7 de janeiro de 2017

Capítulo Oito

As ondas quebravam contra a prancha, a água batia no meu rosto, e eu não poderia estar mais feliz. Wes e seus músculos tonificados remaram para longe como uma máquina, com a intenção de pegar a onda. Em uma fração de segundo, ele estava de pé, cortando a água. Segui seu exemplo e, pasme, peguei minha própria onda, só que muito menor. Ainda assim, me senti incrível. Juntos, nós dois surfamos em direção à praia.
Enfiei a prancha na areia enquanto Wes vinha surfando até a beira da água. Ele colocou a prancha embaixo do braço musculoso e veio em minha direção. Sua mão deslizou em minha nuca e seus lábios cobriram os meus. Línguas e dentes rangeram enquanto o beijo se tornava mais indecente. A mão que não estava em mim soltou a prancha na areia e segurou meu traseiro coberto de neoprene, apertando num ritmo constante. Com um grunhido, ele se afastou e sacudiu o cabelo, fazendo gotas salgadas voarem. A água pingava daquele peito musculoso enquanto ele abria o zíper e deixava a parte de cima da roupa de borracha cair em volta do corpo bronzeado. Eu queria pular em cima dele enquanto observava como era gostoso. Meu Wes, lembrei.
— Alguém parece gostar do que está vendo. Continue assim, linda, e o seu traseiro vai bater na areia e o meu pau vai afundar em você.
Emoções, calafrios e sinos ressoaram ao meu redor quando respondi à promessa inebriante, nem um pouco alarmada com o plano. Mais que isso: eu estava pronta para dar os próximos passos e conferir se aquele aviso se concretizaria.
Wes sorriu como um menino quando ganha uma garota. Definitivamente ele havia ganhado essa garota aqui.
— Você está de folga hoje, né?
Assenti.
— Sim, eu disse ao Anton que precisava de mais um dia, mas amanhã tenho que ensaiar. Vamos gravar o clipe no dia seguinte.
Wes passou um braço em volta dos meus ombros.
— Então você é toda minha. — Em vez de admitir quanto aquilo era verdade, que eu realmente era dele, apenas sorri, muito feliz por estar acomodada na curva do seu braço enquanto caminhávamos pela areia.
— Vamos voltar para o apartamento? — Nem pensei em bancar a tímida; minha intenção era clara. Estive longe de Wes, aproveitando os prazeres da carne com Tai e Alec depois de deixá-lo, mas não era a mesma coisa. Amor nunca esteve envolvido. Com os outros caras, foi divertido. Significativo, sim, uma parte da minha jornada, com certeza. Com Wes, porém, era... mais.
Ele pegou sua prancha e depois a minha. De fato, o cavalheirismo não estava morto. Voltamos para a tenda na praia e guardamos pranchas e trajes de banho. Vesti o short de brim, a camiseta regata e calcei os tênis Converse. Ele estava de bermuda cargo, mocassim e camiseta, e apertou minha mão quando terminei de prender o cabelo em um coque alto bagunçado.
Wes havia alugado um Jeep aberto, 4 x 4. Ele pôs o carro em movimento, com uma mão na minha coxa nua, como se estivesse me lembrando de que ainda estava lá. Me deu um grande sorriso e se concentrou na Ocean Drive. Decidi que era melhor absorver o sol e o calor de Miami e aproveitar o fato de ser jovem e estar apaixonada. Não era um sentimento novo, mas era a primeira vez em muito tempo que eu tinha alguma fé ou desejo de que aquele sentimento me preenchesse, rugindo em minhas veias e envolvendo meu coração.
Dirigimos até um caminho que levava a uma enorme mansão.
— Onde estamos? — perguntei quando ele saiu do carro, deu a volta e abriu minha porta. Peguei sua mão e desci, erguendo os óculos de sol para observar os jardins exuberantes, assim como a arquitetura histórica do edifício.
— Villa Vizcaya. Fazia tempo que eu queria vir aqui. Fiz umas pesquisas sobre este lugar e acho que pode ser perfeito para um filme em que estou trabalhando.
