10 de janeiro de 2017

Capítulo Dois

Um calor absurdo atingiu minha pele, ondulando sobre cada curva até estar avassaladoramente quente. O peso que emanava o calor tornava difícil me mexer. Tentei movimentar as pernas, mas elas estavam presas. Havia uma perna peluda em cima das minhas coxas. Espere. O quê? Quando meu cérebro começou a funcionar, tudo dentro de mim enrijeceu. Meu coração começou a bater tão forte que eu parecia ter um tambor dentro do peito, alto o suficiente para acordar a pessoa que dormia a meu lado. Imediatamente minha pele ficou fria e úmida. A ansiedade fez os receptores de medo despertarem.
Muito lentamente, movi os braços, tensa e preparada para atacar. Apertei a mão em punho, preparei o cotovelo para golpear, me inclinar e rolar, como tinha aprendido na escola, na aula de defesa pessoal. Só então pararia. Golpear. Me inclinar. Rolar. Repeti o mantra mentalmente. Golpear. Rolar. Cair. Realmente cair pela lateral da cama e correr feito louca.
Um gemido masculino soou atrás de mim, e os dedos que me seguravam me apertaram mais ainda.
— Posso ouvir os seus pensamentos. — A voz estava rouca de sono.
Bem quando eu estava prestes a atacar e utilizar o método de golpear/me inclinar/rolar, aquela voz acabou com o plano, como se fosse uma faca afiada cortando uma fita de cetim. Uma nova sensação me envolveu, ao mesmo tempo em que um arrepio atingiu minha pele, seguido de calafrios incontroláveis. Lágrimas se formaram em meus olhos e eu me virei. O aperto forte ao meu redor cedeu apenas o suficiente para que eu pudesse me mover. Eu estava cara a cara com o único homem que eu queria mais que o próprio oxigênio.
Wes.
As lágrimas caíram. Sua mão se aproximou e segurou meu rosto.
— Sentiu minha falta? — Ele sorriu e eu perdi a cabeça.
Rápida como um ninja, rolei sobre seu corpo e montei em seus quadris. Uma parte muito impressionante daquele corpo também estava ansiosa para dizer oi, mas eu chegaria lá mais tarde. Minha boca já estava em ação. Espalhei beijos por todo o seu rosto. Na testa, nas bochechas, ao longo do queixo barbudo que fazia cócegas e provocava meus lábios. Evitei o pescoço, onde um curativo cobria a ferida.
Meu Deus, não acredito que ele está aqui em carne e osso.
Finalmente, grudei a boca na dele. Ele a abriu imediatamente. Não esperei nem meio segundo para torná-lo meu.
Sua língua estava quente, molhada, e era tudo o que eu tinha sonhado durante os últimos dois meses. Segurei seu rosto, e nossas línguas se entrelaçaram. As mãos de Wes subiram e desceram em minhas costas, seus quadris pressionaram meu centro, tanto me acalmando quanto acendendo um fósforo sobre o desejo que queimava dentro de mim.
Ele se afastou brevemente do beijo, com um rosnado feroz.
— Eu preciso estar dentro de você, Mia. Me faça inteiro.
Sem perder o toque de seus lábios, me desloquei, ficando de joelhos para conseguir tirar sua cueca. Lutei com a peça, tentando abaixá-la o máximo que conseguisse, então a empurrei por suas pernas. Ele terminou de tirá-la e agarrou meus quadris. Seu membro era longo, grosso e estava duro como pedra, orgulhosamente ereto, esperando para me possuir.
Não houve necessidade de preliminares, toques suaves ou palavras sensuais. Aquilo não era fazer amor ou transar com a pessoa de quem você sentiu saudade depois de um longo período. Não, aquilo era uma exigência. Animalesca, repleta de um senso implacável de adoração e necessidade carnal.
