10 de janeiro de 2017

Capítulo Nove

Um assistente me levou até o escritório da produtora executiva do programa na Century Produções. Leona Markham parecia jovem para a idade, mas mantive esse pensamento para mim mesma. Pelo cargo que ocupava, ela provavelmente tinha passado dos quarenta anos, mas não parecia ter mais de trinta. Seu cabelo era uma profusão de cachos castanhos até os ombros, complementando o caramelo dos olhos. Ela usava um tailleur branco imaculado com salto agulha de verniz preto extremamente fino. A saia era tão justa que moldava seu corpo como uma segunda pele. Das panturrilhas trabalhadas até a mandíbula marcante, aquela mulher havia passado algum tempo se produzindo, e deu certo. E como! Ela estava linda. Eu queria parecer tão bem quando tivesse a sua idade.
Quando me sentei, ela olhou para minha saia despojada, a regata de seda e as sandálias de salto anabela. Eu não gravaria naquele dia, então tinha deixado as roupas mais elegantes em casa. Na verdade, Wes e eu havíamos terminado a terceira sessão de edição do episódio seguinte do “Vida bela” um pouco antes de me encontrar com ela. Era a respeito de um quartel do corpo de bombeiros no leste de Los Angeles que resgatava filhotinhos de cachorro e os treinava para servir como cães de companhia para ex-soldados deficientes físicos, com problemas mentais ou que tivessem sido feridos. Os bombeiros se revezavam no treinamento dos cães para pegar coisas, abrir portas, conseguir ajuda, ter cuidado com obstáculos que pudessem ameaçar a segurança e, o mais importante, dar amor. Eles me mostraram em dois dias como aqueles animais mudavam a vida das pessoas que os adotavam. Todos saíam ganhando.
— Srta. Saunders... — ela começou, mas eu a interrompi.
— Pode me chamar de Mia. — Sorri e coloquei as mãos no colo.
— Obrigada, Mia. Me chame de Leona.
Assenti e esperei para descobrir o motivo de estar ali. Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu e o dr. Hoffman entrou com sua assistente sonhadora, Shandi.
— Desculpem o atraso. Shandi e eu estávamos dando uma olhada na gravação sobre os bombeiros e os animais resgatados que a Mia e o noivo, o sr. Channing, acabaram de editar.
O entusiasmo com o qual ele pronunciou o nome de Wes me fez revirar os olhos. Claro, Leona estava observando minha reação, e não o bom doutor. Seus lábios se curvaram em um sorriso, e eu ri baixinho.
— Mia, querida, o quadro está... — ele levou os dedos à boca e os beijou do jeito que uma mãe italiana faria — magnífico. Brilhante. Eu sabia, tinha certeza de que você seria um ótimo complemento para o programa. Eu estava errado, Leona?
Ela se sentou atrás da mesa monstruosa, apoiou os cotovelos sobre a agenda e o queixo nas mãos.
— Não, não estava. Na verdade, é sobre isso que nós vamos falar com a Mia hoje. — Antes de continuar, ela pressionou algumas teclas no telefone. — Sra. Milan, está aí?
A voz da minha tia soou nítida e clara no viva-voz:
— Estou. Obrigada pelo contato. Agora, a que devo o prazer?
Olhei para baixo e tentei respirar para conter o desejo de cair no riso. Millie só falava em tom pomposo quando queria alguma coisa ou precisava impressionar alguém. Tive a sensação de que era a última opção.
— Eu chamei vocês aqui, com o dr. Hoffman, porque nós temos algumas novidades e gostaríamos de fazer uma proposta.
Wes havia dito que aquilo poderia acontecer. Prendi a respiração, sem querer ter esperança. Argh, eu estava com muito medo de ter esperança. Tensa, me endireitei e esperei.
