9 de janeiro de 2017

Capítulo Dez

Dizem que a liberdade é um privilégio, não um direito. Eu não me sentia muito privilegiada ou verdadeiramente livre. A dívida com Blaine tinha sido paga, mas meu coração ainda estava trancado em uma masmorra, implorando para ser libertado. Meu pai estava indo bem, seu prognóstico era favorável. Apesar de sua mente ainda estar trancada.
Meu salvador, meu irmão, Max, foi embora para ficar com a esposa, Cyndi, na esperança de que o bebê Jackson chegasse logo. Maddy e Matt voltaram às aulas e ao conforto de seu apartamento perto da universidade. Ginelle decidiu voltar a trabalhar, usando maquiagem pesada para cobrir os hematomas que ainda não haviam se curado. Seus planos mudaram desde o ataque. Conseguimos um terapeuta para ajudá-la a superar o que aconteceu, mas ela me disse que, quando eu voltasse para casa e estivesse morando com Wes, ela também gostaria de ir embora. Queria uma mudança de cenário, um emprego novo. Basicamente, ela queria dar o fora de Las Vegas, e eu não a culpava. Havia muitas lembranças de momentos difíceis com as quais conviver. Eu faria qualquer coisa para ajudá-la a se curar, e isso incluía acomodá-la na casa de hóspedes de Wes, que era o que nós faríamos.
Pensei a respeito da palavra lar por um tempo. Embora a Cidade do Pecado tivesse sido minha casa a maior parte da minha vida, eu não me sentia como a verdadeira Mia ali. Malibu estava me chamando, mas quem me receberia quando eu chegasse? Parecia que a vida de todo mundo tinha continuado de onde parou. De todo mundo, menos a minha. Em uma semana, eu deveria começar no programa de TV com o médico das estrelas, o dr. Hoffman, mas não me sentia pronta para esse passo. Só que eu não podia pagar os cem mil dólares de multa, então, não importava o que estivesse acontecendo, eu teria que ir. Ele me contratou para fazer um novo quadro em seu programa com base na minha própria fama. O quadro era adequadamente chamado de “Vida bela”.
O único problema é que a vida, para mim, já não tinha cor. Tudo o que eu via eram tons de cinza, preto e branco. A beleza ao meu redor havia desaparecido, escoado ralo abaixo, até que todas as cores haviam se tornado nada. Eu me sentia um nada.
Deitada na cama, eu olhava para o céu — escuro e coberto de nuvens. O deserto se preparava para uma tempestade de verão. Aquilo se encaixava perfeitamente no meu humor. Tempestades eram incomuns nessa época do ano, mas não eram algo inédito. Sentei com as pernas cruzadas, segurando o celular. Um trovão retumbou ao longe e eu comecei a contar.
Um Mississippi...
Dois Mississippi...
Três Mississippi...
Quatro Mississippi...
Bum! O relâmpago surgiu e o raio caiu. Uma vez ouvi alguém dizer que cada cinco segundos entre o trovão e o raio significam que a tempestade está a pouco mais de um quilômetro e meio de distância. Um clarão ofuscante passou pelo céu cor de ardósia como o flash de uma câmera, me cegando por um momento. Tão rápido quanto veio, ele se foi. Assim como Wes.
Weston Channing Terceiro entrou na minha vida em uma onda. Literalmente. A partir do momento em que ele parou de surfar e foi para a areia, eu o observei caminhar em minha direção. Um deus solar. A pele bronzeada, o cabelo molhado, gotas de água salgada escorrendo naquele peito que poderia ter sido esculpido em mármore, de tão duro que era. Seus olhos, da cor da grama recém-cortada em um dia de primavera californiana, encontraram os meus, mas não foi isso que me atraiu. Foi sua confiança, o sorriso peculiar, o modo simples como ele andava, falava e fazia amor. Como se seu corpo tivesse sido feito para estar perto do meu. Para ser tocado por mim. Para ficar na segurança dos meus braços.
Ou talvez fosse o inverso disso, e fosse eu quem necessitava estar perto dele. Ser tocada pela mão dele, o coração dele e a alma dele.
— Por favor, volta pra mim — pedi em voz alta.
