11 de janeiro de 2017

Capítulo Quatro

Uma semana depois, a equipe de filmagens chegou à cobertura de Anton ao amanhecer. Ele ainda não havia acordado. Aparentemente, Heather e ele tinham caído na farra com algumas outras pessoas da indústria da música. Ainda assim, ele me deixou usar sua cobertura para gravar o quadro e entrevistar Mason lá. Heather estava acordada, claro, parecendo uma estrela chique do rock, ainda que eu pudesse ver as olheiras sob seus belos olhos azuis. A maquiagem estava perfeita, e sua roupa, impecável como de costume.
Eu usava uma saia lápis risca de giz preta muito sexy, botas pretas de cano alto e blusa de seda branca com um laço em volta do pescoço. Uma pulseira vermelha robusta e um colar completavam o visual. Eu devia estar muito bem. Wes praticamente me atacou quando me viu arrumada de manhã. Sua ereção era prova suficiente de que ele me desejava, sem mencionar a forma como ele me puxou contra seu corpo e espalmou minha bunda com as duas mãos, se esfregando em mim feito um maníaco. Não deixá-lo me tomar contra a parede de nossa suíte exigiu cada centímetro de controle que eu possuía. Mas eu estava determinada a encerrar a gravação rapidamente, passar um tempo com meus amigos e voltar para o meu homem. Juro que a forma como Wes olhava para mim a metade do tempo era o suficiente para me deixar em chamas.
Afastando o pensamento do meu namorado nu e pronto em nosso hotel, respirei fundo para me acalmar, fechei os olhos e contei até dez. Quando os abri, me senti mais conectada com o trabalho e a tarefa que eu tinha em mãos.
A equipe se movimentava ao meu redor, montando tudo na luxuosa sala de estar, decorada com um clima porto-riquenho que imediatamente me fazia pensar em Anton. Ele tinha feito um esforço naquela sala. Eu a escolhi para gravar o quadro com ele porque refletia o homem que era — o lado pessoal, e não a pessoa pública. O cômodo demonstrava a riqueza e a diversidade colorida da cultura de Porto Rico, algo que eu sabia que era muito próximo ao coração do meu amigo.
Havia obras de artistas de seu país natal penduradas nas paredes, e esculturas de madeira feitas em sua terra. As mantas de tecido que sua mãe tinha feito foram cuidadosamente colocadas nos sofás de couro marrom. O mobiliário sugeria que o convidado deveria se acomodar e ficar à vontade. Assim era Anton. Com seus verdadeiros amigos e familiares, ele sempre estendia a mão e fazia questão de oferecer um lugar confortável para as pessoas queridas ficarem por perto.
Kathy, minha assistente de produção, veio até mim. Seu cabelo era preto e longo, chegando até o traseiro, mas eu nunca o tinha visto solto — ela o mantinha preso em uma longa trança embutida. Eu gostava muito dela. Os óculos estilo Woody Allen estavam sempre escorregando do nariz longo e pontudo. Quando ela parava diante de alguém, os empurrava para cima com a unha pintada de rosa-claro. Todas. As. Vezes.
Isso me fazia pensar se as lentes tinham grau ou se ela usava óculos apenas para combinar com o estilo hipster. De qualquer maneira eu não mencionava nada, porque ela era incrível, trabalhar com ela era um sonho. Pelo que Wes havia me falado, assistentes de produção que não são irritantes nem querem se colocar sob os holofotes são difíceis de encontrar. Ele achava que Kathy era uma alma velha no corpo de uma jovem. Eu ainda não sabia quais eram seus planos para o futuro, mas, por enquanto, esperava que ela estivesse feliz o suficiente para permanecer comigo enquanto o quadro “Vida bela” durasse no programa do dr. Hoffman.
— Srta. Saunders...
Revirei os olhos. Eu tinha dito a Kathy uma centena de vezes para me chamar de Mia, mas ela se recusava; achava desrespeitoso.
— O sr. Murphy está aqui com a srta. Denton. Mandei os dois para a maquiagem, o que surpreendeu a srta. Denton. — Kathy ajeitou os óculos no nariz, embora eles não parecessem estar caindo.
Sorri.
— Eu sei. Vamos deixá-la intrigada. Ela não sabe que o Mason planeja anunciar o noivado no programa. Parece que eles vêm mantendo isso em segredo. Só descobri a respeito recentemente, mas ele quer que o mundo saiba que está fora do mercado e não é mais um solteirão convicto.
