de artifício no Quatro de Julho. Bastava esperar mais um minuto.
Ah, senhor.
— Blaine, não! — tentei dizer, mas perdi a chance por um segundo.
Antes que eu pudesse deter Max ou dizer qualquer coisa para interromper aquilo, o braço do meu irmão — do tamanho de um tronco de árvore — pegou impulso e seu punho atingiu o queixo do Blaine.
— Escuta aqui, seu merda. É da minha irmã que você está falando.
Max sacudiu Blaine contra a parede. Ele pendeu por um momento, mas, por fim, piscou algumas vezes antes de voltar a si. Isso seria péssimo para mim. Porra!
— Você tem um irmão? — Seus olhos se arregalaram e ele olhou para mim.
— Hum, sim. Max, solte o Blaine.
Max me ignorou completamente.
— Se eu vir você encostando na minha irmã de novo, vou te caçar e arrancar a sua pele com uma faca! — Empurrou-o contra a parede. A nuca de Blaine bateu na superfície algumas vezes, emitindo um baque surdo.
— Porra, cara! Me solta, seu anormal! — Blaine rugiu, os dentes vermelhos de sangue. Eu já podia ver seu rosto inchado. Honestamente, eu não me sentia tão mal por isso, principalmente por saber o que ele tinha feito com Ginelle e com o pops.
— Max, sério, Eu estou bem. O Blaine e eu nos entendemos esta noite. Estou bem.
— Ele vai te deixar em paz?
Blaine bufou e se endireitou mais uma vez enquanto eu levava Max para longe do meu ex e o posicionava em frente à porta do nosso quarto.
— Hum, digamos que sim.
— Eu digo que sim, meu anjo. O que eu quero ouvir é este idiota falar — ele rosnou e apertou a mandíbula. Segurei seu braço e o empurrei, tentando levá-lo de volta para o quarto, mas não consegui movê-lo. Se ele não quisesse se mexer, provavelmente eu precisaria de um guindaste para que isso acontecesse.
Blaine pegou um lenço e limpou o sangue ao redor da boca.
— Não se preocupe, grandão. A Mia e eu chegamos a um acordo, por assim dizer. Mia, eu vou deixar você com o seu, hum, irmão. — Olhou Max de cima a baixo com desgosto. — Lembre-se: uma semana. — Então se virou e apertou o botão do elevador. As portas se abriram imediatamente, e em dois segundos ele se foi.
Suspirei e me encostei no batente da porta.
Max passou a mão pelo cabelo.
— O que foi aquilo? Você estava toda derretida em cima daquele palhaço. E o Weston?
Gemi e o empurrei para que entrasse no quarto. Ele me deixou passar, mas me seguiu. Joguei a bolsa, fui para o minibar, peguei uma garrafinha de uísque, abri e tomei tudo de uma vez só.
Max se apoiou na ponta do sofá.
— Você já bebeu, agora fale. — Como se para demonstrar que não iria a lugar algum tão cedo, ele cruzou os braços.
— Nada. O que você viu não era pra acontecer. — Soprei minha testa, quente demais, e estendi a mão para outra minigarrafa de uísque. — O que você está fazendo aqui?
— Essa é uma excelente pergunta, querida. Sabe, eu estava cuidando de alguns negócios em casa, garantindo que tudo estivesse pronto para a chegada do meu filho, quando recebi um telefonema desesperado da nossa irmã. Ela falou sem parar que você estava assustada de uma forma que a preocupou. Disse que nunca tinha te visto tão chateada. Como irmão mais velho e o único que está aqui para te defender, agora que o seu homem está desaparecido, eu voltei para cá. Deixo o avião sempre pronto para quando preciso.
— Você não devia estar aqui — falei. — Tem que ficar com a Cyndi e a Isabel esperando o bebê nascer. Eles precisam de você. — Sentindo como se estivesse com o peso de esquis de neve nos pés, segui para o sofá e me sentei.
