11 de janeiro de 2017

Capítulo Oito

Depois de nos limparmos da melhor maneira possível, Wes pegou minha mão e me levou de volta para a casa de Max.
— Eu vou comprar esta terra do seu irmão. Nós vamos reformar aquela casa, ou então demolir e construir uma nova. O que você quiser — Wes disse, de repente.
Minha mente estava longe do assunto de compra de terras e reforma de casas. Ela ainda estava em êxtase absoluto por ter sido agarrada contra uma árvore pelo homem que eu amava.
Quando as palavras finalmente chegaram à parte pensante do meu cérebro, parei de andar. Ainda tínhamos tempo antes do jantar de Ação de Graças.
— Espera. Desculpa se eu não consigo acompanhar o raciocínio depois de trepar contra uma árvore há menos de dez minutos. O que você disse?
Wes umedeceu os lábios, como se ainda estivesse sentindo meu gosto. Provavelmente estava. Depois que me tomou com a boca, ele me comeu intensamente contra a árvore, e eu tinha as marcas do tronco nas costas para provar. Quando mexi os ombros, senti o suéter roçando nos pontos sensíveis. Com sorte não haveria nenhum ferimento, só o corpo dolorido para me lembrar da nossa brincadeira.
— Vou conversar com o Max sobre comprar esta parte das terras dele. Ele tem centenas de hectares e disse que aqui já foi uma fazenda, assim como as terras mais para baixo. E disse que as duas estão desocupadas.
Tentei compreender o que ele estava sugerindo.
— Nós nem vimos a casa. Só conhecemos um pouco da propriedade. Como você sabe que quer comprar?
Wes se virou e olhou para o bosque de árvores robustas que tínhamos acabado de deixar, ao longo da segunda área de terra aberta que conduzia ao rancho de Maxwell.
Encolheu os ombros.
— Não importa como é. Nós podemos construir alguma coisa do nosso jeito se não gostarmos. A questão é: nós teríamos uma casa de família. Longe do brilho e do glamour do sul da Califórnia.
Levantei as mãos.
— Espere um pouco. Você está me dizendo que quer se mudar de Malibu? — Eu estava monumentalmente confusa. E não apenas por causa do sexo alucinante. — Você ama praia. Eu amo praia. — Apontei para o peito, meu coração já apertado com a ideia de nossa casa em Malibu não ser mais nossa.
— É verdade. Mas nós temos dinheiro. Muito. Mais do que precisamos. E, do jeito que a sua carreira está indo, você vai querer ter um lugar pra escapar quando a Califórnia ficar sufocante demais. Além disso, você mesma disse que a Madison vem morar aqui quando terminar os estudos.
— Na verdade ela mencionou que queria vir pra cá depois da graduação. O Max ficou de arrumar uma universidade aqui pra ela fazer o mestrado e o doutorado e começar a trabalhar na Cunningham Óleo e Gás no mesmo período. O Matt e a família vão se mudar pra cá também.
O rosto de Wes se iluminou. Parecia que, quanto mais ele pensava na ideia, mais animado ficava.
— Perfeito. Eles podem viver naquele outro lado. O Matt disse que ele e a família querem investir em agricultura, e podem fazer isso na nossa terra também. Claro, nós vamos ser parceiros nisso, e vamos ter mais uma casa. Um lugar que vamos poder visitar todo mês. Assim você não vai perder a infância da Isabel e do Jackson nem ficar longe da sua irmã por muito tempo. Seria vantajoso pra todo mundo.
O que ele estava oferecendo era mais do que eu jamais havia imaginado. Meu amor por esse homem era ilimitado.
— Você faria isso por mim? — perguntei, minha voz falha de amor e felicidade.
Ele balançou a cabeça.
— Não. Eu faria isso por nós. Você não quer ficar longe da sua irmã e eu não quero ficar longe da minha família. Nós vamos ter casa nos dois lugares. Vamos poder planejar pelo menos uma viagem por mês. Vamos fazer disso uma coisa regular, assim todo mês passamos alguns dias no Texas. Quando não estivermos gravando, podemos passar algumas semanas aqui. Sempre que quisermos. Eu tenho certeza de que podemos combinar com a Cyndi pra que ela fique de olho nas coisas e abra a casa de vez em quando pra arejar.