Os olhos de Kathy se iluminaram.
— Adorei. O dr. Hoffman vai desmaiar, e a Leona — ela balançou a cabeça à menção da chefona do programa — vai querer beijar os seus pés. — Ela riu, colocou a mão sobre a boca e olhou ao redor, como se tivesse medo de que alguém pudesse tê-la ouvido falar de forma pouco profissional.
Descansei a mão em seu braço.
— Kathy, somos apenas você e eu. E você está certa. A Leona vai rir feito louca quando o anúncio for feito no programa. Às vezes é bom ter amigos importantes, né? — Cutuquei seu ombro, e suas bochechas ficaram vermelhas quando ela concordou. — Você sabe se a sala de TV está pronta? Com o Anton indisponível por pelo menos mais duas horas, eu gostaria de prosseguir com o Mason.
Ela assentiu, teclou em seu dispositivo eletrônico com um dedo e franziu os lábios.
— Vou checar. Deve estar pronta no momento em que eles saírem da maquiagem.
Caminhei pela casa, verificando os lugares que tínhamos escolhido para gravar diferentes partes do quadro. Wes e eu decidimos que trabalharíamos juntos para fazer o máximo possível nessa viagem, porque precisávamos que ela valesse o conteúdo de um mês inteiro. Dessa forma, eu teria o final de novembro e dezembro inteiro livres para estar com a minha família.
Max tinha deixado claro que, se as duas irmãs não fossem para o rancho, no Texas, para o feriado de Ação de Graças, ele ficaria magoado. Claro que Maxwell era muito machão para dizer isso assim, mas definitivamente deu a entender que ficaria radiante se pudéssemos ir. Com os hormônios descontrolados por causa do bebê, Cyndi deixou muito claro que seu marido ficaria arrasado se Maddy e eu não pudéssemos ir. Além disso, eu queria desesperadamente conhecer Jackson, meu primeiro sobrinho. Sem mencionar que o fato de o meu irmão ter pagado milhares de dólares da dívida do meu pai para salvar a minha pele e a da minha melhor amiga, em setembro, me fazia pensar que ir visitá-los no feriado era o mínimo que eu podia fazer.
Encontrei Mace e Rachel em um dos grandes banheiros de hóspedes. O lugar era enorme! O fato de Anton ter um apartamento tão grande na cidade só para ele e Heather me deixava pasma.
Rachel e Mason estavam sentados de frente para o grande espelho sobre as pias duplas.
— E aí, gente. Preparados para as câmeras?
Os olhos de Rachel se estreitaram.
— Sim, mas por que eu estou sendo maquiada?
Tentei me fazer de boba e dei de ombros, com indiferença.
— Só para o caso de precisarmos fazer uma panorâmica pela casa, ou se quisermos te fazer uma pergunta ou duas. — Sem querer estragar a surpresa, me virei para Mace. — Trate de parecer sexy para as câmeras, bro. — Soquei seu braço com tanta força quanto possível.
— Ai! — Ele se encolheu e esfregou o braço. — Eu também te amo, Mia. Viu como ela me trata, Rach? Sem nenhum respeito. Eu devia contar na entrevista alguma coisa bem nojenta sobre o mês que passei com ela. Tipo... — Ele coçou o queixo, fingindo pensar a respeito. Estalou os dedos e apontou para meu reflexo no espelho. — Tipo que ela tirou meleca do nariz e limpou na parede da minha casa. — Sorriu como um louco.
Meus olhos quase saltaram das órbitas.
— Isso é mentira! Você não faria isso!
Seus olhos se estreitaram.
— Ah, faria, sim. Não me provoque, briguenta. — Ele esfregou o braço, que não podia estar tão dolorido. Seu melhor amigo, Junior, já tinha lhe dado socos muito mais fortes em várias ocasiões.
— Fracote! — respondi, sem me importar com as consequências.
— Parem com isso, vocês dois. É hora de levar as coisas a sério — disse Rachel. Ela teria soado muito mais poderosa se não estivesse com a boca franzida como um peixe enquanto o maquiador aplicava gloss. — Mia, você está com as perguntas prontas? Eu gostaria de ver.
Ah, merda. Isso não era bom. Tentar esconder alguma coisa da relações-públicas dele não era exatamente fácil. Olhei para Mason, e suas sobrancelhas se arquearam.
