12 de janeiro de 2017

Capítulo Dez

Minha querida Mia,

Desculpe-me por não ter atendido suas ligações no último mês. Não quero que os meus problemas afetem mais a sua vida do que já afetaram.
Eu sou um homem destruído, Mia. Eu sabia que tinha problemas com a bebida. Entendia que o caminho que estava seguindo não era saudável e poderia acabar me matando. Nesta mesma época, no ano passado, eu não me importava com nada. Já tinha perdido a sua mãe. E perdi vocês, minhas meninas, ao afastá-las de mim. Acabar com tudo teria sido simples. Eu sei agora que esse era o caminho mais fácil.
Você e a Madison nunca deveriam ter tido que enfrentar o que eu as fiz passar. A ideia de ver você trabalhando para a Millie para me salvar e pagar a minha dívida me dá arrepios. Nunca mais quero ser esse tipo de peso para você ou para sua irmã. Então, por enquanto, vou tirar um tempo para descobrir o que eu preciso fazer. Como eu posso mudar, se é que ainda posso.
Entro em contato quando descobrir. Viva para você agora. Não se preocupe comigo. Eu pediria que você ficasse de olho na sua irmã, mas seria um pedido idiota. Você tem sido uma família melhor para ela do que eu e a sua mãe jamais fomos.
Espero que este homem e a sua vida na Califórnia a façam feliz, Mia. Isso é o que eu quero para você. Felicidade. Você, mais que qualquer outra pessoa, merece um final feliz.
Eu te amo mais do que você pode imaginar.

Seu pops

Lágrimas escorriam pelo meu rosto enquanto eu relia a carta, recebida alguns dias antes. Sentimentos conflitantes inundavam minha mente, provocando muita confusão. Como eu poderia desligar isso? Depois de anos cuidando do pops, eu deveria simplesmente parar de me importar? Esquecer que tinha um pai?
Talvez fosse essa a ideia. Definitivamente, foi o que ele afirmou em sua carta. Que eu vivesse a minha vida. Que seguisse em frente sem me preocupar com ele. Da última vez que fiz isso, o homem acabou com uma dívida de um milhão de dólares, e eu tive que ir para a agência da tia Millie vender minha companhia pelo maior lance. Eu não era mais aquela garota. Não poderia ser, nunca mais.
No dia seguinte eu me casaria com Weston Charles Channing Terceiro. Não deixaria de ser Mia Saunders, mas seria uma mulher casada. Uma pessoa melhor, porque teria a força do amor de Wes a meu lado em todas as situações. E ele me ajudaria a lidar com meu pai no futuro.
Quanto mais eu pensava nas palavras dele, mais irritada ficava. Como ele ousava pedir que eu me afastasse? Aliás, a carta chegava a ser cômica, mas também era apropriada, já que eu tinha usado esse mesmo modus operandi com a maioria dos meus clientes. Acho que herdei essa característica passiva do meu querido papai.
Isso ainda me incomodava. Eu ia me casar no dia seguinte. Sabia que viajar seria difícil para o meu pai, mas esperava que ele fizesse um esforço. Wes ia mandar um avião particular buscá-lo e pagaria as enfermeiras para virem com ele, apenas para que eu pudesse ter meu pai no meu casamento. Seria um dia único na minha vida, em que eu precisava que ele estivesse presente. Precisava que ele se importasse mais comigo do que consigo mesmo. Queria que ele vivesse por mim pelo menos um dia em toda a minha existência, mas ele não podia fazer isso. Ele sabia que eu ia me casar em 1º de janeiro. Nós tínhamos discutido o fato de que ele talvez não estivesse pronto para viajar tão cedo depois de ter tido alta no hospital. Ele jurou de pés juntos que nada o impediria de ver a filha se casar. E, então, eu recebi a carta.
Olhei para a vastidão do mar pela varanda do nosso quarto. Pessoas andavam para lá e para cá na parte mais plana da praia, preparando as coisas para a cerimônia do dia seguinte. Uma plataforma de madeira suspensa e um gazebo tinham sido montados. O evento aconteceria na parte privada da praia, que ficava na propriedade de Wes, e nós tínhamos criado um caminho de pedras até lá. De manhã, flores da estação preencheriam o cenário da nossa pequena cerimônia. No futuro, colocaríamos um banco ali, para nos sentar e admirar a vista incrível do oceano.
— Ei, vadia, o que você está fazendo?
Pulei na cadeira com o susto.
— Jesus! Seria bom se você anunciasse a sua presença da próxima vez, tá?
