11 de janeiro de 2017

Capítulo Cinco

— O que você está fazendo aqui e que raios acabou de acontecer? — repreendi Wes enquanto moldava meu corpo ao dele. Mesmo aborrecida, eu não podia deixar de querer me grudar em sua forma musculosa, grande e sexy. Humm.
Ele riu contra meu pescoço e me deu um beijo suave e quente.
— Mia, relaxa. O Mason me contou que ia anunciar ao mundo o plano de se casar com o amor da vida dele, e eu pensei... Ah, quero fazer a mesma coisa. Não faz sentido manter segredo.
Mordi o lábio e olhei em seus belos olhos verdes.
— Mas... Mas... E quanto aos paparazzi sanguinários? Eles ficaram atrás de você por semanas. Isso não vai dar mais munição pra tentarem te atingir? — Fiz uma careta, com medo de que Wes tivesse cometido um erro gritante. Eu poderia consertar se não exibisse a parte final do programa, mesmo que aquilo levasse a audiência à estratosfera.
Mas a saúde e a felicidade de Wes valiam muito mais que alguns milhões de espectadores.
Ele balançou a cabeça.
— Mia, muito pelo contrário. Isso vai dar aos paparazzi algo mais feliz pra se concentrarem do que as mortes e todas as merdas que aconteceram. A Gina mal consegue se manter de pé. Sabe por quê?
A simples menção do nome de Gina DeLuca enviava tremores de pavor que ondulavam pela minha coluna e faziam meus braços se arrepiarem. Cerrei os dentes e tentei fingir que não me incomodava.
— Não. Por quê?
Ele segurou meu rosto.
— Porque ela não tem algo bonito para abraçar todas as noites. Eu tenho e quero que o mundo saiba disso. Eu dei a esses sanguessugas algo mais poderoso pra se agarrarem. Não tenho nenhum problema em falar o dia todo sobre quanto eu te amo e sobre o meu plano de fazer de você a minha mulher.
Suspirei. Era tão diferente do jeito como ele agia em janeiro. Dez meses antes, ele estava focado no trabalho e no filme. Agora tudo tinha a ver comigo.
— Se você acha que isso vai te ajudar a se curar, estou com você, exibindo a minha mão direita pra todo mundo ver.
Ele sorriu.
— Que bom, porque nós temos uma entrevista agendada com a revista People.
Meus olhos se arregalaram.
— Eu não vou falar só sobre a gente. — Ele balançou as sobrancelhas para tentar amenizar o clima de medo instantâneo. Aquele homem me conhecia muito bem. — Também quero falar um pouco sobre o que aconteceu por lá, como eu estou me tratando... Talvez isso ajude outras pessoas com transtorno de estresse pós-traumático. Pode funcionar como um lembrete de que tem gente que realmente se importa e de que o trauma que elas vivenciaram não as define. É só uma coisa que aconteceu com elas.
Uma mecha de cabelo caiu em seus olhos e eu a afastei. Lembranças daquele período sem ele surgiram em minha mente, trazendo uma série de memórias horríveis. Meu Deus, eu não sabia o que teria feito se ele não tivesse voltado para casa. Sem ele, com certeza eu não estaria onde estou hoje. E definitivamente não seria tão feliz. Todo dia eu me surpreendia com quanto amava minha vida e como minha sorte tinha mudado de forma exponencial desde que eu começara a minha jornada, quase um ano antes.
Eu me inclinei e o beijei, tentando colocar todo o meu sentimento naquele beijo. O orgulho que eu tinha dele, a cada passo de Wes em direção à cura, a magia que eu acreditava que tínhamos em nosso relacionamento e, o mais importante, o amor que eu sentia por ele. Às vezes esse sentimento se tornava tão poderoso e intenso que eu não sabia o que fazer. Mas naquele momento, na frente da equipe, de Mason, Rachel e todos os outros, eu beijei meu homem com tudo o que tinha dentro de mim. Ele rosnou em minha boca e me deitou sobre sua perna. Os aplausos na sala eram ensurdecedores.
— Droga, Lucita, estou atrasado pra festa! Tem uma marca onde eu devo ficar? Você está distribuindo besos? Se estiver, eu sou o próximo!