Ele não viu quando me movi, mas ainda assim me segurou quando pulei, envolvi as pernas ao redor da sua cintura e o beijei com todas as minhas forças.
— Eu te amo. — Beijei seu rosto. — Eu te amo. — Beijei a testa. — Eu te amo. — Beijei o queixo. — Eu te amo. — Beijei os olhos. — Eu te amo tanto. Não vejo a hora de me casar com você! — gritei, antes de colar a boca na dele.
Wes pareceu gostar da minha maluquice e riu o tempo todo, até não poder mais, quando seus lábios ficaram muito ocupados com os meus.
 ***
— Sim! Não estou brincando. Não, mãe, não estou. Nós queremos fazer uma cerimônia pequena na praia, na nossa casa em Malibu, e depois a festa na sua. — Wes riu e passou a mão pelo cabelo. Seu sorriso apareceu no momento em que ele ligou para a mãe, não só para anunciar que iríamos nos casar, mas também que seria logo. — Eu sei que são só cinco semanas. Vou contratar um cerimonialista pra organizar tudo. Não, mãe, você não... Mãe, nós não te ligamos pra contar e fazer você assumir a responsabilidade.
Fale por si. De jeito nenhum eu iria organizar um casamento. Por mim, nós diríamos “sim” na praia e transaríamos feito coelhos na nossa cama logo depois. Eu não precisava de bolo e toda aquela ladainha. Só de Wes. Ele era tudo de que eu precisava.
Meu noivo se virou e olhou para mim. Eu estava sentada na cama, de pernas cruzadas, inclinada para a frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos debaixo do queixo. Ele andou pelo quarto com um sorriso enorme no rosto.
— Eu sei que é loucura, mãe, mas eu estou loucamente apaixonado. Não, não é demais. Eu estou bem. Na verdade, isso vai me deixar melhor do que nunca. Casar com a mulher com quem eu quero passar o resto da vida vai me ajudar ainda mais no processo de cura.
Wes acreditava que eu era a razão pela qual ele estava melhorando depois do sequestro. Eu achava que era por causa de sua psiquiatra, mas ainda havia coisas nas quais ele precisava trabalhar. Seu recém-descoberto ciúme de mim era uma delas. A segunda era a necessidade de definir nosso futuro tão rápido. As boas notícias? Ele não tinha pesadelos havia mais de uma semana. Ali no Texas ele estava dormindo melhor do que nunca. Quando estávamos em casa, ele acordava assustado, ia para a praia e ouvia o mar até estar cansado o suficiente para voltar para a cama. Muitas noites eu o encontrava andando pela praia, olhando para o mar em vez de estar dormindo, enrolado em mim. No Texas, não. Ali na casa do meu irmão, com toda a família reunida, ele apagava. Talvez fosse pelo fato de estarmos longe da agitação. Wes parecia se sentir confortável com o silêncio das noites no campo.
Ele parou de andar pelo quarto.
— Sério? Você vai cuidar da festa? — Seus olhos encararam os meus. — A Mia fica sensacional de verde — Wes disse, olhando de soslaio para mim. — Eu sei que ela não vai usar essa cor. Vou perguntar a ela. Mia, que cores você quer no casamento?
Fiz uma careta.
— Sei lá. Eu tenho que escolher uma? — Hã? Nunca me ocorreu que eu me preocuparia com esse tipo de coisa. Quer dizer, eu já tinha visto casamentos em filmes em que havia uma horda de madrinhas. Eu só queria Maddy e Gin.
— Minha mãe está dizendo que você precisa escolher duas cores para que ela saiba que tipo de decoração contratar.
— O que ela decidir está bom — falei, despreocupada.