— Hum, sim, mas, hum... — Tentei pensar em qualquer coisa que eu pudesse dizer para disfarçar, para evitar que ela visse as perguntas que eu planejava fazer ao Mason.
— Rach, baby, eu já aprovei as perguntas — Mason veio em meu socorro.
Os olhos dela nos fuzilaram.
— Você o quê? Esse é o meu trabalho. Eu não acredito que você fez isso.
— Baby... — Ele estendeu a mão e segurou a dela. — É a Mia. Ela não vai perguntar nada constrangedor, e você estava ocupada com aquele babaca das bebidas PowerStrong. Lembra?
— Ah, aquele cara era um mala. Acredita que ele queria que você fosse porta-voz da segunda linha deles de graça? E não era nem para caridade. — Ela balançou a cabeça e seu rosto ficou vermelho de irritação. — Eles se acham importantes o suficiente para não precisar pagar pela campanha. Idiotas — ela sussurrou baixinho.
Certo, essa foi a minha deixa.
— Bom, a gente se vê na sala de TV. Pessoal, quanto tempo até eles estarem prontos?
— Uns cinco minutos — um dos maquiadores disse enquanto arrumava o cabelo de Mason, deixando-o com uma aparência estilosa e descolada.
— Aqui também — disse o outro. Ele pegou um grande pincel e começou a aplicar pó no rosto de Rachel para finalizar o trabalho.
— Tudo bem, vamos colocar o microfone em vocês. — Kathy fez um gesto com a mão na direção do hall, onde a sala de TV se localizava e onde eu planejava gravar primeiro.
***
— Olá. Sejam bem-vindos a um segmento muito especial do “Vida bela”, chamado “Seja grato”. O convidado de hoje é ninguém menos que o jogador profissional de beisebol Mason Murphy. — Eu me virei para olhar para ele, sentado na namoradeira de couro de frente para mim, totalmente relaxado. — Mason, obrigada por estar conosco hoje.
— Qualquer coisa por você, gata. Você sabe disso. — Ele piscou.
Eu sorri e me inclinei para trás.
— Continua um conquistador, pelo visto.
— Só pra você. Desde que você partiu o meu coração.
Esta parte, em especial, eu não esperava. Claro, o público achava que eu tinha namorado Mason Murphy em abril.
— Eu não parti o seu coração. Você é terrível.
Ele sorriu.
— Não, nós somos apenas bons amigos.
— Isso mesmo. E, como bons amigos, eu gostaria de compartilhar um pouco o lado de Mason Murphy que os seus fãs e os fãs do programa do dr. Hoffman ainda não conhecem. Está dentro? — provoquei.
— Manda ver. — Ele se recostou, os braços abertos sobre o encosto da namoradeira, uma perna apoiada sobre a outra. Sua pose demonstrava que ele estava confortável. Exatamente o lado que queríamos que o mundo visse. Com essa parte eu sabia que Rachel concordaria.
— Certo, minha primeira pergunta é: Quais são os seus planos para o feriado de Ação de Graças?
Ele passou a mão pelo queixo robusto e sorriu.
— Vou ficar com a família. Os meus irmãos e o meu pai adoram o feriado, e nós fazemos o possível para estar juntos sempre que dá.
— Que ótimo.
— É, mas o melhor é que dessa vez eu vou levar a minha noiva.
Meus olhos se iluminaram como luzes de Natal e seguiram os dele, quando Mason olhou na direção de Rachel, que estava de queixo caído.
— Você está anunciando que está comprometido? — perguntei, me inclinando, como se estivesse ouvindo o segredo pela primeira vez.
Mason assentiu.
— Sim, senhora. Bem, você já sabe disso. Foi você quem nos juntou! — Ele riu.
— É verdade, mas você sempre foi muito discreto sobre os seus relacionamentos desde que nós dois namoramos, em abril. O público deve estar surpreso com essa informação. Eu quase posso ouvir corações se partindo em todo o país enquanto conversamos.
Ele bateu no joelho e tossiu, com o punho fechado sobre a boca.
— Acho que está na hora de o mundo descobrir que eu estou comprometido de verdade. — Suas palavras foram confiantes e atrevidas, como de costume.
— Bem, pessoal. Vocês estão ouvindo aqui em primeira mão. E, como uma surpresa especial, Mason Murphy vai apresentar a sua noiva ao mundo depois dos comerciais. Fiquem ligados!
— E corta! — disse o diretor.
Pulei e gritei.