O vozeirão de Anton fez com que eu terminasse o beijo e risse com a boca colada à do meu namorado. Wes fez uma careta e depois sorriu, mostrando que estava superando a natureza incorrigível de Anton com as mulheres.
— Você está duas horas atrasado. O que fez ontem à noite?
Ele abriu aquele sorriso sexy de molhar calcinhas.
— Acho que a pergunta seria: O que eu não fiz ontem à noite? — Ele estalou a  língua e levantou as sobrancelhas.
Suspirando, balancei a cabeça.
— Vamos lá. A Kathy vai colocar o microfone em você pra gente começar a gravar a primeira parte da entrevista.
— Então, nada de beso? — Ele fez um beicinho.
Revirei os olhos e lancei um olhar para Wes.
— Sem porra de beso nenhum. Se quiser manter a sua boca inteira, amigo, é melhor parar com os comentários engraçadinhos — Wes resmungou.
Isso fez Anton cruzar as mãos sobre o peito, inclinar a cabeça para trás e rachar de rir. Parecia uma hiena.
— Desculpa, amigo, eu não quis ofender. Eu adoro a maneira como você protege a nossa Mia.
Wes fez uma careta.
— Você quer dizer a minha Mia, Anton. Você está na corda bamba comigo. Eu estou sendo legal com você, mas, sério, é melhor manter a boca fechada se não quiser arrumar briga. — A voz de Wes era cortante e rude. Não havia nenhuma razão para ele ser tão duro.
— Wes... sério. O Anton só está brincando. Relaxa. — Fui para o seu lado e ele me puxou para mais perto. Às vezes eu esquecia que desde o sequestro ele tinha esses ataques de ciúme, com os quais eu não estava acostumada nem apreciava. Me aborrecia até dizer chega o fato de ele suspeitar de que todos os caras nas imediações estivessem tentando conseguir minha atenção, o que realmente não era o caso. Nem de longe. Na noite anterior ele tinha se estressado com o garçom no jantar, porque, de acordo com Wes, o cara olhou para os meus peitos. Que surpresa. Eu tenho peitos grandes. A maioria dos homens olha para eles. Estou tão acostumada que é mais fácil perceber se um homem não olhar diretamente para eles quando me vir pela primeira vez.
Anton se aproximou de nós.
— Weston, amigo, eu estou feliz por você e pela Mia. O meu coração ficou cheio de alegria por saber que ela encontrou o final feliz. E eu vejo que você gosta muito dela. Assim como eu. Como amiga. Nada mais, nada menos. Eu digo essas coisas, como vocês dizem...? No piloto automático? A Mia é uma mujer hermosa.
Eu me lembrei de Heather dizendo que hermosa significava “bonita”.
— A sua noiva desperta o meu lado bobo. Você entende? ?
Wes expirou lentamente e seus ombros relaxaram. Fechou os olhos e baixou a cabeça, como se estivesse suplicando.
— Desculpe, Anton. Eu não sei o que está acontecendo. Até os amigos dela estão trazendo à tona um lado feroz em mim. Por favor me perdoe, sim? — O pedido de Wes era sincero, e eu podia dizer que, com Anton, ele seria imediatamente perdoado. Meu amigo não era do tipo que guardava rancor por mal-entendidos triviais.
— Ah, sem problemas. Agora, muñeca, onde você quer que eu fique para a entrevista?
— Hum, vamos começar na sala com a arte porto-riquenha.
Anton sorriu.
— Vejo você lá.
Esperei que ele saísse da sala, segurei a mão de Wes e o levei pelo corredor até os fundos do apartamento, onde eu sabia que ficava o escritório de Anton. No momento em que chegamos lá, segurei a porta aberta para que ele entrasse.
Um milhão de emoções dominavam meu sistema, e eu só conhecia uma maneira de tirá-las de mim rapidamente. Do momento em que ele declarou seu amor por mim em rede nacional até as ameaças de homem das cavernas machão, meu corpo inteiro estava formigando de excitação, felicidade, raiva, medo, ansiedade e tudo o mais.