— Mãe, não. A Mia só não é tão mulherzinha assim. Quer dizer... — Seus olhos deslizaram pelo meu corpo, de cima a baixo. — Ela definitivamente é toda mulher, mas não liga pra esse tipo de coisa. Não mesmo... Sério, você pode escolher o que quiser. Não, ela não se importa. Mãe... — Ele voltou a caminhar.
Ao ouvi-lo discutir algo que obviamente deveria ser minha responsabilidade, gritei:
— Verde-claro e creme.
Wes parou.
— Espere aí. Que cores, linda?
Timidamente, juntei as mãos e girei os polegares.
— Acho que verde-claro e creme ficaria bonito.
Wes abriu um sorriso enorme. Deus, era fácil agradá-lo.
— A Mia disse verde-claro e creme. Ah, sim. Flores simples. O que você quiser. Sim, o que quiser. — Ele revirou os olhos, apontou para o telefone e fez cara de louco. — A Mia e eu vamos cuidar da cerimônia. Sim, nós vamos alugar cadeiras, um gazebo e tudo o mais. Mãe, se concentre na festa. Quantas pessoas?
Fiz uma contagem rápida de quem eu queria convidar: Maddy, Matt, Maxwell, Cyndi, as crianças, Ginelle, Tai e Amy, Anthony e Hector, Mason e Rachel, Warren e Kathleen, Alec, Anton e Heather, tia Millie, meu pai — se ele acordasse — e talvez mais algumas poucas pessoas.
— Vinte e cinco pra mim.
— Vinte e cinco. Espera aí, mãe. — Ele levou o celular ao peito. — Só isso? Só pra cerimônia, né?
— Não, no total.
Wes piscou.
— Mãe, vai ser um casamento bem pequeno. A Mia deve convidar no máximo vinte e cinco pessoas. Então nós precisamos limitar a cerimônia na praia à família. Sim, estou falando sério.
Gemi por dentro. Eu nem tinha começado a procurar o vestido de noiva, e o fato de não ter muitos familiares estava me fazendo parecer uma otária para minha sogra.
— Como assim, “quem”? Jeananna e a família, os meus parentes próximos, mãe. Vamos discutir isso mais tarde. Vamos fazer uma lista com umas trinta pessoas para a praia. Convide quem quiser pra festa, mas nós queremos uma coisa simples. Não gostamos de nada pomposo. Boa comida, bebida, música e vamos ficar satisfeitos. Certo, Mia?
Sorri. Meu noivo me conhecia bem.
— É isso aí! — Mandei um beijo e ele balançou as sobrancelhas.
— Bom, eu tenho que ir. Feliz Dia de Ação de Graças pra você, o meu pai e toda a família. Diga que eu amo todo mundo e que vamos estar em casa logo. Sim, nós vamos voltar antes do Natal. Eu te amo também.
Wes desligou e jogou o celular sobre a cama antes de vir para cima de mim.
— Você tem muita sorte por eu te amar tanto. Isso foi terrível.
— Conversar com a sua mãe foi terrível? — provoquei.
— Não. Conversar com a minha mãe sobre o casamento, quando nenhum de nós está preocupado com outra coisa além do “sim”. Você me deve essa. — Ele forçou os quadris contra mim, e eu envolvi as pernas ao seu redor, trazendo seu corpo para mais perto.
— Humm. E como posso pagar? — Enrolei uma mecha do cabelo dele no dedo.
— Sendo a minha escrava sexual pelo resto da vida — ele brincou.
Sorri.
— Menino safado. Acho que você devia ceder um pouquinho.
— Nem vem. Eu quero você pro resto da vida.
Entrelaçando os dedos em seu cabelo, eu o beijei.
— Acho que nós podemos fazer isso.
— Não, eu vou fazer isso.
Dei risada.
— Essa piada de novo?
Ele riu e espalhou um monte de beijos pelo meu pescoço.
— É velha mas é boa.
— Tipo uma punheta?
Ele levantou o rosto.
— É uma analogia perfeita. Uma punheta também é velha, mas muito boa. Posso ganhar uma agora?