— Caso vocês não tenham percebido, o programa está indo muito bem. Desde o primeiro episódio da Mia para o “Vida bela”, o nosso público aumentou em vinte e cinco por cento. Nós achamos que ele teve essa repercussão não só pelo conteúdo, mas também pelo fato de você e o sr. Channing terem aparecido recentemente nos noticiários. O sequestro dele e as especulações sobre o filme ser cancelado podem ter sido as razões para que a primeira exibição tenha ido bem. No entanto, com o segundo episódio, nós tivemos um crescimento de dez por cento nos espectadores diários. No dia em que o segundo quadro foi ao ar, nós tivemos cinco milhões de espectadores a mais.
— E o que isso significa na minha língua? — perguntei, sem querer parecer burra. Aquilo poderia ser muito, ou poderia significar que eu não estava conseguindo audiência suficiente. Honestamente, eu não fazia ideia. Mais de trezentos milhões de pessoas viviam nos Estados Unidos. Eu não sabia avaliar se cinco milhões de espectadores era muita coisa.
Leona se recostou na cadeira, com os olhos arregalados.
— Isso significa que, quando você está no ar, quinze milhões de pessoas estão te assistindo, acima da audiência média diária do dr. Hoffman, que é de nove a dez milhões.
— Uau! — Deixei uma única palavra dizer tudo. Isso significava que eu estava mesmo mandando bem.
O dr. Hoffman irradiava alegria e se sentou na cadeira ao meu lado. Estalou os dedos e apontou para o aparador, que continha uma variedade de bebidas. Shandi correu até a parede onde o móvel estava encostado para pegar o que quer ele tenha pedido silenciosamente.
Sem pensar, resmunguei e fiz um barulho de nojo.
— O quê? — Ele me olhou com indiferença.
Fiz uma careta.
— Sério? Você estalou os dedos para a sua assistente. Que grosseria! — Balancei a cabeça e encarei Leona. — Desculpe. Passei dos limites.
Ela riu.
— Não, você está certa. Ele passou dos limites. — Ela balançou o polegar na direção de Drew. — Infelizmente, isso também faz parte do charme dele. Cretino sem noção. — A forma como ela disse isso fez parecer um elogio, embora não tenha sido.
Drew bufou e sorriu quando Shandi lhe entregou um copo do que imaginei ser cuba libre, já que uma garrafa de rum e uma lata aberta de Coca-Cola estavam sobre a bancada.
— Obrigada, minha querida — ele falou para Shandi, que ronronou como um gatinho orgulhoso por ter pegado um pássaro e colocado o cadáver aos pés do dono, irradiando felicidade.
Querendo voltar para a sala de edição para me encontrar com um homem muito mais atraente, que estava me ensinando tudo sobre a formação de uma grande história e esperando pacientemente, bati as mãos nas coxas, recebendo a atenção deles.
— Algo mais?
— Está com pressa? — Leona perguntou, se recostando na cadeira de couro. Ela era uma rainha no trono, e o estúdio, seu castelo.
Eu poderia ter mentido, mas estava trabalhando isso em mim. Wes estava me ensinando que a honestidade era realmente a melhor política em todas as situações.
— Mais ou menos. O Wes está me esperando na sala de edição. Nós estamos finalizando o quadro para o programa de sexta-feira.
Leona assentiu.
— Eu tenho certeza de que vai ser um sucesso. Você ainda está aí, sra. Milan? — ela perguntou, de forma casual.
A voz da minha tia estalou através do telefone.
— Estou. Ainda bem que eu tenho alguns documentos para trabalhar enquanto vocês jogam conversa fora. Podemos ir direto ao ponto? Tenho um compromisso daqui a quinze minutos. — Suas palavras foram diretas, e eu gostava disso na minha tia. Quando ela agia de forma profissional, nunca perdia tempo ou falava sobre coisas desnecessárias. Era uma qualidade que, em geral, eu apreciava.
Leona sorriu e bateu na mesa.
— Bem, vamos lá. Suas avaliações positivas e as do programa estão aumentando exponencialmente. Obviamente nós queremos ganhar com isso. Então, o dr. Hoffman e a Century Produções concordaram em oferecer a você uma posição fixa no programa. Você vai continuar com o “Vida bela”, mas, a partir de novembro, nós gostaríamos de aumentar de forma considerável o seu tempo no ar.
— Em quanto? — perguntou Millie.
