8 de janeiro de 2017

Capítulo Dois

A enorme caixa de roupas, de número cinco, estava fechada e pronta para ser despachada. Coloquei-a na pilha. Judi estava cantarolando na cozinha, fechando as coisas que havia empacotado.
— Terminei aqui — ela falou, alegre. Fiz uma careta. — Meu bem, o que está deixando você tão pra baixo?
Movi o pescoço de um lado para o outro, esperando ouvir o estalo que sinalizaria a liberação da tensão, e franzi a testa quando nada aconteceu.
— Não sei. Odeio dia de mudança. Sempre parece tão definitivo. É como se... você desse um passo à frente e não pudesse voltar atrás.
— Ah, que bobagem. Você vai se instalar muito bem conosco, como se estivesse ali desde sempre.
Como se estivesse ali desde sempre. Ótimo. Uma coisa estagnada e imóvel. Mas eu iria para a casa do meu próximo cliente em poucos dias. Wes sabia disso, e nós ainda não tínhamos discutido o assunto. Eu precisava saber que poderia continuar fazendo o meu trabalho, o qual havia iniciado pela minha família, sem ser obrigada a aceitar uma pilha de dinheiro do meu namorado podre de rico. A última coisa que eu queria era ser uma parasita. As pessoas odeiam parasitas. E eu também. Eles sugam os outros, e eu estava determinada a não ser um deles. Wes, por outro lado, devia gostar de parasitas e esperava que eu fosse vagabundear por aí. De jeito nenhum.
Quando a manhã terminou, depois que havíamos embalado minha vida inteira durante três horas, meu humor não tinha melhorado. Peguei o celular e liguei para a vadia.
— É bom que seja importante. Estou de olho em um jogador dos grandes — disse Gin, do outro lado da linha.
Minha carranca provavelmente piorou quando fiz sons de engasgo, asfixia e outros barulhos.
— O que foi? Não me julgue. Eu não estou montada no centésimo segundo gostosão no espaço de... o quê, seis meses? Uma garota precisa pensar no futuro, sabia?
— Gin, sério? Um jogador dos grandes? Foi você quem disse que não existe nada pior que um jogador. Que esses cretinos perdem a casa, a esposa e o dinheiro da faculdade dos filhos na esperança de ganhar do cassino. Não se misture com esse lixo. Um jogador realmente dos grandes estaria atrás de portas fechadas, em torneios clandestinos de pôquer, jogando com os amigos ricos, e não se exibindo para uma garota de Las Vegas. Deixe o cara pra lá e fale comigo.
O som estalado de seu chiclete soou alto em meu ouvido. Mesmo com medo de ter perfurado meu tímpano, eu preferia ouvir aquilo ao som da sua baforada num cigarro.
— Eu me mudei para a casa do Wes.
O barulho do chiclete parou. Tudo parou. Nenhum som na linha. Afastei o telefone e olhei para a tela. A ligação não tinha caído.
— Gin? Alô?
— Você se mudou para a casa do partidão número um? Não. Brinca. Porra. — Seu tom era surpreso e parecia querer dizer “puta merda”.
— Err... não exatamente. Quer dizer, mais ou menos. Sim. Talvez. Hum... sim? — Mordisquei a unha.
— Você foi morar com o Ken Malibu?
Pisquei e esperei.
— O sr. Regras? — ela alfinetou.
Mais uma vez, ficar em silêncio era a única opção. Eu a conhecia a vida toda, e sabia que ela precisava de um tempo para processar essas coisas.
— O deus dourado da prancha de surfe? — Sua voz ficou sonhadora. Certo, agora estávamos chegando a algum lugar. — O roteirista de filmes que muda os personagens para que eles fiquem parecidos com a gata da minha melhor amiga? Você se mudou pra casa dele? A mansão em Malibu?
— Não é exatamente uma mansão... — comecei, mas ela me cortou.
— Cala a boca! Você. Está. Louca? Precisa que a sua cabeça seja analisada?
Esfreguei o topo do couro cabeludo.
— Não. Eu mesma fiz isso.
Ela gemeu.
— Tá. Me diz uma coisa. Vai ser chato te perguntar isso, mas eu preciso. — Respirando lentamente, eu me preparei para a artilharia pesada. — Você está fazendo isso por causa daquele babaca de pau pequeno que te atacou em Washington?