No segundo em que passei pela porta, eu a fechei, girei rapidamente e joguei os braços ao redor de Wes. Antes que ele pudesse falar alguma coisa, minha boca estava na sua, minha língua em sua garganta. Graças. A. Deus. Ele tinha gosto daqueles pirulitos que estalam na língua. Gemi quando ele agarrou minha bunda. Chupei seu lábio inferior ao mesmo tempo em que me apoiava em seu peito, fazendo-o cair em um banco acolchoado, que podia ser usado para sentar em frente à lareira ou como apoio para os pés. Eu não tinha ideia da função, mas sabia exatamente para que o usaria agora. Se eu conhecia Anton, e eu achava que sim, ele me aplaudiria.
— Uau, linda, o que está acontecendo? Achei que você fosse me dar um esporro por bancar o babaca macho alfa com o seu amigo. Honestamente, não sei o que deu em mim.
Eu realmente não me importava — estava mais focada em abrir seu cinto.
Levantei minha saia até a cintura. Wes não conseguia decidir se queria abrir ou fechar a boca, seus olhos fixos em minha pele exposta. Eu estava usando meias sete-oitavos e uma calcinha fio-dental de renda por baixo da saia lápis.
— Olha, não temos muito tempo, mas eu preciso de você. Aqui e agora. Então, coloque pra fora.
Meu homem me olhou como se eu fosse um donut de chocolate ao lado da sua xícara de café.
— Caramba, eu vou casar com a porra da mulher perfeita.
Wes ergueu os quadris, abriu o cinto e expôs sua ereção. Ele se acariciou até que houvesse um líquido perolado na ponta e estivesse completamente duro. Eu me ajoelhei no banco e lambi a cabeça do seu pau, permitindo que a pérola saborosa revestisse minha língua antes de engoli-la.
— Porra, isso... — Antes que eu pudesse me mover para uma posição melhor, uma explosão abrasadora atingiu minha bunda, uma, duas, três vezes. — Não se atreva a me chupar — ele rosnou e me afastou, segurando um punhado do meu cabelo. O cabeleireiro ficaria muito irritado.
Wes se sentou no banco e eu gemi com a visão do seu pau duro e pronto. Ele se inclinou para trás, com as mãos na beirada do couro liso do banco para suportar seu peso.
— Monte em mim. Me tome todo. Até o fim.
Feliz, montei no banco, puxei a calcinha para o lado, posicionei sua ponta molhada em meu sexo e deslizei lentamente para baixo. Centímetro por centímetro tentador, sua grossa espessura me preencheu. Quando ele estava completamente dentro de mim, com minha bunda pressionando a pele macia de suas bolas, o zíper de sua calça aberta me arranhando, eu me inclinei para trás.
— Eu quero ver você pegar o que precisa, linda. Agora se mexa. — Sua voz era um estrondo baixo e gutural, que enviou outra onda de luxúria pelo meu sistema.
Apoiando as mãos em seus joelhos, usei os braços e os pés encostados no chão para me balançar para cima e para baixo. Ver seu pau escorregadio desaparecer repetidamente dentro de mim agia como um afrodisíaco. Quanto mais eu olhava, mais molhada ficava e mais subia e descia. A cada movimento Wes gemia, até que eu só conseguisse ver o meu homem e seu pau poderoso me levando ao êxtase. Tudo em minha mente e meu corpo estava concentrado cem por cento no deslizar dos nossos corpos um contra o outro. Estar preenchida por Wes era inexplicável. Cada descida era um pedaço do paraíso. Cada subida e perda de contato com seu corpo, o inferno absoluto. Prazer se unia a dor.
— Olha isso. Tão lindo. Ver você me levar pra dentro, ter prazer com o meu pau, me deixa louco. Não vejo a hora de gozar tão forte que você vai ter um lembrete de mim por dias. — Sua voz era áspera, imitando o aperto dos dedos em meus quadris.
Eu gemia e o pensamento me levava a um frenesi de necessidade e desejo. Algo dentro de mim simplesmente perdeu o controle e eu comecei a fazer barulhos animalescos, como o miado de um gato irritado.
— Ah, sim, você está quase lá. Eu sei disso. — Wes mordeu o lábio e olhou para baixo, entre minhas coxas. — Eu adoro o seu clitóris rosado, implorando pelo meu toque. Se eu pudesse estar em dois lugares ao mesmo tempo, estaria te chupando com tanta força que você colocaria a casa abaixo. — Levou o polegar à minha boca. — Lambe.