Ele segurou minha mão e nós entramos. Assim que resolvemos as exigências turísticas com a equipe, tivemos autorização para percorrer a casa e os jardins. Wes me levou por todas as salas. Eu mal pude absorver tudo. As coleções de arte e os quartos eram absurdamente suntuosos, adequados para um rei viver ali. Quem saberia que aquele tipo de lugar existia, além dos domínios dos exorbitantemente ricos e famosos? Então, a ficha caiu. Merda. Wes era rico e famoso. Eu não conseguia lembrar se ele era só milionário ou bilionário. Não que isso importasse para mim. Dinheiro só era bom para proporcionar o necessário para viver e um pouco mais para se divertir. Eu não precisava de uma quantidade colossal para ser feliz. Só o suficiente para pagar a dívida do pops e seguir em frente com a minha vida.
Wes não falou por um longo tempo, e nós observamos a opulência e a história, prestando atenção nos detalhes que os designers haviam colocado em algo tão único. Cada quarto na mansão era especial à sua maneira, estabelecendo o fundamento da vida em família. A propriedade havia sido doada para o condado de Miami quando os donos morreram, e era muito bem cuidada. O espaço rendia dinheiro ao município e era um local onde as pessoas se casavam, filmes eram gravados e a população se deslumbrava com a riqueza extrema dos proprietários anteriores. Havia uma vibração mágica e irreal, como só os lugares de extrema opulência têm. Como um castelo teria, eu imaginava.
— Você me levaria a um castelo? — Eu estava passeando pelo corredor. A coleção de arte do Vizcaya era de valor inestimável. Algumas obras datavam do Renascimento.
Ele ergueu o queixo, fechou os olhos e então os abriu, como se estivesse apagando algo de sua visão.
— Claro. Tem alguns castelos incríveis na Alemanha. Nós podemos planejar uma viagem.
Simples assim. Nós podemos planejar uma viagem. Para a Alemanha. Era assim que um por cento da população vivia. O mais longe que eu já tinha ido era o Havaí. Jamais ganhara dinheiro suficiente para pagar passagens internacionais.
— Não é supercaro? — Tentei esconder a ansiedade que senti com o simples “podemos planejar uma viagem”.
Ele encolheu os ombros.
— Não para mim. É uma mixaria, linda.
Uma mixaria. Fazer uma viagem para a Alemanha era uma mixaria para alguém com a conta bancária de Wes. Merda. Mais cedo ou mais tarde nós teríamos de conversar sobre sua riqueza ultrajante e a minha falta dela. Suzi, minha moto esportiva, era a coisa mais cara que eu tinha, e nem chegava perto do preço de um Honda Civic usado.
Respirei fundo e apertei sua mão com mais força. E bem ali prometi a mim mesma não permitir que o dinheiro ficasse entre nós. Se ele quisesse gastar com uma viagem à Alemanha, saberia o que podia pagar e o que não podia. Castrar o meu homem não era absolutamente algo que eu faria, mas eu queria ter uma conversa a respeito quando tudo aquilo acabasse.
Passamos por um conjunto de portas francesas, e esculturas intricadas de gramado e vegetação se estenderam à nossa frente.
— Esta é a antiga propriedade do empresário James Deering, da Deering-McCormick International Harvester — Wes finalmente falou.
Aquilo não significava nada para mim, mas escutei e assenti. Ele obviamente curtia a história do lugar, e, tive de admitir, me senti como se tivesse entrado no livro O jardim secreto, o que era uma sensação muito legal.
Wes parou na frente de uma escadaria que levava para um dos muitos jardins.
— A propriedade Vizcaya inclui os jardins renascentistas italianos, um bosque de paisagem nativa, além das dependências das vilas históricas originais em torno do complexo. Magnífico, não é? — ele perguntou enquanto caminhávamos lado a lado.
Os jardins eram definitivamente mágicos, e o condado devia gastar uma fortuna para mantê-los. Tudo era aparado com capricho, em detalhes impecáveis. A maioria eram intrincados desenhos que lembravam labirintos, bem como rendas campestres. Wes apontou para uma área.
— A paisagem e a arquitetura foram influenciadas por modelos renascentistas do Vêneto e da Toscana, e projetadas no estilo revival mediterrâneo, com elementos barrocos. Paul Chalfin foi o diretor de design — ele explicou.