Ginelle se sentou na cadeira em frente à minha e apoiou os pés em cima da grade.
— Por que você está tão nervosa? — Ela baixou os óculos aviador para me olhar por cima do aro. — Tá batendo medo?
Sorri e me inclinei para trás.
— Nem próximo disso. — Cruzei as pernas, com os pés quentinhos em minhas botas Ugg.
Ginelle fez uma careta.
— Essas botas são tão feias. Ninguém nunca te disse isso? É por isso que elas se chamam Ugg. Deviam se chamar Ugly, porque são horrorosas. Quem quer andar por aí parecendo estar prestes a atravessar um monte de neve? — Ela empurrou o cabelo loiro para trás. — Eu não entendo o apelo.
— Eu quero!
Apoiei o pé na grade e inspecionei minhas botas. Elas eram feias mesmo. Se não fossem tão confortáveis, eu já teria jogado fora. Infelizmente, no momento em que enfiei os pés nelas e vi a luz, ou, devo dizer, senti a luz — como se estivesse caminhando sobre nuvens macias —, fui conquistada.
— E aí, vai me contar o que colocou esse olhar no seu rosto? Quando eu cheguei aqui, parecia que você estava sentindo cheiro de cocô de cachorro e não conseguia encontrar a merda.
Suspirando, entreguei-lhe a carta.
Ginelle a pegou e leu rapidamente. Seus lábios se curvaram e ficaram brancos.
— Filho da puta egoísta. — Sua voz subiu uma oitava. — Eu não acredito que ele fez isso com você na véspera do seu casamento. Depois de tudo... — Ela balançou a cabeça. — É isso aí. Eu mesma vou matar o seu pai. Ele não pode sacanear a minha melhor amiga depois do sacrifício que você fez. — Ela se levantou e colocou as mãos nos quadris. — Sabe de uma coisa? Vou ligar pra ele. Dizer que ele é um covarde, imprestável...
Eu a detive com a mão em seu pulso.
— Isso não vai ajudar. Aliás, vai fazê-lo se sentir pior e garantir que ele volte a beber pra esquecer os problemas. Apesar de eu achar que ele vai de qualquer jeito. O tom dessa carta não me passou muita confiança. Mas sabe de uma coisa, Gin?
Ela bufou e se sentou.
— Eu não posso me importar mais. Estou cheia. Claro que eu sempre vou amar o meu pai. Ele é o pops. Nenhuma boa ação que ele faça ou merda que jogue em cima de mim vai mudar isso. Eu não tenho espaço dentro do meu coração neste momento pra deixar que ele me derrube, nem a minha mãe. Dói? Claro que dói. Muito. Mas amanhã é um novo dia. — Pensei no sorriso de Wes, na maneira como ele me tocava, me olhava com adoração. — O Wes faz tudo ficar bonito. Até eu. Vou focar nisso e viver a minha vida mergulhada na beleza que ele é e na nossa vida juntos.
Gin assentiu.
— Em primeiro lugar, você sempre foi bonita. Incrivelmente linda. Em segundo lugar, eu te entendo. Não concordo, porque por mim daria um chute no saco do seu velho, mas vejo que é isso que você precisa fazer pra seguir em frente. Já é hora. Além disso, todos nós estamos seguindo em frente. — Ela olhou ao longe, para as ondas que quebravam na praia intocada.
Eu teria aquela vista para admirar todos os dias. Era uma mulher de sorte e precisava parar de sentir pena de mim mesma e começar a apreciar tudo que tinha. No entanto, antes, havia algo que Ginelle dissera que nós precisávamos esclarecer.
— Pelo que você disse, devo entender que você vai seguir em frente... tipo, no Havaí?
Ela sorriu com tristeza.
— Não, não. Eu não vou. Vou ficar aqui mais um tempo. Se vocês não se importarem que eu continue na casa de hóspedes.
— De jeito nenhum. Fique o tempo que quiser. Fique pra sempre. Eu já disse que te quero aqui. Se eu vou morar aqui, preciso da minha melhor amiga por perto. Mas tenho que dizer que estou um pouco surpresa. Você e o Tao estavam se entendendo, não?
Ela assentiu.
— Sim, ele é tudo que eu poderia querer em um homem. Só que ele não me quer. Bem... — Ela sorriu ironicamente, mas o sorriso não alcançou os olhos. — Ele quer algumas partes minhas.
Bati em seu braço.
— Para de brincadeira. O que você quer dizer com isso?
Ginelle encolheu os ombros e cruzou os braços, num movimento claramente defensivo.
— Ele gosta de ficar comigo, se divertir comigo, e o sexo é fenomenal...