Com isso, coloquei a mão entre nós. No momento em que meus dedos tocaram o botão de sua calça jeans, uma batida na porta nos assustou. Pulamos, como se alguém tivesse jogado um balde de água gelada sobre nós.
— A Cyndi está chamando para o jantar! Venham — Max falou. Pelo menos ele teve a decência de não entrar. Eu não lembrava se tinha trancado a porta ou não.
Em seguida, o ouvimos bater em outra porta e repetir o chamado, só que dessa vez ele disse: “A comida está pronta”.
Wes me ajudou a levantar.
— Ah, e a minha mãe disse que no ano que vem o jantar de Ação de Graças é na casa dela. — Ele respirou por entre os dentes.
Balancei a cabeça.
— Então você vai falar com o Max. De preferência quando eu não estiver por perto.
— Medrosa! — Ele sorriu, entrelaçando os dedos nos meus, e me levou para fora do quarto, seguindo pelo corredor para o nosso primeiro jantar de Ação de Graças juntos. O primeiro jantar de Ação de Graças de verdade de que eu podia me lembrar.
O único problema era que eu estava com saudade do pops. Ele adoraria estar sentado a uma mesa grande com a família. Eu nunca tive isso, embora ele houvesse tentado do seu jeito. Lembrei dos inúmeros feriados em que ele fazia frango frito ou comprava no KFC — isso quando não estava completamente bêbado e esquecia a data.
Ainda assim, eu sentia falta dele.
***
Cyndi e Max haviam se superado. Para um casal com um bebê recém-nascido, eles arrasaram nas comemorações do feriado. Numa grande sala ao lado da cozinha, a mesa de jantar de dezesseis lugares foi posta para seis adultos e uma criança. Jackson estava dormindo confortavelmente no moisés ao lado da cabeceira da mesa. Música suave tocava — alguma peça de Chopin. Eu só sabia porque ele era o meu compositor favorito, embora Wes estivesse me apresentando a outros clássicos. Ele gostava de ouvir música clássica quando estávamos no carro ou sentados no deque com vista para o oceano.
Havia um caminho de mesa no centro dela. Os lugares tinham sido postos mais próximos de uma ponta do que da outra, o que deixou espaço para todas as travessas de comida. Max e Cyndi haviam preparado um banquete e tanto. Os pratos, as taças de cristal e os utensílios brilhavam à luz das velas. O efeito era incrivelmente bonito. Eu nunca tinha me sentado a uma mesa como aquela. Nunca sequer havia sonhado que um dia teria essa oportunidade.
Todos se juntaram e ficaram de pé atrás das cadeiras. Max estendeu as mãos.
— Vamos agradecer.
Ele fez uma oração e terminou pedindo um momento de silêncio para enviarmos gratidão e amor àqueles que não estavam conosco. Mais uma vez meus pensamentos se voltaram para meu pai, deitado numa cama de hospital em Las Vegas, em coma. Sozinho. No Dia de Ação de Graças. Mesmo que muitas vezes ele não celebrasse o feriado por estar bêbado ou qualquer outra coisa, ainda estávamos sempre juntos. Quem estava com ele agora? Ninguém. Senti o peito apertar e esfreguei o local.
— Está tudo bem? — Wes sussurrou, puxando a cadeira para eu me sentar. Sempre cavalheiro.
Na verdade, cada homem puxou a cadeira da sua mulher. Max fez isso até para Isabel, antes de se sentar.
— Sim. Só estou triste porque o meu pai não está aqui pra passar o feriado com a gente. Acho que ele ia gostar.
— Ia mesmo. — Maddy deu um leve sorriso e se sentou.
Uma vez que todos estávamos à mesa, começamos a nos servir. Havia peru recheado, purê de batata, milho-verde, molho de carne, caçarola de vagem, molho de cranberry, pãezinhos assados na hora e muito mais. Juro por Deus, não havia espaço suficiente no meu prato.
— Todo mundo come tanto assim no jantar de Ação de Graças? — perguntei, olhando para meu prato cheio.