Fiquei de joelhos mais uma vez, espalhei a gota perolada na ponta de sua grossa ereção, gemendo conforme salivava com o desejo de chupá-lo, mas eu precisava mais daquela conexão intensa. Sentei nele com força e gritei quando seu pau entrou bruscamente em mim. O ar deixou meus pulmões enquanto meu interior apertava e pulsava ao redor de seu membro duro. Inclinando-me para a frente, apoiei a palma das mãos em seu peito, na direção do coração, e olhei em seus olhos verdes brilhantes.
— Wes... — bati de leve em seu peito —, você é de verdade.
— E você é um colírio para os olhos. — Ele inspirou, seu olhar me dizendo tudo. Quanto ele sentiu a minha falta. Seu desejo por mim. E que o amor que sentíamos o tinha trazido de volta para casa. — Caramba, você é linda demais. — Ele segurou meus quadris com força, deixando hematomas com a intensidade.
Eu não me importava. Queria sua marca em mim. Saber que ele havia me marcado fisicamente significava que ele estava em casa, em carne e osso, para provocar aquilo. Eu nunca mais o deixaria ir embora.
Wes passou as mãos em minha camiseta regata. Eu a tirei e a joguei para o lado. Então o cavalguei, e ele respirou com força por entre os dentes e fechou os olhos.
— Não feche os olhos! — Minha voz tremeu.
Wes lambeu os lábios, me puxou para cima, para que seu pau quase saísse de dentro de mim, antes de deixar a gravidade assumir e me fazer descer novamente. Nós dois ofegamos com a profundidade. Seu membro inchou enquanto eu o apertava.
— Por quê, baby? — ele perguntou, metendo fundo dentro de mim. Seu membro duro como uma rocha roçava o local perfeito dentro de mim. Acariciei seu rosto, tocando cada um de seus traços, me certificando de que ele era real. Quando cheguei aos lábios, ele sugou e mordiscou meus dedos, enviando um choque de puro êxtase através de mim. Minha boceta apertou o cerco e a umidade deixou escorregadio o ponto em que nossos corpos se encontravam. Balançando para a frente e para trás, para cima e para baixo, ele me deixou definir o ritmo. — Por quê? — perguntou novamente, brincando com meus mamilos, puxando-os e alongando-os até que ficassem doloridos, implorando pelo calor de sua boca. Apoiando a mão no centro de seu peito, me movimentei num vaivém, esfregando o clitóris em seu osso pélvico. — Linda... Você vai me fazer gozar.
— Esse é o plano. — Além de distraí-lo da sua pergunta.
Mas Wes não permitiria isso. Ele segurou minha cintura com força, me impedindo de me mover. Era como estar pregada na parede, só que eu estava presa a um enorme pedaço de homem, suculento e pulsante. Choraminguei. Estava tão completa, mas ele me negava o prazer de cavalgá-lo até gozar.
— Me conta.
Girei a cabeça, liberando o pescoço da tensão que parecia estar lá há uma vida.
— Baby, nos meus sonhos os nossos olhos estão fechados — eu disse simplesmente. Era uma resposta vaga que escondia a verdade.
— Você sonhou muito comigo? — A pergunta me surpreendeu, indo direto para o ponto central de medo que eu sentia agora. Eu acordava sozinha, destruída e com um buraco tão grande no peito que todo o Pacífico poderia entrar nele e não me afogar. Não respondi a princípio, mas então ele mexeu seu pau dentro de mim, me acariciando em um padrão circular, fazendo o clitóris pulsar e o resto do meu corpo tremer. — Sonhou, linda? — Assenti e mordi o lábio, apreciando cada contração em meu interior. Não queria que ele saísse de dentro de mim nunca mais. Se eu fosse honesta, nunca desejei que ele saísse. Ponto-final. — Você gozou pensando em mim? — Seus olhos brilhavam num tom verde-escuro e as pupilas dilataram.
Suspirei e relaxei quando ele deixou que eu me movesse e balançasse os quadris para sentir um pouquinho de alívio.
Inspirando suavemente, respondi. Eu faria qualquer coisa por ele, mesmo que aquilo me envergonhasse. Ele estava de volta.
— Às vezes. Normalmente você desaparecia, e eu estava sozinha em uma cama estranha.