— Isso é fantástico! — Procurei Rachel no meio da equipe para ver como ela estava reagindo. — Rach, venha aqui. Venha se sentar.
Ela estava parada num canto, observando com nervosismo. Eu diria que ela não tinha gostado do início do quadro, porque dava para sentir a tensão que irradiava daquele lado da sala. No entanto, Mace e eu concordamos que era hora de fazer o mundo enxergar que o tempo que passamos juntos não foi grande coisa e, mais ainda, que ele estava cansado de manter o relacionamento dos dois em segredo. Claro que havia boatos de que ela era sua namorada, mas eles nunca confirmaram. As revistas de fofocas conseguiram algumas fotos deles juntos, mas nenhuma palavra oficial tinha sido dada até agora. Era fácil despistar a imprensa com a desculpa de que era uma reunião com sua relações-públicas.
— O que você está fazendo? — Ela segurou a mão de Mason quando ele a puxou para se sentar no sofá ao lado dele.
— Estou cansado de fingir. Você vai ser minha mulher no ano que vem. Eu quero que o mundo saiba. Não quero mais esconder a gente. Não tem mais por que negar. Estou cansado de tudo isso. Um novo ano está chegando, e eu quero passar a próxima temporada com todas as mulheres do mundo sabendo que eu sou seu. Melhor ainda, quero que todos os homens saibam que tudo isso — ele passou a mão nas costas dela de forma sugestiva, mas não inadequada — é meu.
Ela balançou a cabeça.
— Não sei o que pensar.
Rachel mordeu o lábio, claramente preocupada com a maneira como os fãs de Mason iriam lidar com essa nova informação sobre sua vida pessoal. Ele sorriu e passou um braço em volta da cintura dela, puxou-a para seu lado e beijou sua bochecha.
— Bom, eu sei. Vamos lá, Mia.
— Pode deixar, Mace.
As câmeras foram ligadas novamente, e o operador estendeu a mão, contando de um a cinco.
— Bem-vindos de volta ao quadro especial “Seja grato”. Estou aqui com Mason Murphy, recentemente eleito o melhor arremessador da história do beisebol, que tem algo para compartilhar com o nosso público. Mason, você pode apresentar a bela mulher sentada ao seu lado? — pedi.
O cinegrafista se moveu e os holofotes brilharam sobre meus amigos.
— Claro. Esta é a minha noiva, Rachel Denton. Ela é a minha relações-públicas e trabalha na empresa responsável pela minha publicidade. Acho que ela deve estar muito brava com nós dois, que conspiramos pra fazer esse anúncio agora, sem ela saber, mas não me importo.
Eu ri.
— Não fique chateada, Rachel. O Mason queria te fazer uma surpresa.
Ela sorriu e suas bochechas ganharam um tom rosado quando Mace apertou seu ombro.
— Então, Mason, o país todo sabe que você ficou sozinho por um bom tempo. Como se sente por ter encontrado a mulher sortuda ao seu lado?
— Sabe, Mia, eu me sinto grato. A Rachel é a tampa da minha panela. Não vejo a hora de poder chamá-la de minha mulher.
Umedeci os lábios e observei enquanto Mason encantava o mundo e a sua garota em uma entrevista que seria transmitida em rede nacional.
— Certo, Mason, você soltou uma bomba tão grande que tenho certeza de que todas as mulheres do mundo devem estar chorando neste momento. Agora vamos voltar ao assunto do programa. Nós queremos saber pelo que os nossos amigos famosos são gratos. Você já mencionou a sua noiva, com o que eu concordo plenamente. Ter a Rachel na sua vida é algo para ser grato! Mas o que mais?
Mason se ajeitou e apertou os lábios.
— Bons amigos, meus fãs, o time, o esporte como um todo. Eu não estaria onde estou hoje se não fosse apaixonado por beisebol. Acima de tudo, porém, eu sou grato pela minha família: meu pai, irmãos e sobrinha. Além da Rachel, eles são o meu mundo.
— Obrigada, Mason, por compartilhar a notícia do seu casamento com os nossos espectadores. Desejo a você e à Rachel um casamento longo e feliz.
— E você? — ele perguntou, com as câmeras ainda gravando.
Olhei ao redor da sala e de volta para Mason, que exibia um enorme sorriso babaca. O mesmo que eu já havia me oferecido para arrancar daquele belo rosto diversas vezes.
— Hum, o quê?
A boca de Rachel se retorceu em um sorriso sarcástico. Sim, esses dois definitivamente foram feitos um para o outro. Petulância se casando com ironia.