— Eu vou estar com eles. Assim que descobrir o que está acontecendo com você. A Maddy me disse que alguma coisa aconteceu e ela sabe que não é bom. Por que você não me chamou, Mia? — Sua voz estava cansada, cheia daquele tom rouco que eu tinha começado a apreciar. O volume e o timbre diziam: Eu sou um homem que se preocupa com você, que te ama e vai fazer qualquer coisa para te proteger. Eu precisava daquilo na minha vida. Especialmente agora.
— A Ginelle foi sequestrada pelos capangas do Blaine. Eles a agrediram para chegar até mim.
— Por quê? Achei que estivesse tudo certo. Mês passado você me disse que estava. Que você tinha tudo sob controle. — Sua voz era acusatória, e eu senti como se uma faca perfurasse meu coração.
A raiva ondulava ao longo de cada nervo do meu corpo. Eu me levantei e comecei a andar, precisando colocar tudo aquilo para fora.
— E estava! — gritei. — Mas aí o pops piorou. Eu não atendi o cliente deste mês.
— E...?
— No meu contrato diz que, se um homem me reservar no mês e eu faltar, tenho que pagar uma multa de cem mil dólares!
— Meu Deus, Mia! — Sua voz estava tão chateada quanto a minha, mesmo que não fosse ele que estivesse em perigo.
Eu havia lidado com toda aquela merda sozinha e estava indo bem.
— Então, como a Millie teve que pagar a multa ao cliente com o dinheiro que eu recebo, atrasei o pagamento do Blaine. Só no fim do mês que vem, depois que eu cumprir o contrato com o próximo cliente, vou poder pagar. O que significa que eu estou atrasada. E ele está provando que pode me pegar do jeito que quiser. — Lágrimas encheram meus olhos e escorreram pelo meu rosto. — Isso tudo é uma merda! — Larguei o corpo no sofá.
Max se aproximou e se sentou na mesinha de centro. A madeira rangeu sob seu peso.
— Quanto você deve?
Pisquei, deixando mais lágrimas caírem.
— Neste momento, duzentos mil.
Suas sobrancelhas se estreitaram.
— Só isso?
Balancei a cabeça.
— Não, eu devo duzentos mil agora, já. Por causa de agosto e setembro.
— Querida, quanto você deve no total? — Sua voz agora era suave, cheia de preocupação.
Meus ombros caíram, como se eu estivesse levando o valor em barras de ouro sobre eles.
— Quatrocentos mil — respondi.
— E que tipo de acordo vocês fizeram?
Umedecendo os lábios, funguei, respirei fundo e olhei em seus olhos, da mesma cor dos meus.
— Você não vai gostar.
— Meu anjo, eu já não gostei. Só me diga.
Segurando suas mãos, as lágrimas correram de novo, deslizando pelo meu rosto.
— Ou eu pago os quatrocentos, ou... — Engoli várias vezes, tentando empurrar a bola enorme da minha garganta para que eu pudesse falar, admitir a verdade do que eu tinha pensado em fazer, mas sabia que não podia.
— Ou...? — Os olhos de Max eram amáveis, e sua boca se contorceu em uma pequena careta.
— Eu. Uma noite na cama dele.
Max se inclinou para a frente e pressionou a testa na minha.
— Querida, isso só vai acontecer por cima do meu cadáver. — Ele estava firme e inflexível, cem por cento sério.
Bufei com o pensamento doentio e distorcido que passou pela minha cabeça. O que Max não sabia era que Blaine era exatamente o tipo de homem que faz isso acontecer sem um pingo de remorso.
O celular tocou na minha coxa. Eu o levava comigo o tempo todo, sem permitir que ficasse mais do que poucos centímetros longe de mim, caso houvesse notícias de Wes.
Olhei para a tela. Meu Deus. Ginelle.
— Alô, Gin? — falei, desesperada para ouvir a voz dela e me certificar de que tudo estava bem. Blaine havia prometido que ela seria libertada e deixada em casa dentro de uma hora.

— Estou em casa — foi a única coisa que ela disse antes de a linha cair.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
Encontrou algum erro gramatical ou de formatação? Comente :D