Ele segurou meus quadris, ajudou a me puxar para cima e controlou meu ritmo quando desci, centímetro por centímetro. Seu pau grosso pressionou lentamente os tecidos sensíveis, provocando arrepios em meu núcleo, anunciando o orgasmo iminente.
— Não feche os olhos — pedi novamente.
— Eu não vou a lugar nenhum.
Wes levantou o tórax e se arrastou para trás, até apoiar as costas na cabeceira da cama. Seu pau estava incrivelmente enterrado dentro de mim e eu ofeguei, deixando a cabeça cair para trás. Meu cabelo tocou minha bunda e suas coxas. Uma de suas mãos me segurou firme pela cintura, a outra desceu pela minha coluna e depois subiu, acariciando entre as omoplatas, até que entrelaçou os dedos no meu cabelo e puxou... forte. Ele forçou minha cabeça para cima até que estivéssemos olhos nos olhos. O aperto firme em meu cabelo e o calor que formigava na raiz fizeram a dor se transformar rapidamente em prazer. Eu gemia, com a boca pairando sobre a dele.
— Foi isso aqui, linda. O que a gente tem. Você e eu. Foi isso que me manteve vivo. Eu devo a minha vida a você. — As lágrimas me encheram os olhos enquanto ele olhava para mim como se pudesse enxergar minha alma.
Umedeci os lábios, tocando os dele. Engoli em seco quando duas lágrimas escorreram pelo seu rosto.
— Não, Wes. Eu vivo por você. Você me faz acreditar que eu mereço mais. E, baby, você é o meu mais... o meu tudo.
Seguramos o rosto um do outro enquanto nossos lábios se juntavam, tomando, dando, amando. O que antes eu pensava ser amor não tinha absolutamente nada a ver com isso. Eu sabia que nunca amaria outro homem do jeito que amava Weston Charles Channing Terceiro.
Ele se afastou e traçou meu rosto com beijos, ainda dentro de mim. Era como se estivesse satisfeito apenas por estar ali, compartilhando um só corpo comigo.
— Eu vou casar com você em breve. — Sua respiração estava quente em minha orelha, mas as palavras foram abrasadoras, fazendo o calor em meu coração me envolver. Apertei o cerco ao seu redor e ele gemeu.
— Isso foi um pedido? — Movi os quadris, fazendo-o lembrar como estávamos conectados. O prazer de tê-lo ali, firme e decidido, era muito afrodisíaco. Suspirei, me apoiei nos joelhos, me afastei alguns centímetros e depois me abaixei, reacendendo o fogo.
Ele gemeu e brincou com meus mamilos novamente antes de se inclinar para a frente e tomar um deles em sua boca quente. Segurei sua cabeça contra o peito, adorando tê-lo ali mais uma vez. Meus mamilos doíam com a expectativa. Wes sugou a ponta dura, afastando-se e a tirando da boca. Sua saliva brilhava no bico, sob a luz da manhã. Uma exibição sexy que imitava o que estava acontecendo lá embaixo.
— Não estou pedindo, porque você não tem a opção de dizer não — ele respondeu antes de passar a língua ao redor do outro seio.
— É mesmo? — Gemi e girei os quadris, buscando mais atrito.
Ele rosnou em meu peito.
— Eu sou o dono deste corpo. — Chupou a ponta com força, enviando choques de prazer para baixo, me deixando incrivelmente molhada. Seus lábios se arrastaram pela pele, até o ponto em que o meu coração batia forte. — Eu sou o dono deste coração. — Ele lambeu e beijou a pele, as mãos entrelaçadas em minha nuca. Seus lábios pairaram sobre os meus. — Nós somos os donos deste amor. — Selou sua declaração com um beijo que entorpeceu minha mente e fez os dedos dos meus pés se curvarem.
Weston estava certo. Nós éramos os donos daquele amor e, pela hora seguinte, ele me mostrou exatamente quanto, e eu perdi a cabeça várias e várias vezes.