Fechei os olhos e me abracei.
— Não, amiga. De jeito nenhum. Quando eu estava em Miami, o Wes foi me ver no meu aniversário.
— Sim, sim, eu sei. Fui eu que avisei pra ele, lembra?
— Enquanto ele estava lá, nós dois admitimos alguns sentimentos... Coisas que a gente estava sentindo desde que eu fiquei aqui, em janeiro. Gin, eu amo o Wes.
— Ah, meu senhor... Não vem de novo com essa merda de “eu amo o cara”! — Ela começou a murmurar alguma coisa que não consegui ouvir, mas eu sabia que era um discurso completo. — Você ama todo mundo, Mia. Faz parte do seu DNA, do seu código genético. Você conhece um gostosão. Trepa com o gostosão. Se apaixona pelo gostosão. Esta não é a primeira nem a última vez que você repete esse padrão.
Ginelle tinha razão. No passado, esse tinha sido o meu modus operandi. Mas não agora. Não com Wes.
— Eu não fiz isso com os outros caras com quem transei este ano. Pode me explicar?
— Eu vou te explicar o que acontece numa transa. Ok. Quando um cara e uma moça se encontram, acontece uma química que libera feromônios...
Gemi e soltei uma respiração áspera.
— Ginelle! Foco! — Quase pisei em meu próprio pé, exasperada. Merda. Eu tinha ligado para a irmã errada. Devia ter ligado para Maddy, a irmã de sangue, não a de alma. Ela teria ficado louca de felicidade. Principalmente porque tinha encontrado o seu primeiro e único amor e estava comprometida com ele. Ia se casar. Pessoas assim querem que todos os outros fiquem como elas: felizes e apaixonadas.
— Mia, eu... eu só não quero que você se machuque. Mais uma vez. — Ela suspirou longa e profundamente. Tanto que pude sentir o ruído de sua angústia, mesmo àquela distância.
— Eu sei, Gin. Eu entendo. É que... você sabe que nós dois ficamos nesse chove não molha durante meses. Se eu não tivesse que resolver a confusão do pops, ainda estaria aqui.
— Se você não tivesse que resolver a confusão do pops, jamais teria estado aí! — Touché. Boa lembrança. — E quanto àquela mulher, a va-Gina? O que aconteceu com ela? — Seu tom era de desdém e não escondia o desgosto.
— Acabou.
Ela pigarreou.
— Acabou. É isso aí. Já era. — A pronúncia forçada deixava clara sua descrença.
Dei de ombros, mas ela não podia ver.
— Segundo o Wes, sim.
Outro som sufocante veio através da linha.
— Pelo menos ele tem bom senso.
Uma risada surgiu, liberando o aperto que pressionava meu peito. A tensão que senti começou a se dissipar, trazendo alívio.
— Fique feliz por mim — sussurrei, quase implorando.
— Amiga, eu estou. Sempre vou estar, mas você sabe que a sua melhor amiga tem que jogar dos dois lados. Te proteger até quando você mesma não faz isso. Está no livro das melhores amigas, logo abaixo da parte que diz: “Dê um tapinha nas costas dela e faça a garota se sentir melhor quando tiver uma transa casual e não lembrar o nome do cara no dia seguinte, agindo feito uma biscate”. É o meu trabalho garantir que, mesmo quando você estiver agindo como uma biscate, não se sinta assim.
Sua lógica tinha mérito. Um mérito meio torto, mas, ainda assim, ela se importava. Ginelle me amava mais que a maioria das pessoas, e eu tinha certeza disso, tanto quanto tinha de que eu amava camisetas de bandas e minha moto, a Suzi.
— Obrigada. Pelo cuidado e pela preocupação... mesmo que você seja uma vadia barata.
Ela respirou fundo.
— Sei... Então nós voltamos a isso. Tudo bem. — Ela estalou a língua. — Peguei você. Te enganei direitinho, sua maluca.
E ali estava minha amiga. Eu sorri.
— Pelo menos eu não rebolo pra ganhar a vida — mandei de volta.
— Pelo menos eu não abro as pernas por dinheiro, vagabunda!
— Te amo, Gin.
— E eu amo essa sua cara feia. Te vejo em breve?