— Parece perfeito — interrompi, sem querer que ela começasse a dar detalhes.
Quando se tratava de sexo, minha melhor amiga não era tímida. De modo algum. Ela gostava de compartilhar todos os pormenores, e às vezes eu queria ouvi-los, mas não na noite anterior ao meu casamento. Pelo menos pelas próximas horas, eu queria manter uma aura sagrada ao redor desse assunto.
Ela inclinou a cabeça para trás e olhou para o céu.
— Ele quer uma esposa e mãe de família. Alguém que ele possa sustentar, não uma mulher que trabalhe. Passei anos cuidando da minha carreira. Ainda tenho anos pra viver de dança antes de precisar parar. E, quando isso acontecer, eu sempre sonhei em abrir uma escola de dança para crianças. E aí sim poderia até pensar em ser mãe. Mas eu quero ter a liberdade de decidir. Eu poderia ter um estúdio e levar os meus filhos comigo. A minha primeira professora de dança fazia isso, deixava os bebês no chiqueirinho enquanto dava aula. Ela devia cobrar menos pelas aulas, já que havia interrupções de vez em quando, mas na maior parte do tempo era legal. Eu cresci com aquelas crianças, dancei com elas em apresentações tempos depois. É pedir demais querer isso pra mim?
Seus olhos se estreitaram quando ela apoiou os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos.
— Não, não é pedir demais. Se é o seu sonho, você tem que lutar por ele, a menos que uma oportunidade melhor apareça. Você conversou com o Tao sobre seus planos?
Ela suspirou.
— Sim, e ele disse que a mulher dele não iria trabalhar, a menos que fosse no show da família.
— Bom, eles são dançarinos. Talvez você pudesse...
Ela revirou os olhos e olhou para mim como se eu tivesse acabado de dizer que o Brad Pitt estava na porta da frente se oferecendo para ser o pai dos seus filhos.
— Certo. — Deixei escapar uma respiração lenta. — Não é exatamente o seu estilo de dança.
Ginelle se encolheu.
— Não.
— Mas... o Tao é o seu tipo de homem. Será que ele não vale a troca de um sonho por outro?
Depois de fechar os olhos, ela respirou fundo.
— Eu seria uma péssima pessoa se dissesse que não? Pelo menos não agora. Eu só tenho vinte e cinco anos. Daqui a algum tempo, talvez eu pense diferente. Mas até lá...
— Ele não vai mais estar disponível. Não, eu entendo. Então foi um rompimento tranquilo?
Ela bufou e se recostou na cadeira.
— Nem um pouco. Embora eu tenha esperança de que ele entenda a mensagem.
Eu ri.
— Você quer dizer, antes que ele pegue um avião pra te sequestrar?
Um dos seus braços se abriu, apontando para o meu nariz.
— Bingo! A vencedora faz o jantar.
Gemi.
— É a minha última noite de solteira.
— Ei, não é culpa minha que ele gostou tanto que colocou um anel aí. Isso é com você. Agora levanta, mulher. Já pra cozinha me fazer um sanduíche.
Ela usou de muita força para me levantar da cadeira.
— E não se preocupe mais com esse lixo. As próximas vinte e quatro horas vão ser as mais felizes da sua vida, e, como sua madrinha, vou garantir isso. — Ela amassou a carta do meu pai e a jogou por cima do ombro, para fora da varanda. Não olhei para ver onde caiu.
— Você sabe que a Maddy é a minha madrinha, né? — perguntei.
Ela levou as mãos aos ouvidos.
— Lá-lá-lá lá-lááááá lá-lá-lá lá-lááááá.
É, acho que a Maddy daria um jeito nela.
***
As cobertas se mexeram tão suavemente que eu não teria notado se um joelho não tivesse movimentado o colchão. Inspirei lentamente, mantendo a respiração regular, assim ele não saberia que eu estava acordada. O cheiro do meu homem e do mar invadiu meus sentidos, enviando uma onda de luxúria e desejo por todo o meu corpo. Ainda assim, fingi dormir, mais interessada em saber como ele planejava esse ataque-surpresa do que em anunciar que eu sabia que ele estava lá.
Algo fresco, mas não frio, tocou minha nuca e deslizou numa carícia lenta ao longo de cada ondulação em minha coluna. Não pude evitar o arrepio.
— Eu sei que você está acordada, linda — Wes resmungou e depois mordeu minha bunda através da calcinha de algodão. Eu não esperava ver o meu noivo na noite anterior ao nosso casamento, porque tínhamos concordado em não dormir juntos, como era tradição com noiva e noivo normais. Eu não era muito de seguir tradições, mas pareceu significativo quando Claire Channing sugeriu essa.