Fiz o que ele ordenou, sugando o polegar salgado, girando a língua ao redor dele, mordendo-o. Ele sorriu, e foi minha ruína. Eu me inclinei e desci, me esfregando em seu osso pélvico tanto quanto possível, perdida em busca do que eu tanto queria. Para subir tão alto quanto ele podia me levar. Wes respirou, ofegante, por entre os dentes. Ele estava tão fundo dentro de mim. Parecia que seu pau estava cravado bem no meio do meu corpo. Tão bom...
— Quer que eu faça você gozar? Te faça gritar? — Seu rosto era uma máscara de pura luxúria. Aqueles olhos lindos, que controlavam metade dos meus pensamentos, estavam entreabertos e quase totalmente pretos. Sua boca era macia, o lábio inferior úmido dos intermináveis e viciantes beijos.
Balancei a cabeça. Eu queria gritar mais que qualquer outra coisa no mundo, mas não queria fazer isso quando havia uma sala cheia de pessoas que poderiam nos ouvir. Era bem possível que todo mundo soubesse o que estávamos fazendo, e, de alguma forma, esse pensamento tornou aquilo ainda mais poderoso.
— Tudo bem, linda. Eu sei do que você precisa. — Ele colocou o polegar molhado diretamente em meu clitóris, colou a boca na minha e me estimulou com movimentos repetidos.
Envolvi as pernas ao redor de sua cintura e o apertei com força quando o orgasmo monstruoso me atingiu. Eu gritei, mas seu beijo abafou o som, engolindo minha libertação como se fosse seu direito — e era mesmo.
Só depois que eu gozei ele me afastou de seu pau molhado, me girou para que eu ficasse de joelhos, abaixou minha calcinha minúscula, abriu minhas nádegas e penetrou meu sexo por trás.
— Wes! — gritei com a intrusão intensa. Como eu estava ajoelhada no banco com os joelhos unidos, ele entrou de forma mais apertada.
Wes se debruçou sobre minhas costas e sussurrou em meu ouvido:
— Se você não quiser que o mundo inteiro saiba o que está acontecendo aqui, sugiro que fique quieta.
— Eu não consigo — choraminguei fracamente e rebolei, para que ele se movesse dentro de mim. Eu já tinha gozado, mas a nova sensação era demais para ignorar. Eu precisava dele novamente. Sempre precisava de mais.
Ele mordiscou meu pescoço e meu ombro.
— Certo, tudo bem. — Depois de um farfalhar seguido de um tilintar, Wes me entregou seu cinto dobrado ao meio. — Morda isso — ele disse, enquanto o segurava na frente da minha boca. No momento em que mordi, ele tirou tudo, parando só com a ponta enorme do seu pau dentro de mim. — Vou te comer com força agora, Mia.
Quando Wes dizia que ia me comer com força, ele falava sério. Só tive tempo de cerrar os dentes com mais firmeza sobre o cinto e me agarrar ao banco acolchoado antes que meu corpo se deslocasse para a frente com a força dos seus impulsos. Grunhi alto, mas nenhum grito saiu. Ele me fodia loucamente, o tempo todo fazendo elogios sacanas sobre meu corpo, sobre como era bom quando eu estava ao redor dele, apertando-o.
— Ah, isso, assim é demais. — Ele espalmou minha bunda, batendo em cada lado algumas vezes, até o espaço entre minhas coxas estar encharcado, pingando pelas minhas pernas. Minha bunda estava em chamas pelas palmadas sensuais, mas tudo isso só me fazia me perder ainda mais na bruma de luxúria em que Wes sempre me colocava. Sem falar mais nada, ele agarrou meu quadril com uma mão, meu ombro direito com a outra e não parou mais de meter dentro de mim.
Bem ao longe, ouvi uma batida, mas não me importei e, aparentemente, Wes também não, embora eu achasse que ele tinha resmungado alguma coisa. Eu não podia dizer com certeza. Tudo que eu sabia era que o meu homem estava duro como uma rocha e seu pau batia naquele ponto interno que me fazia ver estrelas.