— Espero que sim, bunda-mole. — Desliguei super-rápido. Essa era a regra. Eu ganhei. Girei o punho no ar e fiz uma dancinha feliz, mexendo os joelhos para dentro e para fora enquanto rebolava do jeito que Maria De La Torre me ensinou em Miami. Nossa, aquela mulher sabia dançar. Agora, se eu parecia uma galinha sem cabeça ou não, era outra história. Pelo menos, com minha melhor amiga, a última palavra foi minha. Isso raramente acontecia, mas esse round... era todo meu.
***
— Eu não quero que você vá. — Wes mexeu os quadris, pressionando profundamente. Ele estava ficando duro de novo dentro de mim, apesar de termos acabado de encerrar uma rodada de sexo enlouquecedor.
— Nós já conversamos sobre isso. Você concordou.
Ele franziu a testa e empurrou os quadris de leve. O suor em nossos corpos ainda não havia secado e ele já estava começando a segunda rodada. Insaciável. Eu era uma garota de sorte, muita sorte.
Seus dedos apertaram a parte carnuda dos meus quadris.
— Eu sei que já conversamos, mas achei que talvez eu pudesse te convencer de outra maneira, mais agradável. — Ele se inclinou e tomou um mamilo rosado na boca. O calor daqueles lábios em meu seio, combinado com os movimentos suaves de sua língua, me fez me esfregar instintivamente em sua pélvis, forçando a ereção entre minhas coxas ainda mais fundo. Nós dois gememos. — Está vendo? Você já está começando a entender. — Ele sorriu e me penetrou mais fundo enquanto puxava minha cintura. Totalmente duro dentro de mim. Coloquei as mãos em seu peito, usei a força das coxas para me levantar e sentei nele. — Ahh, nossa! Avise da próxima vez, baby. Assim você me capa antes mesmo de a diversão começar. — Ele ergueu o tórax, apoiado nos calcanhares, e deslizou para a cabeceira da cama, onde se recostou, me aconchegando em seus braços. Levantando os dois joelhos em um ângulo de noventa graus, seu membro, duro como aço, ficou em uma nova posição dentro de mim, muito linda, por sinal. Eu me casaria com aquela posição se pudesse.
Suspirando, envolvi seu pescoço com as mãos e trouxe seus lábios para os meus. Língua com língua, peito com peito e coração com coração, ficamos dando uns amassos. Nenhum dos dois se mexia. Ele era grosso, longo e ainda estava enterrado profundamente em mim. Eu o beijei, me entregando àquele momento. Eu queria que ele soubesse que o que havia entre nós era real. Não importava aonde eu fosse, estava comprometida com aquilo. Com ele. Com nós dois.
Wes rosnou e mordeu meu lábio.
— Você vai mesmo embora amanhã, né?
Assenti e esfreguei a testa na dele. Nossas bocas estavam tão próximas que respirávamos o ar um do outro. Era íntimo demais. Estar perto dele, compartilhar o ar que sustentava a vida com ele profundamente dentro de mim. Tudo isso era mais que mágico.
Como ele havia dito antes... era o paraíso. E foi então que eu me dei conta. Wes e eu teríamos anos daquilo, uma vida para compartilhar, amar, viver um para o outro. Infelizmente, naquele momento, eu precisava cuidar da minha própria vida e da do pops antes de poder ficar naquela bolha para sempre.
— Wes, você sabe que eu preciso ir. O nosso relacionamento tem que ficar livre da dívida do meu pai.
— Seria tão mais fácil se você simplesmente pegasse o meu dinheiro, pagasse aquele imbecil e ficasse aqui comigo. Você não quer ficar aqui? Recomeçar a vida do zero, livre?
— Eu adoraria, Wes, mas eu me conheço. — Coloquei a mão no peito, no lugar do coração. — Eu sei que, no fundo do meu coração, sempre sentiria que te devo alguma coisa. Meio milhão de dólares não é uma quantia que eu conseguiria devolver. Nunca. Nós não podemos começar a nossa relação com um devendo alguma coisa para o outro. Não é certo. Isso não seria um recomeço.
Seus ombros caíram, e ele segurou minhas bochechas.
— Me mata saber que você vai passar um tempo com outro homem. Que vai permitir que ele dê em cima de você. Se apaixone por você.