— Bem, a ideia inicial é que a Mia participe de quadros fixos ao lado do dr. Hoffman. Ela tem o visual certo para atrair o público mais jovem. — Seu olhar disparou para Drew. — Não que você seja velho, mas é vinte anos mais velho que ela. Ter vinte e cinco anos, falar sobre determinados assuntos e entrevistar jovens artistas e celebridades pode realmente dar um gás ao programa.
Eu me virei para Drew.
— Doutor, você está de acordo com isso? Quer dizer, se o que ela está falando é verdade, você vai dividir um tempo no ar comigo, coisa que nunca fez antes. Tem certeza de que é o que você quer? — perguntei.
Apesar de querer pular e gritar “Sim, me escolha, me escolha!”, eu tinha que considerar que estaria trabalhando com alguém acostumado a fazer tudo sozinho havia bastante tempo. Aquilo poderia incomodá-lo. E, se isso acontecesse, não funcionaria. Ele havia me colocado ali. E eu já tinha visto o lado feio desse ramo. Esse tipo de coisa nunca acaba bem.
Drew se inclinou e segurou minha mão com as suas duas. Inapropriado? Sim. Totalmente. Era o jeito dele? Cretino sem noção, como Leona falou? Absolutamente.
— Mia, meu bem, a ideia foi minha.
Olhei para Leona, que assentiu, franzindo os lábios.
— Por quê? — perguntei, num tom abafado.
Ele se recostou novamente, depois de dar dois tapinhas na minha mão.
— Eu não estou ficando mais jovem. Tudo bem, eu não sou velho, mas tem algumas coisas que eu ainda quero fazer. Passar algum tempo com a minha esposa, por exemplo. — Ele sorriu e balançou as sobrancelhas. — Você a viu.
Rindo, eu assenti.
— Além disso, eu fiquei fora da comunidade médica por muito tempo. Exceto a clientela de celebridades em geral, eu só atendo quando é necessário. E isso está me deixando enferrujado. Se, num prazo de seis meses a um ano, você puder ficar com metade do programa, posso me dedicar mais. Atender casos especiais, expandir minha clientela, entre outras coisas. Todo mundo sai ganhando. E, como você é uma estrela em ascensão... o céu é o limite, meu bem.
Cara, eu odiava quando ele me chamava de “meu bem”. Sempre soava nojento, embora eu soubesse que ele dizia aquilo de maneira carinhosa.
— Se, e isso é um grande se, a Mia estiver interessada, nós vamos precisar dos números, agenda de trabalho, compromissos de viagem e detalhes sobre o pagamento. Só temos mais uma semana no mês — a voz de Millie soou por cima do barulho das unhas contra o teclado. — Eu estou organizando a agenda dela para novembro e dezembro. Se quiserem que ela considere isso, vou precisar da proposta até amanhã à tarde.
Estreitei as sobrancelhas, olhando para o telefone como se aquilo fosse esclarecer a merda que a minha tia estava falando. Eu sabia que ela não estava organizando agenda nenhuma, pois eu já tinha avisado que, quando o mês terminasse, não pegaria mais trabalhos. Eu pagaria Max e arranjaria o que fazer, embora aquela proposta fosse o meu sonho. Participação fixa em um programa de TV? Trabalho fixo fazendo algo que eu amava? Retorcendo as mãos embaixo da mesa, rezei para que Millie soubesse o que estava fazendo e não estragasse aquela oportunidade. Fé. Eu tinha que ter fé. Ela tinha feito com que eu chegasse muito longe. Não havia razão para acreditar que ela não consideraria meus melhores interesses para o futuro também.
Leona inclinou a cabeça para o lado, como se estivesse considerando o cronograma que Millie definiu.
— Certo. Vou colocar minha equipe trabalhando nisso agora. Você vai receber a proposta amanhã, até o fim do horário comercial.
— Excelente. Se não houver mais nada a discutir, vou me despedir de vocês. Mia, boneca, nós conversamos mais tarde. Eu te ligo.
— Obrigada, ti... hum, sra. Milan — corrigi. Eles não precisavam saber do nosso segredinho. Principalmente porque não era da conta de ninguém.