***
Fiquei assistindo Wes dormir e analisando cada respiração sua depois que fizemos amor. Nunca pensei que o simples ato de observar o homem que eu amava dormir, respirar e apenas existir me daria aquela paz, mas foi o que aconteceu. Ele tinha me surpreendido quando acordei com seu corpo abraçado a mim. Ainda assim, enquanto passava os dedos por seu cabelo, eu achava difícil acreditar que ele estava mesmo seguro, ressonando em casa. Debilitado, mas vivo e dormindo ao meu lado.
De repente, a porta do quarto se abriu e a sra. Croft entrou. Ela me observou, depois viu Wes. A pilha de lençóis limpos balançou em suas mãos quando ela ofegou. Eu sorri. O rosto de Judi se iluminou e as bochechas coraram lindamente. Rápida, ela colocou as toalhas e os lençóis na cômoda, se virou e saiu do quarto.
Levantei devagar e vesti a camiseta branca que Wes tinha usado, permitindo que seu cheiro me envolvesse. Deixei o quarto na ponta dos pés e fui até a cozinha, onde Judi estava pegando algumas caixas no armário. Sua mão tremia quando ela colocou a mistura para panqueca sobre o balcão.
— Judi? — Passei pelo balcão e ela parou, os ombros caindo. Em uma explosão, ela se virou e me puxou em um abraço esmagador.
— O meu menino está em casa. Graças ao Senhor lá do céu. — As lágrimas se misturaram com o riso enquanto eu a abraçava. — Agora nós podemos ser uma família.
Lá estava novamente. Aquela palavra que tinha começado a significar mais para mim do que qualquer outra coisa.
— Se depender do Wes, isso vai acontecer mais cedo do que você imagina.
Ela deu um passo para trás, suas mãos apertando meus braços. Franziu a testa e inclinou a cabeça.
— Como assim? Ele fez o pedido? — A mão delicada foi para a boca enquanto seus olhos se arregalaram. — Aquele danadinho. — Seu tom era de espanto e emoção.
— Ele não me pediu em casamento.
Judi franziu o cenho e colocou as mãos nos quadris.
— O quê?
Eu a encarei e lhe dei o que ela queria.
— Ele me avisou que nós vamos nos casar.
A mulher que mais havia cuidado dele, depois de sua mãe, abriu um largo sorriso.
— Eu lhe disse que, quando ele decide algo, sempre consegue o que quer. — Ela se virou, pegou a frigideira e outros utensílios de que precisava.
— O que você está fazendo? — Olhei para o relógio, que marcava meio-dia.
— Um café da manhã de boas-vindas especial para vocês, meu amor.
É claro que sim. Judi demonstraria sua felicidade cozinhando. E eu comeria cada pedacinho. Meu estômago já estava começando a roncar com a ideia de saborear uma refeição caseira. Desde o Texas eu não comia comida de verdade.
Eu estava me servindo uma xícara de café quando um par de braços fortes e quentes rodeou minha cintura.
— Hum, você não estava lá quando eu acordei. Não gosto disso. — Seu tom deixou claro que ele não estava brincando. Era estranho ouvir aquilo do meu namorado descontraído e casual. Mais que estranho.
Rindo, me apoiei nele. Minha têmpora entrou em contato com alguma coisa áspera, que arranhava.
— Desde quando? — Eu queria suavizar o comentário que ele tinha feito. Eu não gostava daquela súbita mudança de personalidade. Antes, quando dormíamos na mesma cama, quem acordava primeiro sempre deixava o outro descansar. Era o nosso costume. Agora, as coisas eram diferentes.
— Não faça perguntas se não quiser as respostas — ele advertiu, sua voz mais dura que o habitual. O Wes casual de sempre ainda estava lá, mas parecia enterrado debaixo daquela versão maculada de sua personalidade.
Aquilo que estava arranhando minha testa tinha uma borda afiada que me cutucou.
— Ai. — Levantei a mão e os dedos tocaram o tecido.
— Merda! — Um murmúrio de dor, combinado com um silvo, deixou a boca de Wes, enquanto suas mãos seguravam com força meus quadris.
