10 de janeiro de 2017

Capítulo Cinco

Sem saber o que fazer, pigarreei... alto. O suficiente para que o casal abraçadinho se virasse. Wes viu meu rosto e se levantou como se tivesse sido queimado. Então segurou as mãos de Gina e a levantou também.
— Mia, hum... eu não esperava você em casa tão cedo — ele disse, passando a mão pelo cabelo rebelde, o que não ajudou em nada naquela situação.
Resposta errada, amigo.
— Estou vendo. Devo deixar vocês dois sozinhos? — grunhi com os dentes cerrados.
Os olhos de Wes se arregalaram. Ele olhou para Gina e depois para mim.
— Ah, meu Deus, não! — Ele ergueu as mãos. — Linda, não é o que parece.
Apertei os lábios.
— Não? Porque parece muito com o homem que eu amo consolando a sua ex enquanto eu estava trabalhando.
Wes balançou a cabeça e se afastou de Gina.
— Baby, de jeito nenhum. Não. Não entenda assim. — Ele veio para o meu lado e estendeu os braços. Dei um passo para trás antes que ele conseguisse me abraçar. Seus braços caíram nas laterais do corpo.
— Acho bom você me dizer o que é, antes que eu perca a cabeça — avisei, cruzando os braços. Eu queria bater o pé, forçando-o a se apressar antes que saísse fumaça das minhas orelhas e eu explodisse.
— Mia, o Wes e eu não estávamos fazendo nada, eu juro — disse uma voz entrecortada atrás dele. Gina se inclinou no sofá, e foi aí que eu realmente a notei.
Uma de suas pernas estava engessada de cima a baixo, e havia um par de muletas apoiado perto do sofá. Ao vê-la de pé, notei que seu corpo não tinha a mesma vivacidade de antes. Ela estava abatida e extremamente magra. Observei Gina DeLuca por completo, do cabelo castanho, liso, com mechas que não demonstravam mais o brilho e a luminosidade que antes rivalizavam com qualquer comercial de xampu, até os dedos dos pés. Aquela não era a mulher que eu tinha conhecido em janeiro. Parecia uma concha vazia do que antes fora uma beleza estonteante.
Pisquei algumas vezes, sem saber como reagir, quando Wes se esgueirou e passou um braço em volta dos meus ombros.
— Mia, a Gina veio me visitar. Isso é parte do... hum... — Sua voz sumiu.
— Da minha terapia — ela completou. — Estou surpresa que você não tenha contado para ela, Weston. — Seus olhos estavam tristes e sem vida, quase vazios.
Por alguma razão, gostei de ela tê-lo chamado pelo nome completo, e não pelo apelido que eu usava. Ajudou a colocar a distância entre os dois de que eu tanto precisava naquele momento.
— A história não era minha para que eu contasse — Wes falou, solene.
Gina empurrou o cabelo para trás, limpou os olhos e, em seguida, olhou para mim.
— O meu terapeuta disse que eu preciso ver os outros sobreviventes. Me conectar com as pessoas que passaram pelo que eu passei, para poder lembrar que eu estou viva. Tentar seguir em frente com a minha vida. É por isso que eu estou aqui, Mia. — Sua voz tremeu. — O Wes estava me confortando. Nós passamos por muita coisa lá e... hum... eu me sinto segura perto dele — ela admitiu, mais lágrimas caindo por suas bochechas. — Eu nunca mais me senti segura. Não adianta contratar seguranças nem colocar trancas nas portas. — Ela esfregou as mãos nos braços. — Eu sinto medo o tempo todo. — Sua voz tremeu de uma maneira que me fez querer estender a mão e abraçá-la.
Ouvi-la admitir seus medos e expressar o que estava sentindo doeu como se uma faca me cortasse até os ossos.
— Desculpe. Eu não devia ter presumido nada. Vocês passaram por muita coisa juntos. Terminem a conversa de vocês. Eu não estou brava. Por favor... — Fiz um gesto para Wes voltar a se sentar com aquela mulher tão frágil. — Não tenham pressa. Eu fiquei com ciúme por um momento, mas confio no Wes e acredito no nosso amor. Ele nunca me trairia.
— Não, nunca mesmo — Wes disse, os olhos brilhando com alguma coisa que eu não consegui definir. Só sabia que era verdadeiro. Eu me inclinei, beijei seus lábios brevemente, deixando-o saber que estava tudo bem de verdade entre nós.