Ela desligou e eu fiquei em pé.
— Posso voltar ao trabalho?
Leona sorriu e se levantou, estendendo a mão.
— Espero que, muito em breve, nós possamos parabenizá-la por fazer parte oficialmente da família Century Produções.
Eu sorri e fui até a porta. Quando segurei a maçaneta, parei e me virei. Três pares de olhos me observavam, esperando que eu falasse.
— Sabem, este ano está sendo o mais estranho e surpreendente da minha vida, mas, no que diz respeito à minha carreira, até hoje eu não tinha sentido que estava no lugar certo, fazendo o que deveria. Obrigada por me darem uma ideia do que eu quero para a minha vida profissional.
Leona ajeitou um cacho atrás da orelha e levantou uma sobrancelha.
— A questão agora é: você acredita que este ano te trouxe até aqui por alguma razão? E eu vou além. Será que isso significa que o seu lugar é aqui, trabalhando neste programa com a gente? — Eu podia dizer, pela tensão em sua mandíbula e por sua postura ereta, que minha resposta significava algo para ela.
Sem parar para pensar no assunto, respondi:
— Por enquanto e num futuro próximo, sim, eu acredito. Não vejo a hora de começar a trabalhar! — Dei de ombros, abri a porta, fechei-a atrás de mim e entrei no elevador que me levaria de volta para Wes e para o quadro em que estávamos trabalhando.
Ele ficaria louco quando eu contasse as boas novas. Eu ficaria em Malibu, tinha uma oferta de emprego e, em algum momento, me casaria com o homem dos meus sonhos. Do nada para muita coisa num espaço de dez meses. Incrível.
***
Wes ficou insanamente feliz por mim. Comemoramos bebendo muito champanhe, fazendo amor na praia onde surfávamos todas as manhãs e caindo em nossa cama grande cheios de sal e areia. Ele teve pesadelos naquela noite, mas sua resposta foi muito diferente.
Eu o senti acordar assustado, mas ele não gritou. Ainda assim, eu conhecia a rotina. Então, levantei da cama para convencê-lo a sair do seu penhasco e depois o amaria com cada centímetro do meu corpo, até que a única coisa que restasse em sua mente fôssemos nós dois e o nosso amor. Mas ele me parou e me abraçou por trás, segurando minha cintura com firmeza. Estava duro como uma rocha em minha bunda, e, sem pensar, inclinei o quadril, roçando nele. Ele sussurrou, a respiração pairando em meu ouvido, me provocando:
— Linda, eu estou bem. — Seu tom era firme, mas o fato de ele ter usado um termo carinhoso foi positivo.
— Você me ama? — perguntei imediatamente. Aquilo funcionou em todas as outras vezes, mas algo havia mudado naquela noite. Era quase como se o script tivesse sido reescrito.
A mão de Wes desceu até meu sexo. No mesmo instante, ao enfiar dois dedos dentro de mim, a umidade os revestiu.
Eu gemia baixa e profundamente.
— Baby... você me ama? — perguntei novamente.
Ele mordeu meu ombro, empurrando para baixo a alça de cetim da camisola, fazendo-a cair em meu braço.
— Sim. Eu amo cada centímetro seu. Eu amo te comer. Porra, eu te amo — ele rosnou e deslizou outro dedo para dentro, enfiando três dedos grossos no meu centro, cada vez mais. Arqueei com seu toque e passei um braço ao redor do seu pescoço.
— Onde você está, baby? — perguntei através da névoa de luxúria. Meus quadris se moviam de encontro às suas estocadas rasas.
— Em você — ele respondeu enquanto lambia meu pescoço. A outra mão deu a volta e segurou meu queixo para cima.
Como um ninja, ele se retorceu e me empurrou com o rosto virado para o colchão, enquanto seus dedos maravilhosos me deixavam. Gemi, irritada. Ele estava respondendo a todas as perguntas que eu fazia, mas seu tom de voz e a forma como agia estavam errados. Com uma precisão inacreditável, ele puxou meus quadris para cima, me fazendo ficar de quatro enquanto me penetrava. Gritei e grunhi. Mesmo que ele estivesse me tocando antes, eu não estava pronta para recebê-lo entre minhas pernas. Seu pau estava duro como pedra e foi implacável quando entrou dentro de mim.