E ali estava o meu homem, quebrando as regras.
— Nós ainda nem casamos e você já está quebrando a tradição?
Seus dedos deslizaram para as laterais da calcinha, que ele puxou pelas minhas pernas. Permaneci de bruços, o rosto de lado, à espera da próxima jogada. Se ele ia mesmo quebrar as regras, faria todo o trabalho. Então eu poderia alegar que fui apenas uma vítima indefesa.
— Como se você se importasse — ele caçoou, esfregou aquela coisa fria em meu bumbum nu e a forçou entre as minhas coxas.
— Ah! — pulei quando a sensação atingiu a entrada do meu sexo. A coisa desapareceu e eu fui deixada com o tesão formigando entre as pernas e o som da inspiração profunda de Wes.
— Rosas misturadas com o seu mel... Linda, eu estou salivando — ele disse com um gemido. Eu me apoiei no quadril e deitei de costas. Wes estava cheirando uma rosa vermelha. No momento em que nossos olhares se cruzaram, ele lambeu uma pétala. Minha boca se abriu, imaginando o que ele estava provando na flor. — Delicioso, mas não o suficiente. — Sua garganta se moveu, e seus olhos queimaram mais que o fogo.
Observei enquanto ele montava em mim. Eu estava vestindo apenas uma regata branca canelada, já que ele havia tirado minha calcinha.
— Wes, você não devia estar aqui — avisei sem vontade. Ondas de calor arrepiaram meu ventre e se espalharam, cobrindo minhas coxas com desejo, mesmo enquanto eu falava.
A julgar pela maneira como Wes me encarava, como se eu fosse uma fonte de água cristalina e ele estivesse morrendo de sede, ele não pretendia estar em qualquer lugar que não fosse enfiando seu pau grosso profundamente em mim, permanecendo por tempo suficiente para encontrar o êxtase. Eu sabia, e ele também. Por que mesmo eu estava lutando contra isso?
Ah, certo. A mãe dele. A sugestão dela, segundo a qual o segredo para o início de um bom casamento era se abster na noite anterior. Não ver a noiva antes da cerimônia. Havia um bocado de tradições idiotas que pareceram boas quando ela mencionou. Mas, quando um homem gostoso como Wes quer fazer o que ele queria fazer comigo — coisas que me fariam cantar em louvor e me reconectar com o Todo-Poderoso —, essas tradições soam como folclore.
Havia ferocidade no corpo de Wes enquanto ele pairava sobre mim. Vestindo apenas a cueca boxer e uma camiseta, ele levantou um braço forte e puxou a camiseta sobre a cabeça, revelando o peitoral rígido para meu prazer visual. Não, o peitoral não. Eu não tinha como ganhar diante das ondulações intermináveis que me faziam desejar lamber a extensão de pele à minha frente. Não era possível ganhar. Eu já tinha percorrido essa estrada antes. Era rochosa, irregular e cheia de picos. Uma vez que eu colocasse os lábios em seu peitoral, em um único gominho de seu abdome... a porra do jogo acabaria.
Você tem a vontade de um guerreiro, eu me lembrei. Eu tinha ouvido essa frase em um comercial ou em algum programa de TV, e a repetia agora.
— Você vai me negar o que é meu? — Wes perguntou, colocando as mãos no decote da minha regata. Seus dedos se enroscaram no tecido e, com um movimento rápido, ele rasgou o algodão bem no meio.
Puta merda. Você tem a vontade de um guerreiro.
Ele se inclinou para a frente enquanto eu fazia que não com a cabeça. Não conseguia pronunciar as palavras. Sua boca quente envolveu um mamilo e ele sugou com força e por bastante tempo.
Você tem a vontade de um guerreiro.
— Wes... — eu me ouvi sussurrar.
— Diga que não quer e eu vou embora. — Ele cuidou primeiro de um mamilo e depois do outro, com voltas ásperas da língua e pequenas mordiscadas. Enquanto torturava um deles com a boca, puxava, acariciava e torcia o outro, até meus quadris estarem se movendo por vontade própria. Buscando, procurando, tentando encontrar algo para aliviar a sensibilidade extraordinária.
Argh. Eu não posso — ofeguei, envolvendo os braços em sua cabeça e arqueando em sua boca.
— Essa é a minha garota — ele grunhiu e sugou o máximo que pôde do meu seio em sua boca quente. Eu o encorajei, gemendo e o segurando ali. Querendo que ele continuasse, ávida por isso.