Meu celular tocou, me tirando do humor melancólico em que eu estava. Olhei para a tela.
Número desconhecido.
O calor atingiu o centro do meu ser, me aquecendo de dentro para fora enquanto uma sensação instantânea de formigamento fazia os pelos dos meus braços se arrepiarem. O aparelho tocou novamente e o peguei, apertei o botão de atender e respirei.
— Alô? — resmunguei, com muito medo de dizer algo mais.
— Mia — veio a resposta sem fôlego, quase como se ele tivesse feito um esforço extremo para dizer a palavra de três letras.
Lágrimas escorreram pelo meu rosto.
— Wes — falei, sem saber o que dizer, mas necessitando falar tudo de uma vez só. Meu coração estava na garganta, meu corpo se agitando com a tensão. Segurei o telefone com tanta força e tão perto do ouvido que a dor atingiu minha mão, mas eu não me importei.
— Linda, sua voz. Meu Deus, baby... É tão bom te ouvir... — Ele pigarreou e suspirou profundamente. Tanto que pude sentir a pressão ao meu redor.
— Wes, me diz que você está bem. — Finalmente consegui formar uma frase.
Ele tossiu bruscamente.
— Estou bem. Só um pouco baqueado.
Era bem a cara do meu namorado ser irreverente em um momento como aquele.
— Eu preciso te ver, te tocar para acreditar que você é de verdade.
Sua respiração se tornou forçada quando respondeu:
— Eu sei. Eu quero tanto te ver que chega a doer. Mas eu não posso. Tenho que, hum... ficar aqui um pouco, arrrrggghh.
— O que é isso? O que foi? Você está machucado? — Minha voz tremeu tanto que eu nem tinha certeza se falei aquilo mesmo. Teria sido mais fácil lidar com uma faca no peito do que saber que Wes estava com dor, que tinha sido ferido de alguma forma e eu não podia estar com ele.
— Sim, baby, eu estou ferido. Levei um tiro no pescoço. Mas estou bem. De verdade, vou ficar bem. — Ele gemeu e eu ouvi um som sussurrado, mas tudo começou a ficar um pouco confuso depois do que ele disse.
Levou um tiro no pescoço.
No pescoço! Quem leva um tiro no pescoço e vive para contar a história?
— Wes, baby, eu preciso te ver. Agora mesmo. Onde você está? Me fale onde você está. Vou pegar o próximo avião. Eu tenho amigos que são donos de jatinhos particulares. O meu irmão pode me emprestar o dele. — Atropelei as palavras, já planejando para quem ligar.
— Seu irmão? — O tom dele era confuso, e eu não o culpava.
Pressionei os dedos na têmpora.
— Sim, eu tenho um irmão. Um irmão de verdade. O DNA provou isso. E ele, hum... ele pagou a dívida do pops.
— O quê? Quem? — ele perguntou de forma concisa, mas eu não tinha certeza se era porque estava com dor ou porque estava ouvindo aquela informação surpreendente pela primeira vez.
— Maxwell Cunningham.
Ele tossiu e soluçou.
— Porra! — falou, sem fôlego novamente. — Pare de medir a minha pressão. Estou tentando falar com a minha noiva. Me dê licença por um minuto — ele grunhiu.
Noiva? Eu ia deixar passar por enquanto. Ele provavelmente só queria ter certeza de que a pessoa que o estava interrompendo soubesse que era uma ligação importante. Provavelmente. Talvez.
— Com quem você está falando? — perguntei.
— Com a enfermeira Ratched! — ele disse, mas eu tinha certeza de que ele não estava dizendo isso para mim, e sim para quem o estava examinando.
— Wes, baby, onde você está? — Todo o meu ser ansiava por qualquer resquício de informação.
— Na Austrália, eu acho.
Que raios ele estava fazendo na Austrália?
— Você estava na Indonésia na última vez que tive notícias.
— Sim. Quando os militares atacaram, fizeram uma operação de resgate, remoção e cuidados médicos em várias pessoas que estavam lá. Como nós tínhamos sido levados para a Indonésia e mantidos em cativeiro, quiseram nos levar para um local mais seguro, onde o nosso governo tivesse laços pacíficos.