Respirei fundo e senti muitos aromas florais combinados com o de grama recém-cortada.
— É realmente lindo.
De mãos dadas, caminhamos bastante até encontrar uma estranha cachoeira. Havia uma série de degraus dos dois lados, com vasos gigantes em cada nível de inclinação. A água caía sobre o centro da pedra e o concreto. Musgo e minerais coloriam os blocos de um laranja vibrante e de verde conforme a água deslizava para cada nível.
Wes me posicionou naquele pano de fundo, deu alguns passos para trás e levantou o celular. Sorri e ele tirou uma foto.
— Quero me lembrar disso, linda — ele murmurou enquanto me segurava em seus braços e beijava o ponto logo abaixo da minha orelha. A excitação alcançou meus nervos, trazendo a sensação vertiginosa de volta à superfície. Abri um largo sorriso, e, antes que eu pudesse impedi-lo, Wes fez uma selfie de nós dois.
— Eu quero essa foto! — anunciei, e ele me abraçou enquanto continuávamos a caminhada, só que dessa vez nossos corpos se tocavam do ombro ao quadril. Eu não poderia ter desejado nada melhor.
Paramos em frente a uma estrutura retangular.
— Está vendo isto? — ele apontou, animado.
— Hum, sim. É enorme.
— Foi destaque no Homem de Ferro 3! Tire uma foto minha aqui na frente.
Eu ri, peguei seu celular e ele ergueu os braços para a frente, numa pose de super-herói.
Tirei a foto.
— Você é tão bobo! — Sorri e ele me puxou mais uma vez para seus braços.
— E você adora. — Seus olhos verdes brilharam, e seu rosto se suavizou em uma expressão de serenidade e alegria. Aquele era o rosto que eu queria olhar para sempre.
— Eu te amo — falei.
Ele respirou fundo.
— O que essas palavras fazem comigo... Meu Deus, Mia, eu não consigo nem descrever. Só sei que tenho muita sorte de ouvi-las. Sinto que esperei a vida inteira para ouvir isso.
Bati em seu peito de brincadeira.
— Você só me conhece há seis meses. — Saí do seu abraço, balançando os quadris de um lado para o outro, fazendo um showzinho, tentando desesperadamente aliviar o momento intenso. — Vamos. Ainda temos um milhão de quilômetros de grama para percorrer.
Ele me alcançou quando peguei o ritmo.
— Você é inacreditável.
Dei uma batida em seu quadril e ele cambaleou.
— É melhor você acreditar! É tudo real.
Wes estendeu a mão para mim de novo e me puxou para perto.
— E toda minha. — Então ele me beijou. Não foi um beijo suave. Nem forte. Foi um beijo completamente demolidor, prolongado e do tipo que inicia o sexo, que me fez ofegar, gemer em sua boca, agarrar seu cabelo e puxá-lo para perto. Eu queria mais e não importava onde estávamos. Só importava o que ele me desse. Naquele momento.
— Eu quero você... — sussurrei entre lambidas e chupadas doces e entorpecentes naquela boca suculenta.
Ele sorriu, e eu pude sentir seu sorriso contra meus dentes, sua mão presa no meu cabelo.
— Eu sei — ele sussurrou e me puxou, apertando minha mão. — Vem. Como você disse, temos um milhão de quilômetros de grama para percorrer, e eu quero te levar de volta pra te devorar.
Segui, um pouco atordoada e um pouco irritada pelo fato de a brincadeira ter acabado, mas igualmente antecipando mais brincadeiras para quando chegássemos em casa.
— Onde é a saída?
Ele inclinou a cabeça para trás e riu, um som profundo, gutural, que eu adorava. Wes dava boas risadas. Claro, ele era bom em tudo.
— Em breve, baby. Esperar pela festa, linda, torna tudo mais intenso. Nós temos a noite toda pela frente.
Mordiscando os lábios, zombei:
— Mas um de nós tem que trabalhar amanhã e quer que o seu homem a deixe esgotada hoje à noite. Não a arrastando por caminhos intermináveis e vegetações encantadoras, e sim invadindo o jardim dela. — Mexi as sobrancelhas sugestivamente.