— Eu vou tomar um banho e ligar para a Maddy e a Ginelle.
— Certo. Eu termino aqui antes do jantar — Wes prometeu.
Enquanto caminhava para fora da sala, parei e bati na coxa antes de me virar.
— Gina, eu estou feliz por você ter sobrevivido. O Wes gosta de você, e eu sei que vocês passaram por coisas terríveis juntos, então fique à vontade para vir aqui sempre que quiser. Eu quero que vocês dois fiquem bem. Ninguém deve sentir medo o tempo todo. — Remexi os pés e dei de ombros. — Acho que o que eu quero dizer é que eu espero te ver de novo, em breve.
Dizer isso exigiu tudo de mim, toda a maturidade que eu tinha, especialmente porque, antes que as coisas acontecessem a meio mundo de distância, eu certamente nunca mais queria ver Gina com Wes ou em algum lugar perto da nossa vida. Agora, porém, eu precisava ser adulta. Eles passaram por uma situação traumática, algo que mudou a vida deles. E, se eu tivesse alguma esperança de ajudá-lo, talvez conseguisse fazer isso ajudando Gina também. Valeria a pena sorrir e recebê-la, se fosse um passo para fazer Wes lutar contra os demônios dentro dele, ainda que um passo pequeno. Eu podia afastar o ciúme que sentia e enterrá-lo em nome da saúde e da sanidade de Wes.
— Obrigada, Mia. Você é uma alma gentil. — A voz de Gina estava baixa e entrecortada.
Sorri e assenti, sem saber mais o que fazer.
— Linda? — Wes chamou.
— Sim, baby? — Descansei a mão no batente da porta do corredor que levava ao nosso quarto.
— Eu te amo mais e mais a cada dia.
Ele disse as palavras, mas eu não as ouvi somente. Eu as senti atingir meu coração, alojando-se ali, sãs e salvas, onde ficariam por toda a eternidade.
***
Deitada em nossa cama king-size, liguei para Ginelle.
— Oi, vadia — ela atendeu, mas não com a vivacidade e a provocação habituais.
Minha melhor amiga tinha passado por um grande trauma no mês anterior. Ter sido sequestrada e agredida por Blaine e seus capangas a havia endurecido de um jeito que eu não conseguia nem começar a entender, principalmente porque ela se escondia por trás de uma falsa coragem e de humor.
— O que você está fazendo? — perguntei, na esperança de ter uma conversa normal. Eu queria de volta nossas brincadeiras maliciosas e papos descontraídos. A única pessoa que eu conhecia que me xingava com amor. Era uma maneira estranha de demonstrar afeição, mas funcionava para nós duas, e eu queria aquilo novamente.
Gin suspirou, inalou e depois soprou. Ah, não. Não, não, não. Eu conhecia aquele som. Passei anos ouvindo-o pelo telefone.
— Você está fumando? — gritei ao telefonei e sentei na cama. — Não acredito nisso. Que merda, Gin! Você ficou quase oito meses sem fumar e agora volta? Sério? — Meu coração doía por ela, sabendo que estava arruinando oito meses de esforço num piscar de olhos.
— Relaxa, cadela! — ela retrucou. — É um cigarro de mentira. É eletrônico. Só tem uma porcaria de hortelã com vapor pra simular o cigarro mentolado que eu adorava.
Soltei um suspiro frustrado.
— Mas por que você está usando isso? Não é o hábito de fumar que você está tentando deixar? Isso não quebra o propósito?
— Olha, Mia, eu passei por um monte de merda, tá? Eu queria a droga de um cigarro. Em vez disso, comprei essa merda falsa pra me ajudar a descarregar a tensão. Você não está aqui. Não sabe como é lidar com toda essa merda sozinha.
Foi quando a conversa assumiu uma direção diferente. Raiva e emoção emanavam através do telefone quando Ginelle continuou:
— Eu detesto o meu trabalho. Odeio o meu apartamento. Odeio estar em Vegas. Tudo me lembra ele. Eu me viro e me pergunto se ele vai estar lá. — Um soluço saiu do seu peito, um som que eu raramente ouvia vindo da minha amiga durona. — O simples ato de andar até o meu carro me deixa preocupada se eu vou ser sequestrada de novo. Eu tive que pedir pro meu gerente, aquele verme desprezível, me acompanhar, porque eu estava convencida de que o filho da puta estava lá. Você tem alguma ideia de como é isso? — A pergunta foi uma declaração retórica estridente.