Reclinando-me na cabeceira da cama, olhei para o céu escuro.
— Quando eu vou poder te ver?
Ele suspirou.
— Honestamente, linda, eu não sei. Eles estão entrevistando os reféns o mais rápido que podem, mas também querem ter certeza de que estamos seguros. O seu amigo, sr. Shipley, pegou no pé de todo mundo. Ele já está famoso por aqui. — Ele riu e, em seguida, emitiu um som como se estivesse com dor.
Meu Deus, se eu estivesse lá, poderia beijá-lo. Eu teria que entrar em contato com Warren e dizer quanto significava para mim que ele tivesse usado seus contatos.
Minha voz falhou quando eu lhe disse como me sentia.
— Baby, eu quero segurar a sua mão. Ver você dormir. Sentir o seu peito subir e descer. Ouvir o seu coração batendo. Eu preciso de você em casa.
— Eu não quero nada além de voltar pra casa e pra você, linda. Em breve. Eu prometo. Vou fazer tudo o que puder pra sair daqui.
— Você pode me ligar todos os dias até voltar?
Mais uma vez ele riu, só que desta vez em voz baixa.
— Eles deram um celular para cada um de nós. Podemos falar quanto quisermos.
O peso em meu coração diminuiu. Eu ainda podia senti-lo, mas ao longo do tempo sumiria.
— Então... sua noiva, é? — Não pude evitar. Tive que mexer com ele. Brincar com meu namorado do jeito que sempre fizemos.
Ele concordou com um murmúrio e o som foi direto para o meu lugar feliz. Wes estava de volta. Obrigada, meu Deus.
— Temos muito que conversar, mas, sim, você e eu... é desse jeito que vai ser. Não vou esperar o paraíso. Vou jogar você por cima do ombro, chutando, gritando, e vou te levar. Não vou viver mais um dia da minha vida me preocupando com você. Com o que aconteceria com você se eu tivesse morrido.
— Não. Nem fale isso, Wes. — As lágrimas voltaram em um rompante.
— Mia, nós não podemos nos esconder da vida. Nunca sabemos quanto tempo temos ou o que pode acontecer enquanto estamos vivendo. Eu só sei que quero viver com você do meu lado. Para o nosso bem. Somos você e eu. Você vai ser minha mulher.
Eu ri em meio às lágrimas, contente com o sentimento que invadia meu peito, meu coração crescendo tanto que poderia explodir de alegria.
— E se eu disser não? — provoquei, sabendo que ele perceberia pelo meu tom.
— Não é uma opção — sua voz baixou, e o tom sensual me deixou instantaneamente molhada.
— Eu aceito, Wes. Ah, meu Deus, Wes, sim. Com força, Wes. Sim, eu me caso com você — brinquei.
Ele murmurou novamente, e o som passou por mim como se eu tivesse sido atingida por um dos raios que cintilavam no céu.
— Eu sou um cara legal. Vou te dar opções.
Gritei silenciosamente. Meu namorado era incrível. Mesmo preso em algum hospital militar na Austrália depois de ter sido mantido em cativeiro por quase um mês, estava falando sobre casamento e brincando com a namorada, isso depois de tomar um tiro no pescoço.
— Eu fiquei com muito medo — admiti, em um tom abafado.
— Eu também. E estou lidando com algumas coisas agora, ajudando a salvar outras pessoas que ainda podem estar lá. Tenho que ajudar. Se eu puder ficar aqui uma semana a mais e salvar mais uma pessoa, linda, vai valer a pena. Nós temos toda a vida pra viver juntos.
— Com certeza — falei, tentando aliviar a situação o suficiente para passar por aquela semana. Se ele pôde viver um mês no inferno, eu poderia lidar com uma semana.
— Eu te amo, Mia. — Wes dizer aquelas palavras, ser capaz de ouvi-las de seus próprios lábios, era como uma bebida fresca em um dia quente.
— Eu te amo mais, Wes. Muito mais. — Engoli em seco várias vezes e limpei o nariz na manga da blusa.
— A enfermeira Ratched tem que trocar o meu curativo — ele declarou, com um longo bocejo e um “ai”.