Dessa vez fui eu quem segurou seu rosto.
— Isso não vai acontecer.
— Não? — Sua sobrancelha se arqueou de maneira desafiadora.
Acariciando de leve sua testa, balancei a cabeça.
— Não, não vai.
— Mas aconteceu comigo. Eu me apaixonei por você. Aposto que metade dos homens, se não todos eles, se apaixonou por você de alguma forma. Quem garante que, nos próximos meses, um deles não vai ser o homem mais incrível que você já conheceu? E se ele quiser te conquistar? Hein? E aí?
Respirei fundo.
— Impossível.
— Mas é... — ele começou, até que coloquei dois dedos sobre aqueles lábios que eu estava morrendo de vontade de morder.
— Não. É impossível, porque alguém já deu em cima de mim. Eu já conheci o homem mais incrível do mundo, e ele me conquistou tão completamente que eu não consigo nem olhar para outro. — Ele abriu aquele sorriso sexy de surfista, que eu queria admirar todos os dias pelo resto da vida. Entendi isso como um sinal de que era o momento de mostrar quanto ele significava para mim. Pairando meus lábios sobre os dele e sentindo sua respiração contra a minha, sussurrei: — O meu coração pertence a você. O meu corpo pertence a você, porque eu te amo. Você precisa confiar em mim.
Wes fechou os olhos. Ele parecia um anjo quando estava de olhos fechados. Cílios negros contrastando com a pele bronzeada. Seu cabelo, um emaranhado confuso de camadas douradas, atingiu meu coração com uma onda de paixão tão profunda que quase não consegui respirar. Afastei uma mecha de sua testa e acariciei sua têmpora com um dedo, deslizando-o pela lateral do rosto até o queixo, que segurei entre o polegar e o indicador. Levantei seu rosto até ele abrir os olhos.
— Eu te amo, Wes. Você. Por favor, confie que eu vou fazer o que é preciso, sabendo que eu vou ser fiel. — Então, eu o beijei.
Percebi o momento em que o beijo mudou. Seus lábios ficaram mais firmes e a boca se abriu mais; a língua ficou mais gananciosa, e, quando os dentes entraram no jogo, com a mão em volta do meu pescoço, ele assumiu o controle do beijo. Liderou o caminho por uma trilha de fogo e luxúria, um desejo tão feroz que roubava tudo, menos a necessidade de me possuir. Nossos corpos se fundiram, e qualquer pensamento que não dissesse respeito a nós dois voou para quilômetros de distância de onde estávamos nos adorando.
— Eu quero você o tempo todo — Wes resmungou. Seus dedos se cravaram em meus ombros, ao mesmo tempo em que o quadril pressionava, me penetrando impulso após impulso. O prazer entorpecente era tão intenso que meus dentes batiam com cada golpe.
Suguei seus lábios, esfreguei a boca em sua bochecha numa trilha molhada de beijos, chegando ao seu ouvido e chupando a cartilagem até que ele gemeu e seu corpo apertou.
— Eu sempre quero mais — confirmei, ofegante, perdendo a cabeça quando me ergui novamente, espremendo seu pau com as paredes sensíveis do meu centro, tentando tirar o máximo de prazer possível não só para mim, mas para ele também. Quando apertei seu membro, sua mandíbula cerrou. Amei fazê-lo sorrir e sentir aquilo, sentir tanto prazer que ele esqueceria qualquer mulher que tivesse chegado antes de mim.
Impulso após impulso, metemos um contra o outro o máximo que conseguimos aguentar. Aquilo não era fazer amor. Não era sexo. Era uma trepada com força, não exatamente com raiva, mas definitivamente sem borboletas, arco-íris e palavras suaves de amor. As coisas safadas que ele dizia me deixavam mais quente, mais úmida e totalmente louca.
— Vou deixar essa boceta dolorida. — Ele me penetrou com força. Naquele ponto, eu estava segurando a cabeceira da cama enquanto ele forçava os quadris para cima e eu movimentava a bunda para baixo, juntos em uma confusão de membros nus e partes íntimas escorregadias.
Ele me comeu com tanta força e intensidade que eu perdi a capacidade de falar de forma coerente. Uma série de grunhidos, murmúrios e gemidos saiu da minha boca enquanto eu montava Wes, a um sopro de distância do segundo clímax da noite.