Não, eu não sabia. Se pudesse, trocaria de lugar com ela num minuto. Mas havia um ponto positivo: pelo menos ela estava desabafando. Culpa, raiva e tristeza me atingiram, cortando cada emoção em pedacinhos. Eu queria abraçá-la, dizer que tudo ficaria bem, mas eu tinha os mesmos medos. Ela ficar sozinha em Las Vegas não ajudaria qualquer uma de nós a resolver o problema. A boa notícia era que eu já tinha contado a Wes sobre minhas preocupações. Ele quase não acreditou em tudo o que tinha acontecido enquanto estávamos afastados. Foi quando eu fiz o que jurei nunca fazer. Pedi um favor ao meu namorado. Um favor de trabalho. Algo que jurei nunca fazer com qualquer um dos meus clientes. Já tinha feito isso com Warren, mas era diferente. Ele me devia... e muito. E pagou. Sua dívida comigo acabou quando ele conseguiu a informação que ninguém mais conseguia a respeito do paradeiro do Wes.
Voltando meus pensamentos ao presente, eu tinha perguntado a Wes se ele sabia de algum show em L.A. que precisasse de uma dançarina burlesca ou de alguém com o talento singular de Ginelle no mundo da dança. Ele fez algumas ligações e cobrou alguns favores. Em duas semanas, se Gin quisesse, ela realmente poderia levar sua carreira a outro nível.
— Amiga, calma. Me ouve.
Alguns ruídos desajeitados soaram pela linha, alguns barulhos que imaginei ser um lenço de papel e depois um suspiro profundo.
— Certo, estou sentada na cama. Manda ver.
— Eu tenho uma proposta pra você.
Ela riu, e foi o som mais gostoso que eu poderia ouvir naquele momento.
— Você vai me colocar pra trabalhar com a tia Millie? — Ela meio que riu, meio que bufou. Foi quase uma piada.
Apesar de Gin ter dito que trabalharia como acompanhante, ela não era o tipo de mulher que pode ficar quieta ao lado de um executivo rico, simplesmente parecendo bonita. Eu tinha tido sorte com o tipo de homens com quem trabalhei, mas as circunstâncias foram únicas. Essa oportunidade não estaria disponível para outra garota. Millie já tinha deixado isso bem claro. O padrão era um velhote ou cretino rico que esperava se dar bem no fim da noite. Ainda que Gin gostasse de falar um monte de besteiras, ela não estava acostumada com esse tipo de vida, independentemente de quanto pagassem.
— Não. Não tem nada a ver com o negócio de acompanhante. — Respirei fundo, tomando coragem. — O que você acha de se mudar para Malibu? Ficar com o Wes e comigo por um tempo, até você se estabilizar? — comecei, mas ela me cortou.
— Eu iria num piscar de olhos, Mia, mas isso não vai resolver o problema do trabalho. Não vou me mudar com o plano de um dia conseguir um emprego. Pode levar meses, e vocês acabaram de voltar. Ele tem aquela merda na cabeça pra lidar, assim como eu. Você quer mesmo carregar mais uma pessoa com problemas?
— Sim, eu quero. E você não me deixou terminar. Um amigo do Wes é diretor de um pequeno teatro aqui. O espetáculo é de danças sensuais, e a coreógrafa acabou de pedir demissão. Quem melhor do que uma verdadeira dançarina burlesca de Las Vegas pra ensinar essas cadelas com peito de silicone e lábios plastificados a balançar os implantes de traseiro por um bom dinheiro, em um show digno de Vegas? Ia ser demais. — E hilário, pensei.
Ginelle não disse nada por um longo tempo. Arrepios de pavor ondularam pela minha coluna enquanto eu esperava.
Finalmente ela falou, com a voz baixa.
— Você me conseguiu um trabalho como coreógrafa? Em um teatro de L.A.? Ah, meu Deus — disse, cheia de emoção.
— Gin, eu não sei bem quais são os valores, mas você iria ganhar muito mais do que ganha hoje, muito mais mesmo. Além disso, não precisaria pagar aluguel. Você pode ficar na casinha de hóspedes que nós temos aqui. Poderia morar lá pelo tempo que quisesse. Aliás, você pode viver lá pra sempre.