— Verdade! — Maddy bufou e levantou o prato. — Nem cabe tudo! — E riu.
Max, Cyndi, Matt e Wes pararam e olharam para nós duas.
— O quê? — questionei. — Só estou dizendo que é muita comida para um jantar.
Wes cerrou a mandíbula e Max levou a mão à boca.
— Quando foi a última vez que você e a Maddy tiveram um jantar de Ação de Graças, com peru e tudo?
Olhei para a quantidade insana de comida. De modo algum conseguiríamos comer tudo aquilo. Mas, do jeito que eu estava salivando só com o cheiro, faria um esforço sincero.
— Hum, não sei. Mads? — perguntei.
Ela balançou a cabeça.
— Nós nunca tivemos um jantar com peru. Quer dizer, nós comemos peru no cassino, e eu lembro de já ter comido peito de peru, mas nada parecido com isto. Me faz lembrar os bufês no Caesar’s. Eles serviam cada jantar de Ação de Graças! Lembra aquele ano em que a gente entrou lá escondido?
Ela riu e eu sorri, recordando o dia em que decidimos que teríamos um jantar de Ação de Graças de qualquer jeito. Então saímos de casa, andamos três quilômetros pela Strip e entramos no Caesar’s Palace sem que ninguém percebesse. Havia tantas pessoas por ali que nem notaram as duas meninas enchendo os pratos e saindo. Ou talvez não tenham se importado. Essa história soa como um daqueles filmes tristes feitos para a TV, mas nós nos divertimos horrores.
Eu ri.
— Foi o melhor jantar de Ação de Graças que tivemos... bom, até agora — falei, enquanto mergulhava um pedaço de peru no molho. — Ah, cara, isso é tão bom!
Max cruzou as mãos sobre o peito.
— Vocês estão dizendo que nunca tiveram um jantar de Ação de Graças ao redor de uma mesa? Sendo que vocês têm vinte e cinco e vinte anos?
Pensei no que ele disse. Honestamente, nunca tínhamos pensado que estávamos perdendo alguma coisa. Não se sente falta de algo que nunca se teve. Em vez de responder, apenas assenti e provei o recheio do peru.
— Esse recheio está uma delícia, Cyndi! — elogiei.
Seu rosto se iluminou de vaidade.
— Obrigada. Espere até provar a caçarola de vagem do Max. Ele não cozinha muito, mas faz uma caçarola incrível!
Eu me senti grata por ela me ajudar a alterar o rumo da conversa. Quando ela olhou para mim, agradeci com um movimento dos lábios. Ela assentiu e voltou a comer. A mesa ficou em silêncio depois disso; a atmosfera parecia um pouco tensa. Tive que consertar. Era o nosso primeiro feriado juntos, e eu queria que todos ficassem felizes.
— Ah! O Wes e eu queremos fazer um anúncio.
Os olhos de Maddy se arregalaram.
— Você está grávida!
Fiz uma careta.
— Meu Deus, não! Caramba, Maddy.
Wes riu da minha resposta e me segurou pela cintura quando me levantei e parei ao lado de sua cadeira.
— Não se preocupe. Nós queremos ter alguns mini-Channings no futuro, mas vamos nos casar antes — ele explicou.
— É, Mads. Minha nossa. O que eu ia dizer é que nós marcamos a data. — A mesa inteira esperou que eu terminasse. — Primeiro de janeiro.
— Do ano que vem? — Maddy ofegou.
Um sorriso enorme apareceu no meu rosto. Não pude evitar. Eu me casaria em...
— Cinco semanas!
— Ai, meu Deus. Está muito perto. Tem certeza que não está grávida? — Ela franziu a testa, assim como Matt, mas por razões bem diferentes. Maddy porque sabia que era novidade para mim me comprometer com um cara a ponto de me casar, ainda mais em cinco semanas. Matt porque eu tinha dito que ele deveria esperar dois anos para se casar com minha irmã. Eu podia imaginar que essa revelação não o faria feliz, mas ele colou um sorriso no rosto mesmo assim. Bom rapaz.