Ele sugou um mamilo e mordiscou a ponta. Gritei, segurando sua cabeça contra mim. Não queria que ele parasse de chupar, morder ou enviar aqueles impulsos elétricos de êxtase direto para o meu clitóris a cada golpe.
— Alguém gosta que eu dê atenção aos seios, não é, linda?
Não consegui responder, pois estava muito perdida na beleza que era transar com Wes. Ele mudou de seio, sugou e mordeu o mamilo até eu girar os quadris, tão molhada que podia ouvir o barulho de nossos corpos juntos. O entra e sai do seu pau quando se enterrava profundamente e tirava, roçando minha carne hipersensível, me deixou tonta. Era o céu e o inferno de uma vez só. Cada metida era tão boa que eu suspirava. Cada vez que ele tirava era tão gostoso que minha única preocupação era que o seu corpo estava deixando o meu, e eu não queria que isso acontecesse.
— Eu quero que você goze no meu pau, linda. Eu preciso sentir quando essa boceta doce estremecer em mim. É sexy demais o jeito como ela me aperta, como se nunca mais quisesse me deixar. Não se preocupe... — Ele meteu com força e eu ofeguei, sentindo as ondas e os formigamentos do orgasmo prestes a explodir. — Eu vou te preencher tanto que você vai sentir o meu fluido escorrendo entre as pernas por dias, só para te provar que eu sou o dono dessa boceta. Eu. Agora goza! — ele ordenou, e o meu corpo respondeu.
Tensionei cada músculo, os nervos faiscando a cada nova onda que batia em mim. Toda a minha pele se sentia viva, amada e, mais importante, adorada. Apertei as mãos ao redor do pescoço de Wes, colando meus lábios nos dele, e o beijei com tudo o que eu tinha, lambendo e mordiscando, até que o corpo dele ficou muito duro e ele gemeu, grunhiu e convulsionou debaixo de mim. Com sua boca na minha, provei seu desejo, sua paixão e seu amor quando ele soltou sua essência, bombeando dentro de mim.
— Amor — ele disse em minha boca com os lábios macios, úmidos e sensíveis dos meus beijos.
— Amor — repeti.
— Minha — ele ofegou, a última onda do orgasmo derrubando seu corpo grande.
— Meu — concordei, basicamente porque eu era dele e ele era meu. Não havia outra definição dali em diante. Eu só esperava que desse certo, que tivéssemos finalmente chegado a um acordo sobre o meu trabalho e a nossa situação como casal. Eu não estava indo embora, nem podia ficar. Por enquanto. Mas em breve, e eu esperava que fosse pelo resto da vida, eu estaria nesta cama, com este homem, fazendo exatamente isto, daqui a um, dez, cinquenta anos, até dar o meu último suspiro.
— Eu não acredito que você vai mesmo embora — ele falou, dando beijos ao longo do meu pescoço e clavícula, massageando minha nuca e me acalmando em um estado de puro êxtase. Não que eu já não estivesse lá, depois das duas rodadas de sexo.
— Sim, mas sabe de uma coisa? — Entrelacei os dedos em seus cabelos.
— Humm? — ele murmurou, um pouco melancólico.
— Eu vou estar de volta em três semanas. Prometo que volto pra casa entre um trabalho e outro.
Um enorme sorriso apareceu em seu rosto.
— Pra casa? — Ele sorriu, sem esconder o fato de que adorava quando eu usava essa palavra de forma incontestável. Quando eu dava a entender que “casa” significava estar aqui, em Malibu. Que, sorrateiramente, ele tinha me convencido a me mudar.
— Sim. A minha casa é onde você está. — Deitei a cabeça em seu peito e beijei o lado do coração. — Mas eu vou ficar com saudade.
Ele suspirou.
— Vou ficar com mais saudade ainda. — Mesmo duvidando, amei ouvi-lo dizer aquilo.

Eu nunca tinha sido algo mais para alguém, mas, agora que era, entendia por que as pessoas faziam aquilo. Se comprometiam com quem amavam. Saber que eu era a escolhida de alguém, sua luz, o final feliz de um dia de merda, me dava uma sensação de poder que não podia ser apagada. Estaria sempre lá, brilhando pelo amor dele e iluminando o meu caminho de volta para casa.

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