— Você e o Wes encontram o emprego dos meus sonhos, me oferecem uma casa e permanência indefinida, além da oportunidade de me mudar pra Califórnia, onde a vadia da minha melhor amiga mora?
Pensei no que ela falou. Estava faltando alguma coisa? Algum outro ramo de oliveira que eu pudesse estender? Alguma outra vantagem que pudesse acrescentar para fazê-la agarrar a oportunidade?
— Hum, sim, isso mesmo.
— Você está fumando crack?
Inspirando, esfreguei a testa.
— Que eu saiba não. — Tentei uma risadinha tímida.
— Então prepare a minha cama, vadia! A sua melhor amiga vai se mudar para a terra das frutas e das nozes! Puta merda! Eu vou coreografar um show burlesco em Los Angeles. Ai, meu Deus, o que eu vou vestir? — Ela tinha ido de deprimida para superanimada. Aquela era a versão de Ginelle que eu entendia, amava e adorava mais que qualquer outra. Sua felicidade era transcendente, e deslizava através do telefone para se envolver ao redor das minhas preocupações e da minha atitude melancólica em um intenso aperto de gratidão.
— Sério? — perguntei, para me certificar de que tinha ouvido corretamente.
— Claro que sim! Eu vou fazer as malas hoje mesmo. Tenho tanta coisa pra fazer. Preciso pedir demissão, arrumar a mudança, pensar nas coreografias e dirigir até Cali. Sabe o que isso significa pra mim, Mia?
Abri um enorme sorriso e apertei o telefone com força no ouvido.
— Estou começando a achar que sim! — Eu ri, sua alegria se espalhando por tudo, me indicando que eu tinha tomado a decisão certa. Pelo menos uma vez.
— Significa que toda a minha vida acaba de mudar pra melhor! E eu tenho que agradecer a você e ao seu Ken Malibu. Coloque o Wes na linha! Eu quero dar um pouco de amor virtual pra ele — ela disse, em êxtase.
Balançando a cabeça, deitei de volta na cama e me abracei.
— Não dá. Ele está conversando com a Gina.
Fez-se um silêncio mortal. Tudo o que eu podia ouvir era sua respiração enquanto a imaginava correndo pela casa, fazendo coisas aleatórias e se preparando para a mudança de vida.
— O quê? Por que essa vadia ladra de homem está na sua casa, conversando com o seu namorado, e você não está lá?
— Muita posse numa frase só.
— Então me diga que eu estou errada. Ele é o seu homem. O que está acontecendo?
— Verdade. Mas eu confio nele. — Eu girava uma mecha de cabelo no dedo. — Eles passaram por muita coisa juntos, Gin. Ele ainda não deu nenhum passo no processo de cura. E ela está um lixo.
— Ótimo — ela disse, rápida. Minha melhor amiga não enganava ninguém. Ela era tão protetora em relação a mim quanto eu era com ela, e, de acordo com Gin, eu tinha sido injustiçada por Gina. Tecnicamente não, porque Wes estava livre quando teve um caso com ela. E eu estava transando com Tai na época. Precisei vê-lo com Gina para perceber que queria ser a única mulher com quem ele faria amor, beijaria, dormiria junto e tudo o mais.
Eu tinha que conter o lado vingativo de Gin. Especialmente se ela viria morar aqui. Era provável que os caminhos de Gina e Ginelle se cruzassem.
— Ginelle, sério, a coisa não está boa ali. Se ela tivesse perdido todo aquele peso vomitando ou usando drogas, ou se o medo nos olhos dela fosse por não ter conseguido um papel ou alguma outra besteira, eu ficaria feliz. O problema é que os traumas foram pesados. Coisas que eu não aguento nem ouvir, mas sinto que preciso, pra poder ajudar o Wes. Ele está tendo problemas para dormir. Se a cura da Gina vai ajudar o Wes, eu tenho que encontrar uma forma de superar isso. Entende?
A brincadeira de Ginelle parou.
— Eles a machucaram tanto assim? — Ela estava sussurrando, como se estivesse tentando ser respeitosa.
— Na minha opinião... machucaram de um jeito irreparável — respondi com sinceridade, sem saber outra maneira de colocar aquilo em palavras.
— Bem, você é uma mulher melhor do que eu.
Eu ri.
— Não é que é verdade? — O humor estava de volta à conversa.