— Certo. Me liga quando acordar amanhã? — Eu quis dizer aquilo como uma pergunta, mas pareceu mais um apelo.
Ele bocejou de novo e murmurou alguma coisa.
— Wes! — O medo se espalhou em cada nervo quando ele não respondeu.
— Sim, desculpe, baby. Acho que ela me dopou. Meus olhos estão fechando mais rápido do que eu quero.
— Eu te amo — falei novamente, por nenhuma outra razão além do fato de que me sentia bem em falar.
— Humm, eu também. Minha Mia. — Ele parecia bêbado e meio adormecido. Em seguida, a linha ficou muda.
Com os membros pesados, me aconcheguei no cobertor, segurando o telefone. Virei-me e observei o show de luzes do lado de fora. Todos os meus pensamentos estavam em Wes. Eu me sentia aliviada por saber que ele estava seguro e sendo cuidado, mas frustrada por não estar lá para ajudar. Também pensei na perspectiva de me casar com ele, viver uma vida longa juntos. Tudo começaria quando ele voltasse para casa.
Eu tinha tanto a dizer a ele e queria saber todos os detalhes do seu cativeiro. Beijar e afastar qualquer dor que não pudesse ser vista. Eu sabia, pela experiência do ataque de Aaron, que essas coisas poderiam demorar. O meu trauma era pequeno em comparação ao que Wes havia passado. Não seria fácil superar algo tão horrível. Eu sabia que ele tinha visto amigos, pessoas com quem se preocupava, morrerem bem diante de seus olhos. Agora, eu só podia ser grata por ele estar vivo. Meu namorado tinha sobrevivido, e juntos nós poderíamos nos curar. A nós dois.
***
Observar alguém que eu amo dormir é um dos meus passatempos favoritos. Enquanto crescia, era Maddy. Ela adormecia enquanto eu lia para ela, acariciava seu cabelo e lhe contava histórias. Por muito tempo depois que ela dormia, eu a observava. Memorizava o tom exato de loiro do seu cabelo, o arquear das sobrancelhas, o franzir dos lábios rosados. Mesmo durante o sono, minha menina era angelical. Eu era muito feliz por ser capaz de proporcionar à minha irmã uma noite de sono tranquila. Todos os dias havia um novo objetivo.
Quando eu estava com Alec, brincava com seu cabelo até que ele acordasse sorrindo, rolasse na cama e transasse comigo, permitindo que aquelas belas mechas avermelhadas caíssem como um cobertor sobre meu rosto enquanto ele me amava. Fiz o mesmo com Wes. Ele era mais tranquilo durante o sono, e, quando estava de barriga para cima, sempre tinha uma ligeira curva em seus lábios. Como se tudo que ele estivesse sonhando valesse um sorriso, mesmo em repouso. Eu amava aquilo nele. Não havia outro homem mais lindo dormindo do que o homem que eu amava com todo meu coração e minha alma.
Agora, eu observava o pops. O respirador tinha ido embora, assim como os tubos no nariz e ao redor de sua face. Ele ainda tinha o tubo de alimentação, cateter, manguito de pressão arterial e soro. Não fosse por isso, pareceria que ele estava tirando uma soneca. Acho que era a parte mais difícil de estar em coma por tanto tempo. Enquanto esperava a seu lado, fiquei aguardando que ele abrisse os olhos. Cada visita me deprimia mais e mais, porque ele não acordava.
Os médicos disseram que, depois das convulsões e de quase morrer das duas reações alérgicas, além da infecção viral, eles tinham esperança de que ele acordasse, mas não havia certeza. A única bênção que recebemos foi que, de acordo com o neurologista, havia atividade cerebral, mas não podíamos ter certeza de que isso significava que ele acordaria, ou quando. Fiz a mesma pergunta várias vezes. Quando eles achavam que ele acordaria. E sempre me diziam a mesma coisa. Quando ele quisesse. A verdade é que eles não tinham como saber. Não havia um botão mágico ou um alarme que poderia ser programado para que aquilo acontecesse. E, acredite em mim, a coisa do barulho? Sim, tentei isso. Bati nos trilhos da sua cama. Coloquei fones de ouvido nele com heavy metal, que eu sabia que ele odiava, só para que ele acordasse e me mandasse desligar a porcaria da música. Mas nada. Silêncio. Nem um movimento sequer.