— Me corrija se eu estiver errada, mas acredito que este anel no seu dedo seja de um estilo muito específico — Rachel disse, tão doce quanto uma torta de maçã.
— Isso, Mia. Compartilhe a sua novidade com o mundo! — Mason pediu.
Ah. Meu. Deus. Esse cachorro. Me colocando na berlinda!
De repente comecei a suar e senti a umidade em meu cabelo, enquanto as luzes brilhantes me faziam sentir como se estivesse sendo interrogada pela polícia.
— Hum... — Sorri, olhei para minha aliança e não consegui sequer cogitar negar a melhor coisa que já tinha acontecido comigo. Então, enquanto pensava em como responder, tentando colocar o pânico sob controle e, pelo menos, parar a câmera para regravar o final, olhei para cima, como se uma corda invisível puxasse meu queixo. O ar na sala ficou tão carregado que eu tinha certeza de que, se tocasse em qualquer superfície, sentiria um choque. Meus olhos encontraram aqueles que eu planejava mirar pelo resto da vida.
Como se aquilo fosse uma deixa, Wes entrou no enquadramento e estendeu a mão para mim. Eu a segurei e ele me puxou para cima. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele colocou a mão no meu rosto e a boca sobre a minha. Me beijou com força, de forma decidida. Não foi um beijo molhado, mas o que faltava em calor foi compensado com toneladas de amor. Tudo isso com as câmeras gravando.
— Oi, linda — Wes disse, os olhos verdes repletos de humor. Ele usava uma bela calça social, camisa branca engomada e blazer de veludo. Estava delicioso.
— Hum, pessoal — inspirei e olhei para a câmera, um pouco atordoada —, este é Weston Channing, meu noivo. — Sorri como uma doida.
Wes torceu os lábios, prendeu os dedos nos meus e acenou para a câmera com a outra mão. Cheio de classe.
E foi aí que eu praticamente perdi todo o controle do meu próprio programa.
— Isso está ficando interessante — disse Mace. — Conte para nós, Mia, pelo que você é grata este ano?
Eu não poderia desviar o olhar do homem que eu amava nem se meu corpo estivesse em chamas.
— Wes. — Suspirei. — Tenho tanta coisa para ser grata. Minha irmã, meu irmão, meu pai, minha melhor amiga e todos os novos amigos que ganhei e que me fazem sentir amada onde quer que eu esteja. Realmente, acho que é por isso que eu sou grata este ano. Pelo amor. Em todas as suas formas.
— Eu te amo, Mia Saunders, e não vejo a hora de me casar com você — disse Wes, claro como o dia, com uma câmera do tamanho de uma geladeira bem na frente do nosso rosto. Todos os paparazzi acampados ao redor da nossa casa em Malibu, nos escritórios da Century Produções, brigando por qualquer pedacinho de informação sobre Wes e seu sequestro, sobre os milhões gastos com o filme que estava sendo gravado, mas que atualmente se encontrava paralisado, sobre Gina DeLuca e tudo o mais, ficariam extremamente chateados pelo fato de aquela informação ter sido divulgada em meu programa, e não em suas revistas de fofocas.
Não bastasse todo esse drama, o quadro estava programado para ir ao ar na sexta-feira, o que significava que não só o mundo inteiro saberia que nós estávamos noivos como seus pais descobririam também. Teríamos de contar a eles logo que saíssemos dali.
Wes me virou para as câmeras. Voltei para a realidade no meio do programa. Encerrei a gravação gaguejando, mas tentei estar bem o suficiente para que não fosse necessário regravar. De jeito nenhum eu passaria por tudo aquilo duas vezes.
— Agradecemos novamente o nosso convidado, Mason Murphy, e sua noiva, Rachel, por compartilharem as novidades conosco. Tenho certeza de que posso falar em nome do dr. Hoffman quando digo que vocês são bem-vindos ao programa quando quiserem fazer um anúncio. — Olhei para a câmera e sorri. — Bem, pessoal, sejam gratos por suas bênçãos, porque elas são muitas. Eu sei que as minhas, com certeza, são. — Com isso, passei os braços ao redor do homem dos meus sonhos, colei a testa na dele e ouvi o diretor dizer “corta”, pouco antes de os lábios de Wes selarem os meus.

O meu homem tinha me assumido em rede nacional. Como alguém declara o seu amor depois disso?

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