— Ah, sua vadia safada. Vou deixar essa passar. Só porque você ganhou pontos comigo por ter me conseguido o emprego dos sonhos e vai me deixar mudar pra sua mansão de Malibu. Você sabe que eu posso nunca mais ir embora.
Dei de ombros e sorri.
— Talvez eu não queira que você vá.
A verdade era que eu não queria mesmo. Maddy estava em Las Vegas, assim como o pops. Millie e Wes estavam aqui. Max e sua família estavam no Texas. As outras pessoas que eu mais amava no mundo estavam todas espalhadas. Ter Gin aqui aliviaria um pouco essa dor.
— Como vai o pops?
Ginelle murmurou:
— Bem, os sinais vitais voltaram a ficar bons, e os médicos acham que ele vai acordar. É só uma questão de tempo. De acordo com os exames, a função cerebral está normalizada. A infecção e as reações alérgicas não o deixaram tão mal como eles acharam que deixaria.
Fechando os olhos, agradeci ao grande cara lá em cima. Ele havia poupado meu pai e sido misericordioso. Agora era um jogo de espera.
— E a Maddy?
— Ah, ela está muito bem. Voltou para a faculdade, levando a vida com o Matt, sendo uma aluna brilhante e normal de vinte anos.
— Bom, isso é exatamente o que eu queria ouvir.
— Sabe, da última vez que a gente se falou, ela disse que tinha conversado muito com o Max sobre o departamento de pesquisa e ciência da Cunningham Óleo e Gás. Parece que ela vai trocar algumas aulas pra se concentrar mais nas ciências da terra e minerais. Ela disse que está realmente considerando ir pra lá depois da graduação e trabalhar com ele. Até o Matt disse que era uma boa ideia.
— Sim, mas e a família dele? Eles parecem ser muito próximos — falei.
— Parece que não vai ter problema. Os pais dele disseram que se mudariam pro Texas. Ele é só um garoto, e eles estão perto de se aposentar. O Max disse que contrataria o pai e até mesmo a mãe dele. Algo sobre a família ficar unida ou alguma besteira assim.
Claro que ele disse. Max era um santo. Ele me salvou e acolheu Maddy e a mim em sua família. Eu amava meu irmão, mas isso era especial demais. Talvez fosse por isso que ele era tão feliz. Ele era o exemplo perfeito de pessoa que faz para os outros o que gostaria que fizessem com ele. Max tratava a todos com respeito, amava sua família mais que qualquer outra coisa e queria que todos fossem felizes. Isso me fez perguntar quando começaria a pressão para que eu me mudasse para o Texas. Eu achava que aconteceria mais cedo ou mais tarde. Aquele homem gostava de estar rodeado pela família e estava construindo sua base. Eu poderia apostar que ele tentaria encontrar um jeito de fazer com que Wes e eu nos mudássemos para lá. A carne valia a pena. O calor e a umidade eram desagradáveis, e o que aquela merda fazia com o meu cabelo... blergh. Tinha que haver um motivo incrível para que eu fizesse essa mudança. Ter a minha irmã caçula por lá teria um grande peso, e ele sabia disso. Leve a irmã mais nova, que a mais velha vai segui-la.
— É, o Max é demais.
Ginelle suspirou, sonhadora.
— Amiga, ele é um gostoso de primeira.
— Você está dando em cima do meu irmão? — Fingi estar chocada.
— O sol nasce no leste e se põe no oeste? Você já viu o seu irmão, porra? Ele é um deus usando bota de caubói e calça jeans!
— Ah, não — falei, sem querer ouvir aquele tipo de coisa sobre Max.
— Isso mesmo. Ah, não. Só que, se fosse comigo, eu estaria gritando: “Ah, sim, Max. Mais forte. Vem com tudo, Max!” — ela gritou e gemeu, me deixando com vontade de vomitar.
— Você é doente. — Engasguei.
— Mas você me ama.
— Eu preciso que a minha cabeça seja examinada — falei.
— Enquanto você faz isso, eu vou arrumar a minha mudança. Te vejo daqui a duas semanas. Eu amo essa sua cara feia, vadia — Ginelle falou e desligou.

Droga. Ela ganhou essa rodada. Eu ganharia a próxima.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

NÃO ESTRAGUE A SURPRESA
Dar spoilers é muita crueldade com quem está lendo, por isso, jamais os dê!
Encontrou algum erro gramatical ou de formatação? Comente :D