— Sua pervertida!
— Isso mesmo. Não há descanso para os pervertidos. Então vamos lá, me deixe cansada. — Sorri e ele me carregou no colo e me girou. Foi divertido. Foi leve. Éramos Wes e eu.
***
No instante em que as portas do elevador se fecharam, ele estava em cima de mim. Suas mãos passeavam por todo o meu corpo, sua língua em minha boca. Reivindicando, consumindo, devorando. O corrimão do elevador bateu em minhas costas e eu gemi e estremeci. As mãos de Wes tatearam atrás de mim até encontrar a barra de ferro, então deslizaram pela minha bunda para, prontamente, me levantar. Fiquei feliz com aquilo, por duas razões: primeiro, o corrimão não estava mais fazendo um buraco em minha coluna, e, segundo, isso deixou seu pau exatamente onde eu queria, pressionando com força o meu clitóris. Era selvagem, depravado e exatamente o que eu precisava.
As portas se abriram, o que deveria ter interrompido a exibição muito pública e evidente de afeto, mas não percebemos até que o som de risos tirou Wes da névoa em que estava. Ele se afastou dos meus lábios e se deu conta das duas pessoas que estavam ali: Anton, segurando a porta do elevador aberta, e Heather, com a mão na boca para tentar conter o riso.
Lucita... — A voz de Anton estava repleta de humor. Então ele olhou para Wes. — Suponho que você seja o homem da vida dela. — Sua voz era suave e muito doce. Seus olhos dançaram com alegria, e os lábios franziram em um bico. — Que bom que você finalmente apareceu. Pelo menos você pode encostar nela.
Ele observou a cena diante de si, nem um pouco desconcertado. Era como se ele visse aquele tipo de coisa todos os dias. Conhecendo Anton e sua queda por mulheres — uma grande quantidade delas, na cama ou fora dela —, dava para entender por que aquilo não o incomodava.
Heather acenou histericamente, meio metro atrás de Anton. Wes fez um barulho desconfortável no fundo da garganta, que soou como uma mistura de rosnado e de namorado irritado. Eu ri e desenrolei as pernas de sua cintura. Ele me deixou descer, mas não me permitiu ir muito longe, provavelmente porque estava duro. E por duro eu quero dizer uma enorme ereção, pronta para entrar em ação. Fiz beicinho, sentindo falta dele contra mim, tanto quanto acho que ele sentiu a minha.
Os olhos de Wes se estreitaram para meu cliente ao estender a mão, e saímos do elevador. Anton apertou a mão estendida.
— A Mia não disse que você vinha, mas imagino que, depois que aquele cabrón a atacou no mês passado, você precisava ver a sua garota. Você tem o meu respeito, cara. Um respeito insano. — Ele deu um tapinha nas costas de Wes.
— O quê? Que cara? A Mia foi atacada?
Anton virou o rosto. A merda estava prestes a bater no ventilador. Tentei fazer sinais com a mão, levantar placas luminosas, acenar, mas nada o impediu. Ele agarrou Wes pelo ombro.
— Ah, fica frio. O segredo está seguro comigo. Mas o lance de não tocar é uma merda, cara. Ela é linda, e os homens querem colocar as mãos nela, mesmo que de uma forma amigável, sabe? Bem... — ele sorriu apontando para o elevador — você com certeza sabe. — Deu uma piscadinha. — Aquele canalha que tocou nela sem autorização a mandou para o hospital. Você deve ter ficado loco, hein?
Wes ficou paralisado, seus olhos se estreitaram e suas mãos se transformaram em punhos esbranquiçados. Ele lançou um olhar em minha direção.
— Você foi atacada? Um homem te mandou para o hospital? A porra de um cliente? — O jeito calmo como ele perguntou foi muito assustador, pois estava cheio de veneno. — Mia. Me responde.
Fiquei imóvel, com lágrimas nos olhos.
— Não foi tão ruim assim — sussurrei.
— Esse cara também tentou encostar em você sem autorização? — ele apontou o polegar por cima do ombro, na direção de Anton, obviamente interpretando de maneira errada o que ele quis dizer.