Wes deslocou o joelho entre minhas coxas e empurrou minhas pernas para o lado, se encaixando ali. Era um movimento a que eu estava acostumada, depois de tantos meses experimentando todas as formas de o meu homem fazer amor comigo. Esta noite ele queria estar perto, o mais perto que pudesse. Ele grudou o corpo ao longo do meu, nossa pele se tocando o máximo possível.
Sem mais rodeios, ele levantou meus quadris e afundou o pau grosso em mim com tudo. Ofeguei, meu sexo apertando seu membro com o impacto.
— Ah, caramba — gritei quando ele se afastou e me penetrou novamente.
— Eu vou te amar assim pra sempre, Mia. — Ele recuou e meteu mais uma vez. — Todos os dias da minha vida... — Recuou, seguido por uma estocada firme. — Sem falta... você vai ser amada — Wes prometeu e, em seguida, aumentou o ritmo.
Eu me agarrei a ele e sussurrei promessas de amor eterno em seu pescoço, lábios, peito, o que eu podia alcançar, até que a pressão se tornou intensa demais. Ela começou a pulsar na parte inferior da minha coluna e se espalhou, com ondas de calor correndo pelos meus membros, fazendo cada terminação nervosa coçar. Ele metia seu pau grosso dentro de mim, uma, duas, três vezes, até que a centelha que ele havia começado entrou em chamas e eu disparei, subindo em labaredas tão brilhantes que ofuscavam tudo no caminho.
Em cima de mim, o corpo de Wes era uma máquina de músculos e ossos, cada centímetro dele focado na necessidade diante de si, acelerando com todo o prazer que meu corpo recebia. Ele continuou, implacável, até eu gritar novamente. Sua boca abafou meu segundo orgasmo, saboreando meu desejo por ele. Mordi seu lábio enquanto seu corpo se apertava, cada partícula dele me agarrando forte, como se ele fosse voar para longe se não fizesse aquilo. Com movimentos rápidos e firmes, ele se esfregava em mim, estimulando meu clitóris e enviando uma última tremulação de prazer através do meu corpo enquanto ele gozava.
Momentos se passaram enquanto respirávamos pesadamente contra o pescoço um do outro. Isso me mostrava com que intensidade ele precisava de mim. Quando sua mãe sugeriu que não dormíssemos juntos naquela noite, ele havia aceitado quase sem resistência. Talvez já não planejasse seguir o combinado.
Levantei o queixo de Wes, afastando seu rosto do meu peito. Seus olhos
imediatamente se prenderam aos meus.
— Você está bem? — perguntei, minha voz rouca e saciada.
— Eu estou com você. É claro que estou bem — ele respondeu.
Boa resposta, pensei e me mexi alguns centímetros para que pudesse beijá-lo antes de me afastar.
— Alguma razão especial para quebrar a tradição?
Ele riu e fez uma pausa. Seus olhos se iluminaram com malícia quando respondeu:
— Na verdade, eu mantive a tradição.
Franzi a testa.
— Como assim?
— Bom, existe uma tradição que diz que, se você quer ficar com a pessoa que ama durante todo o ano que se inicia, deve beijá-la à meia-noite.
Olhei para o relógio. Marcava meia-noite e quinze.
— Mas já passou da meia-noite.
Ele sorriu.
— Ah, eu estava beijando você à meia-noite. Quando deu a hora, você estava tendo não o primeiro, mas o segundo orgasmo da noite. E eu o engoli inteirinho.
— Seu depravado. — Eu o empurrei de brincadeira, mas ele se moveu apenas o suficiente para deitar ao meu lado.
Suas mãos deslizaram pelo meu corpo, como se ele estivesse gravando o momento na memória.
— Pronta pra amanhã?
— Nunca estive mais pronta na vida.
Ele abriu um sorriso enorme, e ver aquilo quase fez doer meu coração.
— É essa a verdadeira razão de você estar aqui? Pra ter certeza de que eu não vou dar uma de Noiva em fuga pra cima de você? — perguntei, aconchegada a ele.
— Não, eu confio no nosso amor. Só não sinto necessidade de ficar longe de você. Já ficamos separados por tempo suficiente, você não acha?
Beijei-o sobre o coração.
— Acho. Esta é a nossa tradição: um beijo à meia-noite no Ano-Novo e passar a véspera do nosso casamento nos braços um do outro.

— Não tem nenhum outro lugar onde eu preferiria estar. Agora vamos dormir. Amanhã vai ser um dia cheio. — Ele deu uma piscadinha e me beijou na testa.

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NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
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