Mordi o pedaço de couro quando o prazer me tomou por todos os poros, até a ponta dos dedos das mãos e dos pés. Quando Wes estava perto de explodir, se inclinou, colocou dois dedos em meu clitóris e começou a me acariciar. Foi o que bastou para me tirar de órbita mais uma vez. Quando gozei, meu corpo apertou seu pau de forma intensa, e ele agarrou meus ombros. Dentro de mim, impulsionou o pau com mais força, permitindo que meu corpo absorvesse cada gota do seu prazer, deixando sua semente dentro de mim. Lindo demais.
Enquanto eu tentava recuperar o fôlego, descobri que minha testa estava colada no banco de couro. Wes estava debruçado sobre mim, com as mãos ocupadas. Isso era algo que eu curtia em nossa vida sexual. Ele adorava me trazer de volta do abismo do prazer com toques carinhosos em todo o meu corpo.
— Tenho que admitir que foi uma excelente ideia, mas alguém veio chamar a gente duas vezes. Depois eu ouvi o Anton abrir a porta e espiar aqui dentro antes de bater com força, dizendo que nós precisávamos de mais vinte minutos de pausa. — Ele riu contra meu pescoço suado.
Merda, será que vou precisar trocar de blusa? Devo estar toda amassada e molhada de suor.
— Você me deixa louca — eu disse, depois de ter conseguido acalmar a respiração. — Pare de me surpreender com gestos sensuais e com atitudes de macho alfa que me fazem querer pular em cima de você. Um de nós tem que ser o adulto da relação. — Fiz uma careta e o empurrei, tentando fazê-lo sair de dentro de mim, ainda que eu estivesse perfeitamente contente ali, ajoelhada no banco com o traseiro para cima e o corpo do meu homem envolto no meu. Infelizmente, eu tinha um trabalho a fazer e um sapo enorme para engolir.
Wes riu, saiu de dentro de mim e pediu que eu não me movesse. Antes que eu pudesse descobrir o que ele estava fazendo, algum tipo de pano macio estava limpando nossos fluidos entre minhas coxas.
— Pronto, você está o mais limpa possível.
Eu me levantei, puxei a calcinha para cima, passei para o outro lado do banco e arrumei a saia. Eu podia sentir que meu cabelo estava bagunçado na parte de trás, onde Wes o agarrara algumas vezes. Minha bunda estava quente das palmadas, e o espaço entre minhas coxas estava muito sensível, inchado e dolorido quando juntei as pernas.
— Merda. Acabei de ser comida como se não houvesse amanhã e tenho que gravar um quadro. Tem vinte pessoas lá fora esperando. Que merda eu estava pensando? — Mexi no cabelo, tentando arrumar o ninho de rato.
Wes sorriu, fechou a calça e pegou o cinto. Traçou as marcas dos meus dentes no lado brilhante do couro.
— A coisa mais sexy do mundo. Vou usar esse cinto o tempo todo — ele anunciou.
Eu, por outro lado, estava furiosa.
— Você não tinha nada que trepar comigo feito um louco justo aqui. Caramba! Eu posso perder o meu emprego.
— Mia, foi você que começou. E você não vai perder o seu emprego — ele disse enquanto enfiava o cinto pelos passadores. — Você está fazendo eles ganharem muito dinheiro, e, além disso, tem uma coisa que nenhum outro quadro tem.
Coloquei as mãos na cintura, me apoiei em uma perna, inclinei a cabeça e o fuzilei com os olhos.
— Que é...?
— Eu. — Ele abriu o sorriso largo e fácil que eu adorava. Desde seu retorno, aqueles sorrisos estavam começando a aparecer com mais frequência, e a cada um deles eu acreditava um pouco mais que a cura estava acontecendo diante dos meus olhos.
— E como é que isso ajuda? — Eu já sabia a resposta.
Ele riu.
— Oi? O cineasta premiado aqui. Lembra? Eu estou editando o quadro com você.
Fingi refletir por alguns momentos, como se estivesse avaliando se ele era útil ou não. Ah, eu sabia, sem sombra de dúvida, que sua habilidade estava me tornando muito popular na televisão e com a equipe do programa do dr. Hoffman. Tanto que outros programas e produtoras tinham me sondado. Uma até falou sobre me oferecer meu próprio programa diurno, tipo o da Oprah ou o da Ellen DeGeneres — basicamente, tudo o que eu poderia querer, em uma bandeja de prata. Wes e eu estávamos considerando nossas opções em conjunto, como família, discutindo o que cabia ou não em nosso estilo de vida. A resposta ainda não havia chegado, mas eu tinha tempo. Estava comprometida com o dr. Hoffman pelo menos até o próximo ano.