Aquilo era difícil de engolir também. Suas mãos estavam sempre quentes, apesar de sem vida. O sangue estava correndo pelas veias, mas o magnetismo, a energia, a força vital ou o que quer que fosse que nos faz ser quem somos não estava lá.
Fiquei ali, olhando para seu cabelo cheio, barba e bigode. Ginelle tinha cuidado bem da aparência dele durante minha ausência, mas ele precisava de um corte — para não mencionar que uma dose de sol faria maravilhas por sua pele pálida. Ele tinha aquele tom acinzentado que uma pessoa adquire quando não sai na rua por um longo tempo. Meu pai estava em coma fazia nove meses. O mesmo tempo que uma mulher leva para gerar um bebê.
— Quando é que você vai acordar, pops? Tem muita, muita coisa pra gente conversar. — Respirei fundo várias vezes antes de continuar. — Vou voltar pra Malibu amanhã. Por mais que eu gostaria de estar aqui com você, nossa vida não pode ficar em compasso de espera por mais tempo. A sua dívida foi paga, pai, mas não sem um sacrifício. Às vezes eu olho pra trás e penso que deveria agradecer. Sem a sua dívida, eu não teria conhecido todas as pessoas maravilhosas que conheci ao longo deste ano. Pessoas que eu sei que vão continuar a fazer parte da minha vida por muito tempo. E, claro, ainda tem o fato de eu ter encontrado o Max. Meu irmão.
Eu me levantei e comecei a andar pelo quarto.
— A minha mãe teve um filho antes de mim, pops. Um menino. Cinco anos mais velho que eu. Ele tem trinta agora. O nome dele é Maxwell, e ele é o melhor irmão que uma garota poderia ter. Tenho certeza de que você percebeu a coisa do nome. Maxwell, Mia e Madison. Assim como ela e a tia Millie. A mamãe era muito previsível. — Pensei no fato de ela ter deixado cada um de nós, e meu coração se apertou ao lembrar da mulher que me colocou no mundo. Sim, muito previsível. Parando, olhei pela janela. As nuvens escuras da noite passada tinham sumido, deixando um céu azul imaculado no lugar. Movendo-me para perto do pops, passei os dedos por seu cabelo escuro e macio. Sempre foi suave como seda, e em repouso não era diferente. — Esta jornada me levou a um homem, pops. Um homem por quem eu sou profundamente apaixonada, e sei, com todo o meu ser, que ele também é. O homem mais importante do mundo pra mim. — Olhei fixamente para seu rosto, esperando que houvesse uma centelha de vida, um sorriso escasso, qualquer coisa... mas não. — Estou indo agora. Não sei quando eu vou voltar. A Maddy e o Matt vão vir te visitar. Você vai gostar dele. Do Matt. Ele é bom pra ela. Trata a Maddy como a princesa que ela é. Os médicos daqui vão fazer tudo o que puderem pra te ajudar a acordar, mas cabe a você, pops. Você precisa lutar, e lutar muito. Lutar por nós. — Fechei os olhos e respirei fundo. — Se alguma coisa com você mudar, vou estar de volta no primeiro voo.
Eu me inclinei para a frente e beijei sua testa.

— Estou feliz por você ter melhorado depois desse susto. E estou feliz que todo mundo tenha superado esse mau momento. — Fui até a beira da cama e olhei para o homem que me criou. Ele nunca foi perfeito, nem dizia ser, mas nos amou, mesmo quando odiava a si mesmo. — Você sabe, pops, que não foi certo ter pegado todo aquele dinheiro emprestado e, definitivamente, não foi certo ter esse peso sobre os meus ombros. Mas eu não me arrependo das decisões que tomei este ano nem da jornada que percorri até agora. Eu não mudaria o que vivi por nada. Através dela, eu sinto que estou me encontrando cada vez mais, a cada mês. Talvez, até dezembro, eu tenha descoberto ainda mais. Se você me perguntasse, se alguém me perguntasse... eu faria tudo de novo. E o percurso ainda não acabou.

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