Eu me virei e observei o machucado. Na lateral de seu pescoço havia um grande curativo branco, que eu tinha visto antes de atacá-lo feito uma ninfomaníaca. No centro havia uma mancha, que estava ficando mais vermelha a cada segundo.
— Ah, meu Deus, o tiro. Merda! Eu devia ter sido mais cuidadosa. — Foi quando me dei conta de que Wes não estava absolutamente perfeito. Olhei para ele com um olhar mais crítico, agora que a necessidade de completar nossa conexão havia sido saciada.
Seu peito tinha várias manchas e contusões. Em um dos antebraços havia uma série de marcas que pareciam queimaduras. Com dedos trêmulos, examinei as feridas.
— Baby... — O nó na garganta me impediu de falar.
— Eu estou bem. Nós estamos em casa e podemos seguir em frente. — Sua voz era firme. Uma pontada de raiva cortava como uma faca cada palavra murmurada.
— Você não está bem. — Eu me inclinei e beijei cada machucado e cicatriz que encontrei. A mais preocupante era a do pescoço. — Por que o tiro não está cicatrizado?
— Os pontos abriram alguns dias depois da cirurgia e precisaram ser refeitos. Aparentemente, eu preciso ficar na cama o tempo todo para evitar movimentos bruscos que possam abrir a ferida. — Ele sorriu e eu fiz uma careta. Enquanto ele estava desaparecido, eu quase enlouqueci. Ele deve ter ficado dez vezes pior. Posso imaginar o tipo de paciente que ele foi.
Continuando meu exame do seu corpo, observando cada um dos ferimentos, notei as marcas em seu antebraço esquerdo, que pareciam vergões vermelhos, já com casca. Quando fui colocar a boca sobre um deles, ele segurou meu pescoço.
— Não faça isso. Não quero que a sua perfeição seja contaminada pelo mal. — Sua mandíbula estava apertada, e seus olhos pareciam buracos negros com aros verde esmeralda.
Sem dar atenção às suas palavras, olhei atentamente para uma das cicatrizes. Ele fechou os olhos e tensionou a mandíbula.
— Os olhos, baby. — Eu o lembrei da minha necessidade de que ele ficasse de olhos abertos. Ele sabia que eu ainda estava abalada com seu rapto, e a única maneira de passar por isso seria se enfrentássemos juntos. Tínhamos que abrir as feridas psicológicas e fazê-las sangrar para que pudéssemos curá-las.
O olhar de Wes se prendeu no meu. Suas narinas abriam e fechavam enquanto eu pairava sobre as feridas. Mantendo contato visual, coloquei os lábios sobre uma das queimaduras. Se tivesse acontecido o que eu pensava — e eu já tinha visto um dos capangas de Blaine infligir esse tipo de castigo —, os terroristas haviam apagado cigarros nos braços do meu lindo. Torturado sua pele bonita e bronzeada, deixando lembretes do lugar onde ele esteve. Eu queria apagar aquelas memórias, substituí-las por algo belo.
Então, fiz a única coisa que poderia fazer. Beijei cada marca, reivindicando-o.
— Eu sou a dona deste corpo — sussurrei suas palavras de volta para ele, indo do braço em direção ao peito. Coloquei os lábios sobre seu coração, beijei e lambi o espaço, do mesmo jeito que ele fez. Wes gemeu baixa e profundamente, mas manteve os olhos abertos. — Eu sou a dona deste coração. — Umedeci os lábios, fiquei na ponta dos pés e passei os braços ao redor de seus ombros, tomando cuidado para não tocar a área machucada em seu pescoço. Aproximando os lábios dos seus, eu disse as palavras finais: — Nós somos os donos deste amor. — Então eu o beijei, longa e profundamente, com cada partícula de amor que mantivera dentro de mim pelos dois meses anteriores.
— Vocês dois vão ficar se agarrando o dia todo, ou vão comer o que eu preparei? — Judi perguntou do outro lado da cozinha, interrompendo o que certamente seria uma nova rodada de sexo pesado bem ali onde estávamos.