Meus olhos se arregalaram e eu abri a boca para falar, mas meu rosto demonstrou que havia algo errado, então Wes se virou e segurou Anton pelo pescoço.
— Você encostou nela, porra? — Wes bateu o corpo dele uma vez contra a parede. Anton se recuperou rapidamente e colocou as mãos nos antebraços de Wes. Eu temia que ele fosse começar uma briga, mas não o fez. Anton ficou imóvel e permitiu que Wes o segurasse com firmeza. Os braços do meu namorado tremiam com o esforço. — Eu fiz uma pergunta — ele gritou.
— Não. — Uma única palavra, os olhos duros nos de Wes, desafiando-o a não acreditar naquilo.
Coloquei as mãos nas costas de Wes, sem saber o que fazer. Não queria piorar tudo. Lágrimas escorriam pelo meu rosto.
— Wes, baby, o Anton estava tentando me ajudar a superar o que aconteceu. Por favor, solte-o. Vamos conversar. Você e eu. Ele não me machucou.
— Que história é aquela de você não poder tocar na Mia? Por que merda você disse aquilo? — ele gritou no rosto de Anton.
Mais uma vez, Anton mostrou a paciência de um santo, o que era estranho, pois eu sabia que ele praticava boxe e treinava feito louco. Provavelmente poderia derrubar Wes, ou pelo menos destruir aquele corredor tentando.
— Quando ela chegou, não suportava nem um simples abraço. Foi bem ruim, cara.
Caí de joelhos.
Não. Não. Não. Não.
Não era para Wes saber. Eu não queria que isso arruinasse tudo. Era muito recente, muito profundo. Agora ele perceberia que eu estava arruinada. Que não era boa o suficiente para ele. Não tive tempo o bastante com ele.
Heather gritou algo que não pude ouvir através do ruído ensurdecedor em minha mente. Fui erguida no colo, aconchegada nos únicos braços em que queria estar novamente. Wes.
— Linda, desculpa. Está tudo bem, baby. Está tudo bem. — Eu tremia contra seu peito. De alguma forma ele entrou em meu apartamento e se sentou no sofá comigo enrolada em seu colo. Me abraçou por um longo tempo enquanto eu chorava. Me acalmou, acariciou meu cabelo, sussurrou palavras doces para mim. Finalmente, morrendo de sede, ele me fez tomar alguns goles de água de um copo que apareceu do nada.
— Vamos deixar vocês sozinhos. Desculpa, meu chapa. Eu não sabia. Puñeta! Lo siento.
— Se precisar de alguma coisa, deixei nossos cartões no balcão. Eu entro em contato mais tarde. Cuide da nossa garota — disse Heather.
Nossa garota. Eles achavam que eu era a garota deles, mas a única coisa que eu queria ser era a garota de Wes. Cheirei o pescoço dele, apreciando o perfume do oceano, desejando que estivéssemos em sua casa, em Malibu, e não em Miami, em um apartamento estranho, ainda que fosse bom.
— Ei, você está bem? — Ele ergueu meu queixo e enxugou as lágrimas restantes quando assenti. — Está com fome? — Balancei a cabeça. — Com sede? — Mesma resposta. — Do que você precisa?
— Eu preciso que você me ame.
— Mia, eu te amei desde o momento em que você tirou o capacete na praia. Merda, talvez tenha acontecido até antes, quando a minha mãe me mostrou suas fotos no site. Eu sabia que precisava ter você. E não só na minha cama. — Ele me apertou. — Ainda que eu ame isso também. — E sorriu maliciosamente. — Com você, Mia, sempre foi mais. Tudo o que se refere a você me atrai. O seu corpo me deixa fraco de desejo. O seu amor pela vida e por coisas novas me faz querer colocar o mundo a seus pés, só para te ver sorrir. Vou te amar hoje, amanhã e todos os dias depois disso.
— Prove.
Ele gemeu e suspirou.
— Linda, nós precisamos conversar.
— Prove — repeti, minha voz quase implorando.
Ele passou a mão pelo cabelo loiro-escuro e pelo rosto.
— Que foda — resmungou.
— Exatamente. Me fode.
Ele balançou a cabeça.

— Hoje, não. Hoje eu vou te adorar.

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NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
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