— Eu vou te tomar cada vez mais, linda. Preciso disso. Preciso da sua boceta doce. Da sua umidade. Está tão seco, seco pra caralho. Não consigo respirar! — Ele metia em mim, se inclinando. — Não está molhado. Você é o meu oásis neste buraco do inferno — ele murmurou enquanto mordia a pele na base das minhas costas. Mordeu com tanta força que eu gritei, mas aquilo só o fez aumentar a intensidade.
Doeu muito, mas, ao mesmo tempo, seu pau tocava aquele ponto dentro de mim que me aguçava. A cada impulso brutal, ele lutava mais e mais contra seus demônios, me levando mais alto.
— Me tira daqui, linda. Me leva embora — ele implorou.
Foi demais — a pressão, a dor, a precisão do aperto em meu corpo. Eu não conseguia parar minha resposta física. Atingi o orgasmo, meu sexo apertando-o com força, mas ele não parou e não gozou. Ainda entrando e saindo de mim, Wes me levou ao ápice mais duas vezes. Ele estava perdido na busca de seu prazer, que não vinha. Finalmente, depois de gozar pela quarta vez, desabei no colchão, mas ele segurou firme em meus quadris.
— Não! Eu preciso de você. Preciso que você faça isso ir embora — gritou, soluçando.
Com uma energia que eu não sabia que tinha, fiquei novamente de joelhos e me enterrei em seu pau. Ele tentou me deitar de volta no colchão, mas, em vez disso, fiz pressão contra ele. Seu pau finalmente me deixou quando ele caiu sentado. Eu me virei e montei nele, firmando os joelhos ao lado de suas coxas e apoiando as mãos em seus braços. Parecia um daqueles mostruários de inseto, em que a borboleta fica presa no quadro. Prendi meu namorado. Ele estava tão exausto que permitiu que eu fizesse aquilo. Graças a Deus.
Lágrimas escorriam em seu rosto conforme ele balançava a cabeça de um lado para o outro. Sua pele estava coberta de suor.
Fiquei bem perto do seu rosto.
— Olhe para mim! — falei, alto o suficiente para sobrepor os soluços.
Seus olhos se abriram. As pupilas estavam totalmente dilatadas. Assim como eu suspeitava, ele estava trancado profundamente em suas lembranças.
— Wes! — gritei. — Volte. Pra. Mim. — Beijei seus lábios e, a cada toque, lhe dei amor, estabilidade e seu lar. Eu o senti começar a participar mais, até que finalmente seus dedos se entrelaçaram no meu cabelo, e nossos lábios pairaram a milímetros um do outro.
— Mia... você é o paraíso — ele sussurrou em minha boca, lambendo a pele machucada.
— Wes... — Eu o beijei com cada pedacinho do amor que tinha. Profundamente, línguas enroscadas, lábios com hematoma e almas unidas, até que eu disse a única coisa que selaria aquilo: — Lembre-se de mim, Wes. Baby, lembre-se de nós. — Eu solucei, e seus olhos se abriram. Nada além de olhos verdes, da cor da grama recém-cortada, em uma manhã ensolarada.
— Nada vai me fazer esquecer de você, Mia. Esquecer de nós. Você é minha para sempre. A única razão para lutar contra isso é você... o meu paraíso.
— Baby, eu te amo — Sufoquei a emoção que crescia em meu peito.
— Meu Deus, Mia, dizer “eu te amo” não é suficiente.
Apenas mexendo os lábios, ele começou a falar o que não conseguia dizer com palavras.
Obrigado. Beijou minha testa.
Obrigado. Beijou minhas bochechas.
Obrigado. Beijou meu pescoço.
Obrigado. Beijou meus lábios.

Ele repetiu esse circuito até tudo desaparecer e nós ficarmos em uma ilha escondida, na segurança do nosso amor. Nada poderia estragar aquele paraíso. Nada.

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NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
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