— Olha só! E onde vai ser? — Max perguntou. Seus olhos brilhavam de alegria. Para ele, casamento significava família. E ele era um homem de família.
— Essa é a melhor parte. Nós vamos fazer uma pequena cerimônia na praia, em frente à nossa casa em Malibu, e em seguida uma festa na casa dos pais do Wes. Eles vão organizar a festa e nós dois vamos cuidar da cerimônia. Vai ser bem simples, só a família e os amigos mais próximos. Provavelmente umas cinquenta pessoas na praia, e quem mais os Channing quiserem convidar pra festa. Vocês vão, né?
— Até parece que eu ia perder! Eu sou a madrinha, né? — Os olhos de Maddy brilharam num tom de verde mais escuro.
— Claro. E eu adoraria que a nossa Isabel fosse a daminha. Você gostaria, meu amor? — perguntei a ela. A menina estava feliz, enchendo a cara de purê de batata.
— O que é uma daminha? — perguntou, com a boca cheia.
— Significa que você vai usar um vestido bonito, uma coroa e vai jogar pétalas de flores na praia para que a tia Mia caminhe sobre elas.
— Eu posso usar uma coroa?
Eu sabia que falar da coroa era uma boa ideia.
— Provavelmente vai ser uma tiara.
— Tipo uma coroa com diamantes? — ela perguntou, o tom muito sério.
— Isso mesmo, meu amor.
Ela inspirou profundamente e seu rosto ficou todo rosa, enquanto seus olhos se arregalaram.
— Eu vou ser uma daminha rainha! Na praia! Mamãe! Mamãe! Mamãe! — ela começou a gritar antes que Cyndi pudesse responder.
Jackson acordou e começou a chorar com a explosão da irmã. Max o pegou no colo e o silenciou instantaneamente, segurando o filho nos braços capazes. Colocou a chupeta na boca do pequeno, que se aconchegou e fechou os olhos novamente. Ser bebê é trabalho duro: comer, dormir, fazer cocô. Repetir.
— Sim, Isabel, você vai ser uma daminha rainha. Agora, será que você pode falar baixinho e tentar não acordar o seu irmão de novo? — Cyndi falou, naquele tom maternal que eu esperava ter quando fosse o momento certo.
— Isso é simplesmente fantástico. Vamos fazer um brinde — Max falou e levantou a taça. Todos nós o imitamos. — Que as minhas irmãs sejam tão felizes no casamento quanto eu tenho sido no meu durante todos esses anos.
— E ao mais novo membro da nossa família! — Inclinei a taça na direção de Jack.
— E a ter a minha família toda reunida onde eu sempre quis. Na minha mesa, comendo e criando lembranças.
— Saúde. Tintim. — As vozes ressoaram pela sala, até serem interrompidas por um som estridente vindo do meu bolso de trás.
Merda. Eu não tinha desligado o celular. Peguei o aparelho e olhei rapidamente para a tela antes de apertar o botão para ignorar, até que identifiquei o número de Las Vegas.
— Desculpe, pessoal — falei e atendi depressa. Pressionei o dedo na orelha oposta e entrei na cozinha. Senti o sangue escorrer do rosto, e o chão pareceu sumir sob meus pés enquanto eu ouvia a enfermeira dar notícias do meu pai. Encerrei a ligação e voltei para a mesa, colocando as mãos no encosto da cadeira, mais para me segurar do que qualquer outra coisa.
Maddy se levantou por instinto.
— O que aconteceu? Era sobre o pops?
Meus olhos observaram minha família preocupada. Eu não sabia como responder. Minha língua parecia inchada e seca na boca.
— Ai, meu Deus. É o pops. Ele...? — Ela deixou a pergunta no ar, mas todos na sala sabiam exatamente o que ela queria dizer.
Wes se levantou e passou um braço ao meu redor. Inclinei-me contra ele e balancei a cabeça, como se para colocá-la no lugar. Finalmente, umedeci os lábios e falei:

— Ele acordou. O pops acordou e está perguntando por nós.

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NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
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