— Oi, ego, eu sou a Mia — eu disse para provocá-lo.
Ele balançou a cabeça.
— Ah, vai ter troco!
— Promete?
— Pode ter certeza. Quando você menos esperar.
— Hum, acho que isso já aconteceu.
Ele riu, me puxou contra seu peito e me beijou profundamente.
— Foi incrível e valeu cada pedacinho do carão que nós vamos enfrentar.
— Você não está errado. — Eu sorri.
— Vem. Vamos amaciar a equipe. Estou pensando em uma rodada de cerveja e pizza depois das gravações.
— Isso deve resolver!
Eu estava começando a conhecer minha equipe, e eles pareciam adorar esportes, cerveja, pizza e falar besteiras com celebridades.
***
— Seja bem-vindo, Anton Santiago, mais conhecido como Latin Lov-ah. Eu comecei a fazer sucesso no mundo do entretenimento depois que estrelei o seu clipe, lançado este ano, de uma música que foi muito bem nas paradas, pelo que eu saiba.
— Isso mesmo. As mulheres adoraram, mas os homens ficaram loucos com você no papel da sedutora. — Anton me colocou no meio da história, em vez de morder a isca e falar sobre si mesmo.
Senti um calor começar em meu peito e subir até o rosto.
— Obrigada. O meu noivo com certeza gostou. — Calculadamente, pisquei para Wes, para que ele soubesse que eu também estava fazendo um esforço para tornar o nosso relacionamento público.
Anton riu.
Continuei a entrevista:
— Eu sei que já te perguntaram antes e você se recusou a responder, mas por que Latin Lov-ah? Sério, vamos lá, Anton. Estamos entre amigos aqui. Nós queremos os detalhes sórdidos!
Ele olhou para a câmera, fez um muxoxo perfeito, que faria o público feminino do meu programa querer lamber a tela da TV, e respondeu:
— Eu amo as mulheres. Todas elas. De qualquer forma e tamanho, não importa. E, claro, eu tenho ascendência latina. Então, se você colocar os dois juntos, perfecto: Latin Lov-ah, amante latino.
Anton se recostou como se fosse o rei do castelo, o que combinava com ele. Ele estava usando uma camisa de manga comprida branca, quase toda aberta — para mostrar o peitoral definido —, calça solta de linho branco e mocassins de camurça marrom. Uma corrente de ouro estava pendurada em seu pescoço e brilhava sob as luzes. A pele morena, combinada com o cabelo escuro e os olhos castanho-esverdeados, fazia uma mulher, qualquer mulher, querer cair de joelhos e adorá-lo. Anton era tudo isso e muito mais.
Engraçado pensar em como ele era absurdamente bonito, mas tudo o que eu podia fazer era esperar que um dia ele encontrasse amor verdadeiro.
— Agora que você tem fama e fortuna, o que há para agradecer nesta temporada?
Anton se inclinou para trás e olhou para cima.
— Eu sou grato pelo teto sobre a minha cabeça, a comida na minha barriga, a amizade da minha empresária, Heather Renee, o amor de mi mamá e dos meus hermanos. E, claro, por todos os meus amigos e os fãs da minha música. Mas, sabe, este ano eu quero agradecer a você, Mia. Por me salvar de perder uma coisa muito importante pra mim. Eu sou grato a você e à sua amizade.
Não pude evitar as lágrimas que se formaram em meus olhos. Claro que aquele seria o momento em que a câmera iria ficar superperto e invadir meu espaço. Sem estar preparada para isso, olhei para ela quando a lágrima escorreu.
— É isso aí. Anton Santiago, o Latin Lov-ah, meu amigo e amigo de vocês. Obrigada por ter vindo, Anton. Foi ótimo ter você como convidado deste segmento especial, o “Seja grato”. Eu te desejo ainda mais sucesso na indústria da música e em todos os seus futuros projetos. E este foi o Anton, pessoal — falei com um grande sorriso.

Só mais uma gravação para fazer e Wes e eu iríamos para o Texas passar o Dia de Ação de Graças com meu irmão, sua esposa e seus filhos, além da minha irmã e o noivo dela.

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NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
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