Wes riu em meus lábios. Com uma mão ele segurava minha cintura, mantendo nossos corpos colados, e com a outra agarrava intensamente minha bunda. O lampejo de tesão começou a se acender devagar em meu ventre.
Esfreguei o nariz contra o dele.
— Nós temos a eternidade, baby. Vamos comer. Você está muito magro — eu disse, sentindo os contornos das costelas quando passei a mão em seu peito nu. Ele tinha perdido peso, mas isso não afetou a perfeição do tônus muscular e do tanquinho. O V sexy em seu quadril estava um pouco mais acentuado, quase como se fosse uma seta apontando diretamente para o centro da minha perdição. Espalmei a mão em seu pau, que já estava meio duro. — Mais tarde? — prometi com uma pergunta.
Ele segurou meu traseiro com força e se esfregou em meu clitóris. Caramba, ele conseguia acertar meus pontos sensíveis sem nem precisar tentar.
— Tudo bem, linda, mas você é minha. O dia todo e a noite toda.
Bufei, fiz um coque bagunçado no alto da cabeça e o prendi com um elástico que tinha no pulso. Algumas mechas caíram ao redor do meu rosto enquanto seus olhos pareciam viajar por minhas pernas nuas. Permiti que ele examinasse minhas coxas e meu peito, onde o tecido se esticava sobre os seios nus. Ele me comeu com os olhos, o que imediatamente fez com minhas coxas se juntarem para aliviar um pouco da pressão.
— Neandertal — respondi e dei uma piscadinha.
Ele me puxou em sua direção, segurando minha cintura e esmagando meu peito contra o seu. Então se inclinou para perto do meu ouvido e sussurrou:
— Ah, linda, você não faz ideia. Eu sobrevivi só por causa da lembrança deste corpo, dos seus lábios rosados em volta do meu pau e do calor da sua boceta me apertando. Eu vou te comer feito um homem das cavernas. — Sua respiração era pesada, fazendo cócegas na minha orelha. Suas palavras serviram para enfeitiçar e excitar, até que ele terminou com: — Eu preciso disso. Preciso de você. Sempre.
Eu me derreti em volta dele.
— Podemos pular o café da manhã? — falei em voz alta, esperançosa, meu sexo já pulsando de tesão, ansioso pela intrusão.
— Ah, não. Não podem! Eu fiz um banquete de boas-vindas para o meu menino. Venham cá, vocês dois! — Judi nos puniu com um humpf exagerado. Wes e eu não conseguimos conter o riso. Nosso estado de exaustão, com o coração recuperado, e a necessidade louca de conexão física um com o outro estavam nos deixando delirantes.
— Certo, Judi. Vamos comer, vamos comer — Wes concordou.
Eu queria fazer beicinho, e fiz, até que me vi sentada à bancada e sendo servida de um prato repleto de bacon, ovos e panquecas, com frutas ao lado. Olhando para o prato de Wes, vi os mesmos itens. Algo naquilo me surpreendeu com uma enorme dose de alegria. De repente, eu estava faminta. Sentia fome pela primeira vez no que pareciam anos — mas eram, na verdade, só algumas semanas. Ver Wes comendo as panquecas elevou minha fome a proporções extremas. Em pouco tempo, eu estava tão cheia que precisaria que me levassem rolando para fora da cozinha.
— Judi, você se superou — Wes falou, limpando o próprio prato. Seus olhos começaram a piscar, sonolentos. Em um mês ele havia passado por muito mais do que a maioria das pessoas passa na vida.
— Que tal um banho? — sugeri.
Seus olhos se abriram totalmente. Brilharam num tom verde impressionante de grama recém-cortada que eu conhecia e que sinalizava que ele estava excitado.
Ele se levantou e segurou minha mão, me ajudando a descer da banqueta.
— Com certeza. Você primeiro.
Eu ri e rebolei enquanto caminhava à sua frente, de volta para o nosso quarto.
— Você só quer olhar pra minha bunda.

— Pode crer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
Encontrou algum erro gramatical ou de formatação? Comente :D